O BlogBESSS...

Bem-Vindos!


Blog ou Blogue, na grafia portuguesa, é uma abreviatura de Weblog. Estes sítios permitem a publicação e a constante atualização de artigos ou "posts", que são, em geral, organizados através de etiquetas (temas) e de forma cronológica inversa.


A possibilidade de os leitores e autores deixarem comentários, de forma sequencial e interativa, corresponde à natureza essencial dos blogues
e por isso, o elemento central do presente projeto da Biblioteca Escolar (BE).


O BlogBESSS é um espaço virtual de informação e de partilha de leituras e ideias. Aberto à comunidade educativa da ESSS e a todos os que pretendam contribuir para a concretização dos objetivos da BE:

1. Promover a leitura e as literacias;

2. Apoiar o desenvolvimento curricular;

3. Valorizar a BE como elemento integrante do Projeto Educativo;

4. Abrir a BE à comunidade local.


De acordo com a sua natureza e integrando os referidos objetivos, o BlogBESSS corresponde a uma proposta de aprendizagem colaborativa e de construção coletiva do Conhecimento, incentivando ao mesmo tempo a utilização/fruição dos recursos existentes na BE.


Colabore nos Projetos "Autor do Mês..." (Para saber como colaborar deverá ler a mensagem de 20 de fevereiro de 2009) e "Leituras Soltas..."
(Leia a mensagem de 10 de abril de 2009).


Não se esqueça, ainda, de ler as regras de utilização do
BlogBESSS e as indicações de "Como Comentar.." nas mensagens de 10 de fevereiro de 2009.


A Biblioteca Escolar da ESSS


PS - Uma leitura interessante sobre a convergência entre as Bibliotecas e os Blogues é o texto de Moreno Albuquerque de Barros - Blogs e Bibliotecários.

sábado, 1 de maio de 2010

Estudo Ilustrado das Personagens de "Felizmente há Luar!" - Apresentação, estrutura e 1ª parte


A BE/CE da ESSS tem o prazer de apresentar este trabalho da turma L do 12º Ano, elaborado no âmbito da disciplina de Português (Prof. João Morais), pelos seguintes alunos: Ana Ginja,  Ana Malato,  Ângela Medeiros, Catarina Álvares, Eliana Lima, Rafael Antunes, Rita Varela e Vanessa.

  Estrutura do Trabalho
O autor e a sua época                                                         (1ª Parte)
Luís de Sttau Monteiro
Estado Novo
      António de Oliveira Salazar
      General Humberto Delgado
    Paralelismo passado/condições históricas dos anos 60
 A peça de teatro: ruptura e tradição                              (2ª Parte)
     Bertold Brecht
     O Teatro Épico
     O carácter trágico na obra Felizmente Há Luar!
Apresentação da obra – breve resumo                          (3ª Parte)
A simbologia e a intencionalidade da obra
Grupos de personagens
Os governadores do Reino
D. Miguel Pereira Forjaz
Principal Sousa
Marechal Beresford
Delatores/ traidores
Andrade Corvo (delator)
Morais Sarmento (delator)
Vicente (traidor)
Os mais conscientes
Manuel e Rita
O general Gomes Freire de Andrade e os seus amigos    (4ª Parte)
General Gomes Freire de Andrade
Matilde de Melo
Sousa Falcão
Frei Diogo
O grupo anónimo (populares)
Outros conceitos
Conclusão do trabalho
     Bibliografia
 O autor e a sua época   


Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro nasceu no dia 03/04/1926 em Lisboa e faleceu no dia 23/07/1993 na mesma cidade.

Partiu para Londres com dez anos de idade, acompanhando o pai que exercia as funções de embaixador de Portugal. Regressa a Portugal em 1943, no momento em que o pai é demitido do cargo por Salazar. Licenciou-se em Direito em Lisboa, exercendo a advocacia por pouco tempo. Parte novamente para Londres, tornando-se condutor de Fórmula 2. Regressa a Portugal e colabora em várias publicações, destacando-se a revista Almanaque e o suplemento A Mosca, do “Diário de Lisboa”, e cria a secção Guidinha no mesmo jornal.

