Blog ou Blogue, na grafia portuguesa, é uma abreviatura de Weblog. Estes sítiospermitem a publicação e a constante atualização de artigos ou "posts", que são, em geral, organizados através de etiquetas (temas) e de forma cronológica inversa.
A possibilidade de os leitores e autores deixarem comentários, de forma sequencial e interativa, corresponde à natureza essencial dos bloguese por isso, o elemento central do presente projeto da Biblioteca Escolar (BE).
O BlogBESSSé um espaço virtual de informação e de partilha de leituras e ideias. Aberto à comunidade educativa da ESSS e a todos os que pretendam contribuir para a concretização dos objetivos da BE:
1. Promover a leitura e as literacias;
2. Apoiar o desenvolvimento curricular;
3. Valorizar a BE como elemento integrante do Projeto Educativo;
4. Abrir a BE à comunidade local.
De acordo com a sua natureza e integrando os referidos objetivos, o BlogBESSScorresponde a uma proposta de aprendizagem colaborativa e de construção coletiva do Conhecimento, incentivando ao mesmo tempo a utilização/fruição dos recursos existentes na BE.
Colabore nos Projetos "Autor do Mês..." (Para saber como colaborar deverá ler a mensagem de 20 de fevereiro de 2009) e "Leituras Soltas..." (Leia a mensagem de 10 de abril de 2009).
Não se esqueça, ainda, de ler as regras de utilização do BlogBESSS e as indicações de "Como Comentar.." nas mensagens de 10 de fevereiro de 2009.
A Biblioteca Escolar da ESSS
PS - Uma leitura interessante sobre a convergência entre as Bibliotecas e os Blogues é o texto de Moreno Albuquerque de Barros - Blogs e Bibliotecários.
Este Acto começa com uma cena colectiva. Do grupo do povo são destacados Manuel, Rita, dois populares, uma velha e Vicente. A troca de ideias (conversa ) entre estas personagens cai sobre a miséria em que vivem e o sentimento de impotência, Manuel chega a questionar-se “Que posso eu fazer?”. A sensação auditiva produzida pelos tambores, que se escuta a uma grande distância, gera com que os populares deêm início a um murmurar sobre Gomes Freire de Andrade− “Um amigo do povo! Um homem às direitas!” . Todos prestam culto a Gomes Freire, fora Vicente, que arruína a imagem do General como indíciduo que não tem defeitos, falhas ou erros. A sua fala oratória é cheia de sarcasmo, fazendo um esforço para se aparentar aos que escutam que o General de modo nenhum é desigual aos outros poderosos, uma vez que “O que há é homens e generais”.
Naquele meio tempo, o povo espalha-se com a vinda de dois policias que vêm colher informações e que se aproximam de Vicente. O diálogo entre três personagens mostra-nos, progressivamente, que Vicente encaminha a sua vida em função do dinheiro e do poder − “Só acredito em duas coisas: no dinheiro e na força”. Por isso, não tem pruridos em afirmar que vende os seus “irmãos” porque eles lhe fazem trazer à memória a fome e a miséria em que veio ao mundo− “... sempre que olho para eles me vejo a mim próprio: sujo, condenado à miséria por acidente de nascimento”. Este “acidente” determina revolta pela sua condição.−“ A única coisa que me distingue dum fidalgo é uma coisa que se passou há muitos anos e de nem sequer tive a culpa: o meu nascimento”. Comesta sinceridade, os dois polícias divulgam a Vicente que o governador do reino, D.Miguel Pereira Forjaz, lhe quer exprimir por palavras, possivelmente, a atribuição de “uma missão especial”. Vicente já se idealiza como chefe de polícia e, face ao comentário do primeiro polícia de que, tendo sido “os portadores da boa nova”, poderiam ser recompensados, lembra a arrogância dos poderosos, mesmo quando a sua fonte é modesta.
Vicente é levado à presença de D. Miguel e do Principal Sousa pelos polícias. Ao ser interrogado por D. Miguel acerca da eventual existência de um agitador político junto do povo, supõe, dando alguns esclarecimentos dispersos. D.Miguel acaba de lhe entregar um encargo: estar de sentinela pela casa do seu primo, o general Gomes Freire de Andrade, para os lados do Rato.