Em 1961, publicou a peça de teatro Felizmente Há Luar, distinguida com o Grande Prémio de Teatro, tendo sido proibida pela censura a sua representação. Só viria a ser representada em 1978 no Teatro Nacional. Foram vendidos 160 mil exemplares da peça, resultando num êxito estrondoso. Foi preso em 1967 pela PIDE após a publicação das peças de teatro A Guerra Santa e A Estátua, sátiras que criticavam a ditadura e a guerra colonial.

      Em 1971, com Artur Ramos, adaptou ao teatro o romance de Eça de Queirós A Relíquia, representada no Teatro Maria Matos. Escreveu o romance inédito Agarra o Verão, Guida, Agarra o Verão, adaptada como novela televisiva em 1982 com o título Chuva na Areia.


A sua época

Estado Novo

Estado Novo é o nome do regime político autoritário e corporativista de Estado que vigorou em Portugal durante 41 anos sem interrupção, desde 1933, com a aprovação de uma nova Constituição, até 1974, quando foi derrubado pela Revolução do 25 de Abril. Ao Estado Novo alguns historiadores também chamam "II República", embora tal designação jamais tenha sido assumida pelo próprio regime.

Salazar

António de Oliveira Salazar (Vimieiro, Santa Comba Dão, 28 de Abril de 1889 — Lisboa, 27 de Julho de 1970) foi um estadista, político português e professor catedrático da Universidade de Coimbra. Notabilizou-se pelo facto de ter exercido, de forma autoritária e em ditadura, o poder político em Portugal entre 1932 e 1968.

Instituidor do Estado Novo (1933-1974) e da sua organização política de suporte, a União Nacional, Salazar dirigiu os destinos de Portugal, como Presidente do Conselho de Ministros, entre 1932 e 1968. Os autoritarismos que surgiam na Europa foram amplamente experienciados por Salazar em duas frentes complementares: a Propaganda e a Repressão. Com a criação da Censura, da organização de tempos livres dos trabalhadores FNAT, da Mocidade Portuguesa, Masculina e Feminina, o Estado Novo garantia a doutrinação de largas massas da população portuguesa, enquanto que a PVDE (posteriormente PIDE a partir de 1945), em conjunto com a Legião Portuguesa, garantiam a repressão de todos os opositores ao regime autoritário.

Apoiando-se na doutrina social da Igreja Católica, Salazar orienta-se por um corporativismo de estado autoritário, com uma linha de acção económica nacionalista assente no ideal da autarcia. Esse seu nacionalismo económico levou-o a tomar medidas de proteccionismo e isolacionismo de natureza fiscal, tarifária, alfandegária, para Portugal e suas colónias, que tiveram grande impacte sobretudo até aos anos sessenta.

General Humberto Delgado

Humberto da Silva Delgado (Brogueira, Torres Novas, 15 de Maio de 1906 — Villanueva del Fresno, 13 de Fevereiro de 1965) foi um militar português da Força Aérea que corporizou o principal movimento de tentativa de derrube da ditadura salazarista através de eleições, tendo contudo sido derrotado nas urnas, num processo eleitoral fraudulento que deu a vitória ao candidato do regime ditatorial vigente, Américo Tomás.

Em 1959, na sequência da derrota eleitoral, vítima de represálias por parte do regime salazarista e alvo de ameaças por parte da polícia política, pede asilo político na Embaixada do Brasil, seguindo depois para o exílio neste país. Convencido de que o regime não poderia ser derrubado por meios pacíficos promove a realização de um golpe de estado militar, que vem a ser concretizado em 1962 e que visava tomar o quartel de Beja e outras posições estratégicas importantes de Portugal. O golpe, porém, fracassou. Pensando ir reunir-se com opositores ao regime do Estado Novo, Humberto Delgado dirigiu-se à fronteira espanhola em Villanueva del Fresno, em 13 de Fevereiro de 1965. Ao seu encontro vai um grupo de agentes da PIDE, liderados por Rosa Casaco, que o assassina bem como à sua secretária.


Paralelismo passado/ condições históricas dos anos 60: denúncia da violência
Felizmente Há Luar! tem como cenário o ambiente político dos inícios do século XIX: em 1817, uma conspiração, supostamente encabeçada por Gomes Freire de Andrade, que pretendia o regresso do Brasil do rei D. João VI e que se manifestava contrária à presença inglesa, foi descoberta e reprimida com muita severidade — os conspiradores, acusados de traição à pátria, foram condenados à morte.