D.Miguel acaba de lhe entregaruma missão: estar de sentinela pela casa do seu primo, o General Gomes Freire de Andrade, para os lados do Rato. Vicente sai e os “três reis do Rossio”, D.Miguel, o principal Sousa e o Marechal Beresford, militar inglês, dialogam sobre o estado da nação, o perido das novas ideias subversivas que destruirão o país e o “reino de Deus”. Chegam, então, à conclusão de que é necessário encontrar um nome, açguém que possa ser acusar de ser o responsável pelo clima de insurreição que alastra pelo país. Andrade Corvo e Morais Sarmento, antigos companheiros do General e actuais delatores, apresentam-se diante dos governadores, dando-lhes conta dos resultados das suas investigações, em troca de “algo mais substancial”.
Novamente sós, os três governadores dialogam sobre o castigo a aplicar a quem ousa ser inimigo do reino, tomando forma a ironia de Beresford que, sem inibições, desprestigia aos Portugueses e assume despudoradamente a sua sobranceria e o seu interesse meramente económico− “Pretendo uma única coisa de vós: que me pagueis- e bem!”. De modo pragmático Beresford afirma que troca os seus serviços (a reorganização do exército) por dinheiro. O principal Sousa reconhece que a atitude do marechal lhe desagrada, mas que precisa dele para encontrar “o chefe da conjura”.
Andrade Corvo, Morais Sarmento e Vicente entram rotativamente em cena, dando conta das suas diligências, inicialmente pouco consistentes, mas acabam por se concretizar na indicação de um nome, o do General Gomes Freire de Andrade. Está encontrada a vitíma e só resta a “Morte ao traidor Gomes Freire d’Andrade”.
Acto II
À semelhançaça do primeiro, o acto II, começa com uma cena colectiva. Manuel dá a conhecer o seu sentimento de impotência face à prisão do General e reconhece que a situação de miséria em que vivem é ainda mais desesperante− “E ficamos pior do que estávamos... Se tínhamos fome e esperança, ficámos só com fome...”. Os outros populares acompanham-no no seu desalento, até uma nova intervenção policial, que dispersa o grupo.
A mulher de Manuel, Rita , demonstra a sua compaixão relativamente a Matilde (mulher do general), pois tinha a ouvido chorar após a morte do seu homem, e implora a Manuel para nao se meter “nestas coisas”.
Matilde surge, proferindo um discurso solitário, em que relembra os momentos de intimidade vividos com o seu General e ironiza dizendo que, se o seu filho ainda fosse vivo, lhe ensinaria a ser cobarde e “a cuidar mais do fato que da consciência e da bolsa do que da alma”.
Sousa Falcão, “amigo inseparável de Matilde e de Gomes Freire”, surge diante de Matilde, confessando o seu desânimo e desencanto face ao país em que vive− “O Deus deste reino é um fidalgo respeitável que trata como amigo a Pôncio Pilatos (...) Vive num solar brasonado e dá esmolas, ao domingo, por amor de Deus”. Sousa Falcão despede-se de Matilde e parte em busca de notícias do amigo, deixando Matilde, dolorosamente triste, mas com vontade de enfrentar o poder.− “Vou enfrentá-los. É o que ele (o general) faria se aqui estivesse”.
Diante de Beresford, que aproveita a situação para humilhar a mulher do General, Matilde implora a sua libertação− “Quero o meu homem! Quero o meu homem, aqui ao meu lado!”, sem qualquer fruto.
Matilde, fora de si, aproxima-se dos populares, que, indiferentes à sua presença, evocam Vicente, agora feito chefe da polícia. No entanto Manuel e Rita, após momentos de recriminação a Matilde, de que a oferta de uma moeda como esmola é símbolo, manifestam-lhe a sua solidariedade moral− “Não a podemos ajudar, senhora. Deus não nos deu nozes e os homens tiraram-nos os dentes...”.