Em Felizmente Há Luar!, escrita em 1961, percebe-se, facilmente, que a História serve de pretexto para uma reflexão sobre os anos 60, do século XX. Sttau Monteiro, também ele perseguido pela PIDE, denuncia assim a situação portuguesa durante o regime de Salazar, interpretando as condições históricas que mais tarde contribuíram para a Revolução dos Cravos, em 25 de Abril de 1974.

Tal como a conspiração de 1817, cujo desmembramento por parte dos opressores não evitou o triunfo do Liberalismo, também a resistência ao regime salazarista vigente nos anos 60 que, não cedendo perante a censura e perseguições das quais era vítima, conduziu à Revolução de 25 de Abril de 1974. 

O recurso à distanciação histórica e à descrição das injustiças praticadas no século XIX em que decorre a acção permitiu-lhe, assim, colocar também em destaque as injustiças do seu tempo e a necessidade de lutar pela liberdade.

Século XIX – 1817
Século XX – anos 60
Agitação social que levou à Revolta de 1820
Agitação social: conspirações internas; principal erupção da guerra colonial
Regime absolutista e tirano
Regime ditatorial salazarista
Classes hierarquizadas, dominantes, com medo de perder privilégios
Classes exploradas; desigualdade entre abastados e pobres
Povo oprimido e resignado
Povo reprimido e explorado
Miséria, medo, ignorância, obscurantismo
Miséria, medo, analfabetismo, obscurantismo mas crença nas mudanças
Luta contra a opressão do regime
Luta contra o regime totalitário e ditatorial
Perseguições do exército de Beresford
Perseguições da PIDE
Denúncias dos traidores/ delatores
Denúncias dos delatores
Censura à imprensa
Censura total
Repressão dos conspiradores; execução sumaria e pena de morte
Prisão; duras medidas de repressão e tortura; condenação sem provas
Execução do general Gomes Freire de Andrade
Execução de Humberto Delgado
Revolução de 1820
Revolução de 25 de Abril de 1974
        




















 Fim da 1ª parte
 Publicado por José Fernandes Rodriguez

quinta-feira, 4 de março de 2010

A Obra de Luís de Camões...


Contudo, através da sua obra, uma outra faceta ressalta da sua vida. Camões terá sido de facto um homem determinado, humanista, pensador, viajado, aventureiro, experiente, que se deslumbrou com a descoberta de novos mundos e de "Outro ser civilizacional".
Considerado o poeta da nacionalidade, o interesse pela sua obra aumenta através da epopeia moderna Os Lusíadas, depois da perda da independência, intensificando o sentimento de identidade nacional.
Cultivou também o teatro, mas afirma-se sobretudo na poesia lírica (Rimas), com grande variedade de géneros nomeadamente sonetos, canções, éclogas e redondilhas.

1572- Os Lusíadas
1587 - El-Rei Seleuco
1587 - Auto de Filodemo
1587 - Anfitriões
1595 - Amor é fogo que arde sem se ver
1595 - Eu cantarei o amor tão docemente
1595 - Verdes são os campos
1595 - Que me quereis, perpétuas saudades?
1595 - Sobolos rios que vão
1595 - Transforma-se o amador na cousa amada
1595 - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
1595 - Quem diz que Amor é falso ou enganoso
1595 - Sete anos de pastor Jacob servia
1595 - Alma minha gentil, que te partiste



Os Lusíadas e a obra lírica

Os Lusíadas, é a epopeia portuguesa por excelência e foram publicados em 1572 no Classicismo, três anos após o regresso do autor do Oriente. Compõem-se de dez cantos, 1102 estrofes (8 versos cada) que são oitavas decassílabas, sujeitas ao esquema rímico fixo ABABABCC - oitava
rima camoniana.

O herói da epopeia é colectivo, como o título indica, o Lusíada, ou o filho de Luso, isto é, os Portugueses. Se olharmos às estrofes iniciais do discurso de Júpiter no Consílio dos Deuses olímpicos, que abre a parte narrativa, facilmente captamos a orientação laudatória do autor: Desde Viriato e Sertório, a gente de Luso é um povo predestinado pelos Fados para grandes empreendimentos. O desenrolar da sua história atesta-o, pois, além de ser marcada pelas sucessivas e vitoriosas lutas contra Mouros e Castelhanos, mostra-nos como uma nação tão pequena descobre novos mundos ao Mundo e impõe a sua lei no concerto das nações. No final do poema, constatamos ainda que se confirma, na Ilha dos Amores, verdadeiro fecho pela ficção da gloriosa caminhada portuguesa através dos tempos, o receio uma vez expresso por Baco de que Os Portugueses viessem a tornar-se Deuses. Os feitos gigantescos dos Descobrimentos portugueses e o «novo reino que tanto sublimaram» no Oriente, e certamente as recentes e tão extraordinárias façanhas do «Castro forte» (o vice-rei D. João de Castro), falecido poucos anos antes do poeta aportar a terras indianas, foram sem dúvida estímulos determinantes para que ele se lançasse à tarefa ingente, e desde há muito ambicionada, de redigir a epopeia portuguesa. Camões dedicou sua obra-prima ao rei D. Sebastião, rei de Portugal.

O poema pode ser lido numa perspectiva que já era antiga, mas a que factos recentes haviam dado acrescida actualidade, a da cruzada contra o Mouro. As lutas no Oriente seriam a continuação das que já se haviam travado em Portugal e no Norte de África, dominando ou abatendo o poder do Islão. Efectivamente, em 1571, a desmesurada arrogância do Sultão turco, que ameaçava a Europa, tinha sido abatida em Lepanto. E comandara as forças cristãs D. João de Áustria, filho bastardo de Carlos V, o avô de D. Sebastião. Foi possivelmente neste contexto de exaltação que o poeta incitou o jovem rei português a partir em conquista para a África, com os desastrosos efeitos que daí se seguiram.

Os Lusíadas é considerada a principal epopeia da época moderna devido à sua grandeza e universalidade. As realizações de Portugal desde o Infante D. Henrique até à união dinástica com Espanha em 1580 são um marco na História, marcando a transição da Idade Média para a Época Moderna. A epopeia narra a história de Vasco da Gama e dos heróis portugueses qu
e navegaram em torno do Cabo da Boa Esperança e abriram uma nova rota para a Índia. É uma epopeia humanista, mesmo nas suas contradições, na associação da mitologia pagã à visão cristã, nos sentimentos opostos sobre a guerra e o império, no gosto do repouso e no desejo de aventura, na apreciação do prazer e nas exigências de uma visão heróica.

A obra lírica de Camões foi publicada como Rimas", não havendo acordo entre os diferentes editores quanto ao número de sonetos escritos pelo poeta e quanto à autoria de algumas das peças líricas. Alguns dos seus sonetos, como o conhecido Amor é fogo que arde sem se ver, pela ousada utilização dos paradoxos, prenunciam o Barroco.


O estilo

É fácil reconhecer na obra poética de Camões dois estilos não só diferentes, mas talvez até opostos: um, o estilo das redondilhas e de alguns sonetos, na tradição do Cancioneiro Geral; outro, o estilo de inspiração latina ou italiana de muitos outros sonetos e das composições (h)endecassílabas maiores. Chamaremos aqui ao primeiro o estilo engenhoso, ao segundo o estilo clássico.

O estilo engenhoso, tal como já aparece no Cancioneiro Geral, manifesta-se sobretudo nas composições constituídas por mote e voltas. O poeta tinha que desenvolver um mote dado, e era na interpretação das palavras desse mote que revelava a sua subtileza e imaginação, exactamente como os pregadores medievais o faziam ao desenvolver a frase bíblica que servia de tema ao sermão. No desenvolvimento do mote havia uma preocupação de pseudo-rigor verbal, de exactidão vocabular, de modo que os engenhosos paradoxos e os entendimentos fantasistas das palavras parecessem sair de uma espécie de operação lógica.

É o grande poeta do maneirismo português, pela filiação na tradição clássica à maneira renascentista, sensível ao conhecimento pela experiência que a época e as viagens lhe permitem.

A sua obra é enriquecida por uma vivência sensível do sentimento e do saber, modulada na imitação dos antigos mas permeável às marcas contemporâneas de uma existência em mutação. Por isso ela se caracteriza por uma enorme complexidade, na qual sobressai a vivência aguda de tensões que comunicam ao seu lirismo uma agudeza simultaneamente experiencial e literária.