Sousa Falcão reencontra-se com Matilde e revela-lhe que ninguém pode ver o General, já encarcerado numa masmorra sombria em S. Julião da Barra, sem direito a julgamento. Matilde, inconformada, recorda, então, a saia verde que o General um dia lhe oferecera em Paris e, como que recuperada do seu desgosto, decide enfrentar uma vez mais o poder. O seu objectivo é exigir um julgamento e, para isso, dirige-se ao principal Sousa, desmontando a mensagem evangélica, para lhe mostrar quanto o seu comportamento é contrário aos ensinamentos de Cristo− “Como governador, já perdoou a Cristo a que Ele foi e o que Ele ensinou?”. Frei Diogo, frade jerónimo, interrompe o diálogo dos dois, anunciano que estivera com o General Gomes Freire para o confessar e tenta acalmar o desespero e a revolta de Matilde− “Haja o que houver, não julgue a Deus pelos homens que falam em Seu nome. (...) Não faça a Deus o que os homens fizeram ao general Gomes Freire: não O julgue sem O ouvir.” De forma arrogante, Matilde dirige as últimas palavras ao principal Sousa, amaldiçoando-o. Sousa Falcão anuncia que a execução do General e dos restantes prisioneiros está próxima. Matilde, em desespero, pede, uma vez mais, pela vida do General e D.Miguel Forjazinforma que a execução se prolongará pela noite, “mas felizmente há luar...“. Matilde inicia, então, um discurso de grande intensidade dramática: dirige-se a Deus, interpelando-O e lembrando-Lhe os seus ensinamentos− “Senhor: não pretendo ensinar-Te a ser Deus, mas, quando chegar a hora da sentença, não Te esqueças de que estes sabiam o que faziam!”. Os populares comentam a execução do General: recusaram-lhe o fuzilamento e vai ser queimado.
O acto termina com Sousa Falcão e Matilde em palco: o amigo do general elogia-o; Matilde despede-se do homem que amou− “Dá-me um beijo− o último na Terra− e vai! Saberei que lá chegaste quando ouvir os tambores!” , e lança palavras de coragem e ânimo ao povo− “Olhem bem! Limpem os olhos no clarão daquela fogueira(...) felizmente há luar!”
A simbologia/ intencionalidade da obra
Título (Felizmente Há Luar!) / Luar
A frase “Felizmente há luar” é proferida por duas personagens de "mundos" diferentes:
•D. Miguel, símbolo do Poder
•Matilde, símbolo da resistência
Assim, o luar é interpretado de duas maneiras diferentes:
• Para D. Miguel, o luar permitirá que o clarão da fogueira atemorize todos aqueles que queiram lutar pela liberdade — efeito dissuasor. [Lisboa há-de cheirar toda a noite a carne assada, Excelência, e o cheiro há-de-lhes ficar na memória durante muitos anos… Sempre que pensarem em discutir as nossas ordens, lembrar-se-ão do cheiro (…)] - Acto II, pág. 131
• Para Matilde, o luar destaca a intensidade do fogo incitando aqueles que acreditam na mudança e na “luz da liberdade” (prenúncio da Revolução Liberal) —estimulando o povo a revoltar-se. [(Para o povo) Olhem bem! Limpem os olhos no clarão daquela fogueira e abram as almas ao que ela nos ensina! Até a noite foi feita para que a vísseis até ao fim (…)] - Acto II, pág. 140
Saia Verde
Associada à felicidade (em vida), foi comprada em Paris (terra de liberdade), no Inverno, com o dinheiro da venda de duas medalhas.
A cor verdeestá relacionada com a esperança de que um dia se reponha a justiça, com a tranquilidade e com a felicidade do reencontro, embora numa outra dimensão, ou num futuro diferente (na morte).
Assim, vencendo aparentemente a dor e revolta iniciais, Matilde comunica esperança aos outros, através desta peça de vestuário.
Luz/ Noite
A luz é a metáfora do conhecimento que permite o progresso da sociedade e a construção do futuro, assente na defesa dos valores da liberdade, da igualdade e da fraternidade, opostamente à noite, que representa escuridão, morte, repressão, obscurantismo, conspiração. Isto pode-se ver no acto II, pág. 116:
MATILDE
Obrigado, meu amigo. Obrigado por ma querer, mas não: nesta terra a esperança é uma palavra vã.
(Pausa)
Eu é que tenho de continuar como se a tivesse. Sou a mulher dele, António… e ele… é o meu homem.