Busque Amor novas artes, novo engenho
para matar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar-me as esperanças,
que mal me tirará o que não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes, nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal que mata e não se vê.

Que dias há que na alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como e dói não sei porquê.

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Aquela triste e leda madrugada,
cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade
quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada
saía, dando ao mundo claridade,
viu apartar-se d'uma outra vontade,
que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio,
que d'uns e d'outros olhos derivadas
s'acrescentaram em grande e largo rio.

Ela viu as palavras magoadas
que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso às almas condenadas.

Recolha e Organização: Prof.ª Verónica Carvalho

Biografia de Luís de Camões (1524-1580)




Luís de Camões
(c.1524 - 10 de Junho de 1580)


Nome conhecido de todos os falantes da língua portuguesa, Luís Vaz de Camões, provavelmente oriundo da pequena nobreza com raízes galegas, terá nascido em Lisboa por volta de 1524/1525, filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá e Macedo. Por via do pai, seria trineto do trovador galego Vasco Pires de Camões e por via da mãe aparentado com o navegador Vasco da Gama. Reclamado por muitas terras como o seu filho nativo, consta que, sob a protecção do seu tio paterno, D. Bento de Camões, frade de Santa Cruz e chanceler da Universidade de Coimbra, estudou Literatura e Filosofia nessa cidade. Trocou os estudos pelo ambiente da corte de D. João III, viveu em Lisboa, entre 1542 e 1545,conquistando fama de poeta e feitio altivo.

Do pouco que se conhece da sua vida, fica-se a saber que era repleta de infortúnios e aventuras. Foi desterrado várias vezes, sendo uma, como soldado, para Ceuta, em 1549 onde perdeu o olho direito em combate. Entre 1547 e 1550 foi obrigado a desterrar-se em Constância, por ofensas a uma dama da corte.
Regressou a Lisboa em 1551 retomando a vida boémia. São-lhe atribuídos vários amores, não só por damas da corte mas até pela própria irmã do Rei D. Manuel I.
No ano seguinte, na sequência de uma rixa em que feriu um funcionário da Cavalariça Real, foi preso e conduzido para a cadeia do Tronco.
O Oriente
Índia (Goa)


Nove meses depois obteve perdão do agredido e do rei: " é um mancebo e pobre e me vai este ano servir à Índia". Nesse mesmo ano desembarcou para a Índia, deixando para trás Lisboa, que já se desencantou.

Contudo também ficou decepcionado com a Índia, e de Goa que considerou a cidade como uma "madrasta de todos os homens honestos", fez a seguinte descrição:

Cá nesta Babilónia, donde mana
Matéria a quanto mal o mundo cria;
Cá donde o puro Amor não tem valia,
Que a Mãe, que manda mais, tudo profana;
Cá, onde o mal se afina e o bem se dana,
E pode mais que a honra a tirania;
Cá, onde a errada e cega Monarquia
Cuida que um nome vão a desengana;
Cá, neste labirinto, onde a nobreza,
Com esforço e saber pedindo vão
Às portas da cobiça e da vileza;
Cá neste escuro caos de confusão,
Cumprindo o curso estou da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!

De acordo com alguns estudiosos, terá começado ali a escrever Os Lusíadas ao mesmo tempo que estudava os costumes de cristãos e hindus, e a geografia e a história locais. Tomou parte em mais expedições militares. Numa das várias expedições militares em que participou, no Cabo Guardafui, em 1554, escreveu o que é considerado uma das mais belas canções:

Junto de um seco, fero e estéril monte,
inútil e despido, calvo, informe,
da natureza em tudo aborrecido;
onde nem ave voa, ou fera dorme,
nem rio claro corre, ou ferve fonte,
nem verde ramo faz doce ruído;
cujo nome, do vulgo introduzido
é felix, por antífrase, infelice;
o qual a Natureza
situou junto à parte
onde um braço de mar alto reparte
Abássia, da arábica aspereza,
onde fundada já foi Berenice,
ficando a parte donde
o sol que nele ferve se lhe esconde;
nele aparece o Cabo com que a costa
africana, que vem do Austro correndo,
limite faz, Arómata chamado (…)
Macau
Em Macau, no ano de 1556, exerceu o cargo de "provedor-mor dos defuntos nas partes da China", e diz a tradição que escreveu, na gruta hoje reconhecida pelo seu nome, mais seis Cantos do famoso poema épico.
Índia, ...

Na viagem de regresso a Goa, antes de Agosto de 1560, naufragou na foz do Rio Mekong, e ao que parece, conseguiu salvar o manuscrito de Os Lusíadas, facto descrito no Canto X, 128. No desastre teria morrido a sua companheira chinesa Dinamene, celebrada em série de sonetos. É possível que datem igualmente dessa época ou tenham nascido dessa dolorosa experiência as redondilhas "Sôbolos rios".

De regresso ao reino, em 1568 fez escala na ilha de Moçambique, onde, passados dois anos, Diogo do Couto o encontrou, como relata na sua obra, acrescentando que o poeta estava "tão pobre que vivia de ami- gos". Trabalhava então na revisão de Os Lusíadas e na composição de "um Parnaso de Luís de Camões, com poesia, filosofia e outras ciências", obra roubada. Diogo do Couto pagou-lhe o resto da viagem até Lisboa, onde Camões aportou em Abril de 1570, na nau Santa Clara : "Em Cascais, as naus fundeadas esperavam que Diogo do Couto voltasse de Almeirim, onde fora solicitar de el-rei a sua entrada no Tejo, porque Lisboa estava fechada com a peste. Logo que a ordem veio, a Santa Clara"" entrou a barra."
Regresso a Lisboa

Cerca de dezasseis anos após ter se desterrado, Luís de Camões, em 1569/1570, regressou a Lisboa na nau Santa Clara. Pelo facto de se encontrar na miséria, teve que ser os seus amigos a pagar as suas dívidas e comprar-lhe o passaporte. Só três anos mais tarde conseguiu obter a publicação da primeira edição de Os Lusíadas, que lhe valeu de D. Sebastião, a quem era dedicado, uma tença anual de 15 000 réis pelo prazo de três anos e renovado pela última vez em 1582 a favor de sua mãe, que lhe sobreviveu.

Ao que consta, Camões viveu os seus últimos anos perseguido pela doença e pela miséria. Diz-se que foi graças à dedicação de um escravo Jau, trazido da Índia, que não morreu de fome; este ia de noite, sem o poeta saber, mendigar de porta em porta o pão do dia seguinte.

Em 1580, em Lisboa, assistiu à partida do exército português para o norte de África. Faleceu, vítima da peste, a 10 de Junho desse ano, numa casa de Santana, em Lisboa, e o seu enterro, numa das igrejas das proximidades, foi feito a cargo de uma instituição de beneficência, a Companhia dos Cortesãos.

Na campa rasa estava inscrito este epitáfio significativo: "Aqui jaz Luís de Camões, príncipe dos poetas do seu tempo. Viveu pobre e miseravelmente, e assim morreu." Os seus restos encontram-se actualmente no Mosteiro dos Jerónimos.

No dia da sua morte comemora-se o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

Recolha e Organização: Prof.ª Verónica Carvalho


FONTES:

http://cvc.instituto-camoes.pt/literatura/camoes.htm (Literatura Portuguesa - Camões)
http://cvc.instituto-camoes.pt/conhecer/biblioteca-digital-camoes/doc_details.html?aut=182 (Os Lusíadas em PDF, Leitura, Prefácio e Notas de Álvaro Júlio da Costa Pimpão. Apresentação de Aníbal Pinto de Castro. Biblioteca Digital Camões, Instituto Camões, 4.ª Edição 2000
http://fredbar.sites.uol.com.br/camo1.html (Estudo de ‘Os Lusíadas’)
http://purl.pt/1/2/ - Biblioteca Nacional Digital - Os Lusíadas , - Edição de 1572, conhecida por edição "Ee".


sábado, 16 de janeiro de 2010

Dia 22 de Janeiro de 2010


Os momentos de Poesia ...
Continuam!!!

No dia 22 de Janeiro, esta iniciativa da BE, tem mais um "momento", que esperamos agradável e interessante.

A ESSS TV preparou um vídeo de apresentação e divulgação. Vejam e apreciem no YouTube!!