Enquanto não nos matarem, aquele de nós que estiver livre tem de lutar.
SOUSA FALCÃO
Mas como, Matilde? Como é que se pode lutar contra a noite?
Lua
Representa dependência, periodicidade e renovação, por depender do Sol, por atravessar fases (ciclos lunares) e por mudar de forma. Simboliza também a passagem da vida para a morte e vice-versa, o que está relacionado com a crença na vida depois da morte. Isto pode-se ver no Acto II, págs. 137-139, onde Matilde fala com o espírito do General Gomes de Freire.
A fogueira – o clarão
Para D. Miguel Forjaz representa o ensinamento ao povo enquanto para Matilde representa a chama que se mantém viva e a liberdade que há-de chegar.
O fogo é um elemento destruidor e, simultaneamente purificador e regenerador. Se no presente a fogueira se relaciona com a tristeza e escuridão, no futuro relacionar-se-á com esperança e liberdade.
A moeda de cinco reis
A moeda aparece na obra em duas situações diferentes:
•Na primeira situação, Manuel diz a Rita que dê a moeda a Matilde e, logo a seguir, diz-lhe que não lha dê, mas Matilde acaba por ficar com a moeda a seu pedido, simbolizando a miséria, a pobreza do povo que mendiga pela sobrevivência, dignidade e pelo direito à vida e à liberdade. – Acto II, pág. 105-108.
•Na outra situação, no confronto entre o principal Sousa e Matilde, esta lança-lhe a moeda aos pés, traduzindo a traição, a corrupção e a submissão dos poderosos a interesses mesquinhos e materiais (contrariando os mandamentos de Deus). – Acto II, pág. 109-110.
Tambores
Símbolo da repressão militar e policial e a intimidante perseguição a que o povo era sujeito para não pôr em causa a autoridade dos governadores, «sempre presente e sempre pronta a intervir».
Grupos de Personagens
Os governadores do Reino
D. Miguel Pereira Forjaz – personalidade na História de Portugal
D. Miguel Pereira Forjaz (1769-1827) entrou para o exército, tendo chegado ao cargo de capitão--general. Apoiou Beresford na reorganização do exército português, embora assumindo posições cada vez mais críticas sobre a influência do general britânico. Abandonou o seu lugar na regência com a revolução de 1820, mas recebeu o título de Conde da Feira. É o representante da nobreza na regência, assumindo o papel mais relevante na acusação do General Gomes Freire. D. Miguel, ao acusar Gomes Freire, receia que este coloque o seu lugar na regência em causa, e que lhe tire a projecção a que está habituado.
D. Miguel Pereira Forjaz – a personagem na ficção
D. Miguel Pereira Forjaz é primo de Gomes Freire de Andrade. Vive assustado com as transformações que não deseja. Pois se essas transformações acontecerem, D. Miguel será afastado da regência. Para além de ser vingativo, servil, frio, desumano e prepotente, também está corrompido pelo poder. Nas palavras de Sousa Falcão, D. Miguel “é a personificação da mediocridade consciente e rancorosa”. Todo o seu discurso gira em torno de uma lógica oca e demagógica, construindo verdades falsas. Os argumentos do "ardor patriótico", da construção de "um Portugal próspero e feliz, com um povo simples, bom e confiante, que viva lavrando e defendendo a terra, com os olhos postos no Senhor", são o eco fiel do discurso político dos anos 60. É um pequeno tirano, avesso ao progresso e insensível à injustiça e à miséria. D. Miguel acaba por simbolizar a decadência do país que governa. Possui uma aversão pelo povo (“Não sou, e nunca serei, popular. Quem o for é meu inimigo pessoal.”).
Em relação às novas ideias liberais, D. Miguel afirma:
“Se não tomarmos as necessárias precauções, dentro em breve teremos a desordem nas ruas e a anarquia nas almas! (…) Não concebo a vida, Excelências, desde que o taberneiro da esquina possa discutir a opinião d’el-rei, nem me seria possível viver desde que a minha opinião valesse tanto como a de um arruaceiro.”