(Clique em...) "Momentos de Poesia"


Não se esqueçam! Dia 22 de Janeiro voltamos a encontrar-nos!

A Biblioteca Escolar

Agradecimento: o nosso "Muito Obrigado" aos alunos que participaram na concepção e execução desta reportagem realizada pela inovadora e promissora ESSS TV!!!

A concorrência que se cuide!!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Biografia de Flor Bela Espanca...

Florbela Espanca

Natural de Vila Viçosa a 8 de Dezembro de 1894, filha de João Maria Espanca e sua empregada Antónia da Conceição Lobo foi baptizada com o nome de Flor Bela de Alma da Conceição Espanca uma das figuras com maior relevo da poesia portuguesa do século XX.
João Maria Espanca e a sua mulher, Maria Espanca criaram Florbela Espanca após o falecimento de Antónia da Conceição Lobo em 1908. Embora tivesse sempre acompanhado a vida da filha, João Maria Espanca apenas a perfilhou 19 anos após a sua morte, por altura da inauguração do seu busto, em Évora, e por insistência de um grupo de admiradores seus.

Em 1903 Florbela Espanca escreveu o primeiro poema de que temos conhecimento, A Vida e a Morte.

Estudou no liceu de Évora, mas só depois do seu casamento com Alberto Moutinho (no dia de seu aniversário em 1913) concluiu os estudos secundários na secção de Letras em 1917.
Em Outubro desse mesmo ano matriculou-se no curso de Direito sendo a primeira mulher a frequentar este curso na Universidade de Lisboa.
Na capital, contactou com outros poetas da época e com o grupo de mulheres escritoras que então procurava impor-se.
Em 1919, quando frequentava o terceiro ano de Direito, sofreu um aborto involuntário. Publicou, então, a sua primeira obra poética, Livro de Mágoas. É nessa época que Florbela começou a apresentar sintomas mais sérios de desequilíbrio mental.
Em 1921 divorciou-se de Alberto Moutinho, de quem vivia separada havia alguns anos, passando a encarar o preconceito social decorrente. No ano seguinte casou-se pela segunda vez, no Porto, com o oficial de artilharia António Guimarães.
Em 1923, publicou o Livro de Sóror Saudade. Florbela sofreu novo aborto, e seu marido pediu o divórcio. Em 1925 casou-se pela terceira vez, com o médico Mário Laje, em Matosinhos.
Os casamentos falhados, assim como as desilusões amorosas, em geral, e a morte do irmão, Apeles Espanca (a quem Florbela estava ligada por fortes laços afectivos), num acidente com o avião que tripulava sobre o rio Tejo, em 1927, marcaram profundamente a sua vida e obra.
Tentou o suicídio em Outubro e Novembro de 1930, às vésperas da publicação de sua obra-prima, Charneca em Flor. Em dois de Dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Após o diagnóstico de um edema pulmonar, suicida-se no dia do seu 36º aniversário, 8 de Dezembro de 1930, utilizando uma dose elevada de Veronal.
Algumas décadas depois seus restos mortais foram transportados para Vila Viçosa, “… a terra alentejana a que entranhadamente quero”.

8 de Dezembro 8 de Dezembro 8 de Dezembro 8 de Dezembro 8 de Dezembro 8 de Dezembro 8 de Dezembro 8 de Dezembro 8 de Dezembro 8 de Dezembro 8 de Dezembro 8 de Dezembro de Dezembro 8 de Dezembro 8 de Dezembro 8 de Dezembro 8 de Dezembro 8 de Dezembro 8 de Dezembro8 de Dezembro 8 de Dezembro

Curiosamente, Florbela Espanca nasceu a 8 de Dezembro (1894), casou a 8 de Dezembro (1913), suicidou-se a 8 de Dezembro (1930), foi baptizada na Igreja de Nª Sª da Conceição, aos 8 anos adoptou o nome "da Conceição", e leccionou no Colégio de Nª Sª da Conceição, em Évora. O dia 8 de Dezembro era ainda o dia da Mãe, da mãe que Florbela não conheceu bem e que não foi a sua educadora "não me recordo nem da cor dos seus cabelos..."

Recolha e Organização: Prof.ª Verónica Carvalho

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009