Principal Sousa - personalidade na História de Portugal
Principal Sousa fez parte da Regência do Reino até à Revolução Liberal de 1820, durante a ausência do Rei D. João VI. É o representante do clero na regência, acaba por reconhecer que Portugal precisava do regresso do rei, como o demonstra numa carta de 1817.
Principal Sousa – personagem na ficção
Principal Sousa é o representante do clero no Governo. É uma personagem corrompida pelo poder eclesiástico e fanática. Defende o obscurantismo do povo para que os tiranos governem livremente, afirmando mesmo que “Por essas aldeias fora é cada vez menor o número dos que frequentam as igrejas e cada vez maior o número dos que só pensam em aprender a ler …”. Odeia os franceses porque “transformaram esta terra de gente pobre mas feliz num antro de revoltados!”. Nas palavras do Principal Sousa é igualmente possível detectar os fundamentos da política do "orgulhosamente sós" dos anos 60.
Em relação às novas ideias liberais, Principal Sousa admite:
“Senhor Governador, tenho medo. Há dois dias que quase não durmo e mesmo, quando passo pelo sono, perseguem-me imagens terríveis: imagino-me réu perante um tribunal que me não respeita. Dedos imundos tocam-me nas vestes. (…) à minha volta os gritos do povo me não deixavam, sequer, ouvir a sentença…”
NOTA: D. Miguel e o Principal Sousa são talvez as duas personagens mais execráveis de todo o texto pela falsidade e hipocrisia que veiculam.
Marechal Beresford - personalidade na História de Portugal
General William Beresford (1768-1854) foi enviado pela Grã-Bretanha para, após a primeira invasão francesa, reorganizar o exército português, preparando-o para resistir às tropas napoleónicas. Na Madeira, para evitar a ocupação da ilha pelos franceses, foi governador e comandante-chefe. Submeteu o país a uma forte organização militar, tendo sido nomeado generalíssimo do exército português. À medida que os seus poderes aumentavam, colocava os oficiais britânicos nos mais altos postos, preterindo os portugueses. Rejeitava as novas ideias liberais e reprimia conspirações. Em 1817, mandou matar os conspiradores (entre eles o general Gomes Freire de Andrade), pois havia rumores de uma conspiração contra a presença inglesa. Três anos depois, deslocou-se ao Brasil para pedir mais poderes a D. João VI. Ao regressar, como marechal-general do exército português, já a Revolução Liberal (24 de Agosto de 1820) estava nas ruas. Foi obrigado a regressar directamente para Inglaterra.
Marechal Beresford – personagem na ficção
Beresford odeia Gomes Freire de Andrade, não porque o afronte enquanto oficial, mas porque o incomoda enquanto herói do povo. Ao assumir o processo de Gomes Freire está motivado apenas por interesses individuais, tais como a manutenção do seu posto e da sua tença anual. É poderoso, interesseiro, calculista, trocista, sarcástico e autoritário. Acaba por desprezar o país onde vive. A sua opinião sobre Portugal fica claramente expressa na afirmação “Neste país de intrigas e de traições, só se entendem uns com os outros para destruir um inimigo comum e eu posso transformar-me nesse inimigo comum, se não tiver cuidado.”. Ainda consegue ser minimamente honesto, pois tem a coragem de dizer o que realmente quer, ao contrário dos dois outros governadores (portugueses). Apesar disto é um bom militar.
Em relação às novas ideias liberais, Beresford afirma:
“O que interessa é saber qual é a melhor forma de sufocar a revolta que se prepara. (…) Os chefes?! Quem são os chefes? ; Já que temos ocasião de crucificar alguém, que escolhamos a quem valha a pena crucificar…”
Delatores/ Traidores
Andrade Corvo e Morais Sarmento, “dois denunciantes que honraram a classe” cuja existência histórica encontra-se comprovada.
São os delatores por excelência, aqueles a quem não repugna trair ou abdicar dos ideais, para servir obscuros “propósitos patrióticos”. Dando corpo à visão tentacular do aparelho repressivo do Estado, Morais Sarmento e Andrade Corvo são meros títeres na mão dos poderes.
O primeiro é Capitão do Exército e atormenta-se com o facto de o poderem rotular de traidor, o segundo é Oficial e preocupa-se somente com o dinheiro que vai receber, não se importando com o que dele vão dizer.
Ambos são membros da Maçonaria ( Morais Sarmento da loja Philantropia, e Andrade Corvo da loja Virtude), antigos companheiros de Gomes Freire, a quem denunciam a Conspiração a troco de uma quantia avultada.
Vicente, “um provocador em vias de promoção”.
Elemento do povo, Vicente trai os seus iguais, chegando mesmo a provocá-los, apenas lhe interessando a sua própria ascensão político-social. A sua actuação evidencia dois momentos distintos: num primeiro momento, tenta denegrir junto do povo o prestígio do general assumindo-se como um provocador e agitador; num segundo momento, assumindo o papel especifico de denunciar o General a D. Miguel a troco da nomeação como intendente da polícia.
Vicente é uma personagem incómoda, talvez porque leve o espectador a olhara para dentro de si e a rever-se em alguns comportamentos. Ele é indubitavelmente todo aquele que se vende ao poder de forma pouco escrupulosa.
Os mais conscientes
Manuel e Rita
Estas personagens são casadas e vivem na miséria.
São um símbolo do povo oprimido e esmagado, têm a consciência da injustiça em que vivem, sabem que são simples brinquedos nas mãos dos mais poderosos, mas sentem-se impotentes para alterar a situação.
Vêem em Gomes Freire uma espécie de messias e daí a agressividade de Manuel em relação a Matilde, quando ela lhes pede que se revoltem e que a ajudem a libertar o seu homem, depois da prisão do General. O povo deposita esperança em Gomes Freire e vê a sua prisão como uma espécie de traição. Porém, Rita, compreende o sofrimento de Matilde de Melo, talvez por ser mulher, revelando uma grande cumplicidade com esta.
Manuel é o elemento que polariza os restantes elementos do povo, dominados pela miséria, sem coragem e vontade de intervir.
Ambas as personagens sentem que a luta está perdida e que a situação é pior do que pensavam, e para demonstrar isto mesmo temos a afirmação de Manuel quando diz:”Se tínhamos fome e esperança, ficamos só com fome…Se durante uns tempos, acreditámos em nós próprios, voltamos a não acreditar em nada…”, enquando Rita aconselha para não se meter em confusões que é representada com a seguinte passagem: “Nunca te metas nestas coisas, Manuel! Haja o que houver, nunca te metas com eles. Prefiro ver-te com fome, a perder-te”.
Manuel e Rita acabam também por simbolizar a desesperança, a desilusão, a frustração de toda uma legião de miseráveis face à quase impossibilidade de mudança da situação opressiva em que vivem.
Brecht, poeta e dramaturgo alemão, foi um dos grandes reformadores do teatro do século XX, desenvolvendo uma forma de drama capaz de realizar um certo tipo de intervenção social, ideologicamente marcada por um posicionamento político assumidamente de esquerda.
Estudou Medicina e cumpriu o serviço militar num hospital, durante a I Guerra Mundial, período de que data a sua primeira peça. No pós-guerra, desenvolveu uma atitude de oposição aos valores e à sociedade burguesa.
Com a ascensão do nacional-socialismo em 1933, Brecht partiu para o exílio, primeiro na Dinamarca e depois nos Estados Unidos da América. Entretanto, na Alemanha era-lhe retirada a cidadania e os seus livros eram lançados à fogueira, no zelo persecutório que percorria as autoridades do país.
Entre 1937 e 1941 escreveu algumas das suas grandes peças, nomeadamente Mutter Courage und ihre Kinder (Mãe Coragem e Seus Filhos) , alguns dos melhores ensaios teóricos, diálogos e poemas. São também dignas de referência as peças Leben des Galilei (Vida de Galileu, 1943) e Der Kaukasische Kreidekreis (O Círculo de Giz Caucasiano, 1949).
O Teatro Épico
O teatro épico, cuja função pedagógica se distancia da catártica (teatro clássico), é um teatro de intervenção baseado numa nova leitura da História. É um teatro sobre a História (e não um teatro histórico), que, analisando as transformações sociais ocorridas ao longo da história, leva o espectador a pensar, a reflectir e não mais a sentir, como acontecia com o teatro aristotélico ou clássico.
O que é apresentado em palco deve ser visto pelo espectador com distanciamento, análise crítica e com rigor científico.
Esta prática teatral perspectiva o homem como ser transformado, mas também como transformador da história. O dramaturgo explora, então, a parábola histórica, levando o espectador/leitor a reflectir criticamente e, posteriormente, a agir. O passado é, por isso, importante para a compreensão do presente. O teatro assume-se, assim, como meio de consciencialização dos fenómenos político-sociais que rodeiam o espectador.
Teatro Clássico/ Teatro Épico
Teatro Clássico
Teatro Épico
Activo
Narrativo
Faz participar o espectador numa acção cénica
Torna o espectador numa testemunha
Consome-lhe a actividade
Desperta-lhe a actividade
Proporciona sentimentos ao espectador
Exige decisões ao espectador
Vivência
Mundividência
O espectador é imiscuído em qualquer coisa
É posto perante qualquer coisa
Sugestão
Argumento
As sensações são conservadas como tal
As sensações são elevadas ao nível do conhecimento
O espectador está no centro, comparticipa dos acontecimentos
O espectador está defronte, analisa
Parte-se do princípio de que o homem é algo já conhecido
O Homem é objecto de uma análise
O Homem é imutável
O Homem é susceptível de ser modificado e de modificar
Tensão em virtude do desenlace
Tensão em virtude do discurso da acção
Uma cena em função da outra
Cada cena em si e por si
Progressão
Construção articulada
Acontecer rectilíneo
Acontecer curvilíneo
Obrigatoriedade da evolução
Saltos
O Homem como algo fixo
O Homem como realidade em processo
O pensamento determina o ser
O ser social determina o pensamento
Sentimento
Razão
Bertold Brecht in Estudos sobre o Teatro
A obra Felizmente Há Luar! é uma obra evidentemente marcada pela influência brechtiana. A presença do elemento narrativo (o desenrolar dos acontecimentos históricos vai sendo contado através do discurso das personagens, na terceira pessoa, com objectividade); o corte com os elementos apelativos ao sentimento (o autor procura retirar os elos de ligação de empatia entre os actores e os espectadores, já que a mensagem deve ser captada pela razão), “O público tem de entender, logo de entrada, que tudo o que se vai passar no palco tem um significado preciso. […] Pretende-se criar, desde já, no público, a consciência de que ninguém, no decorrer desta peça, vai esboçar um gesto para o cativar ou para o acamaradar com ele” (p. 15); “Ao dizer isto, a personagem está quase de costas para os espectadores. Esta posição é deliberada[…]” (p. 16). A intenção de todas as informações paralelas ao texto é a de orientar o espectador na acção, fazê-lo participar, torná-lo um interveniente consciente e não iludido por uma representação. Todas estas características são marcas do teatro épico reactualizadas no próprio discurso da peça..
O carácter trágico na obra Felizmente Há Luar!
Não se pode considerar a peça Felizmente Há Luar! uma tragédia. Contudo podemos verificar que, em alguns aspectos, a peça sofre influências daquele género:
A unidade de acção: Tal como nas tragédias clássicas, a peça desenvolve-se em torno de uma única acção: prisão, julgamento e morte do General Gomes Freire de Andrade.
A nobreza das personagens: As personagens do anti-poder, em especial o General e Matilde, distinguem-se do comum dos mortais pela nobreza moral e elevação das suas atitudes e pela coragem com que defendem os seus ideais, em particular no confronto directo com o poder.
O desafio (Hybris), o conflito (Agón) e a catástrofe final (Katastrophé): Nas tragédias clássicas, o herói desafia a ordem instituída e, por isso, o conflito nasce da oposição entre a tradição despótica e a modernidade democrática.
O General Gomes Freire de Andrade questiona o poder instituído, lutando pela igualdade, pela justiça e pela liberdade, e, por isso, pagará com a vida a sua ousadia, será castigado com a morte, a catástrofe final.
O final de Felizmente Há Luar! constitui um momento de apoteose trágica, em que o herói é sacrificado para que os seus ideais perdurem, num grito de revolta, de esperança e de liberdad
O sacrifício do herói: O herói (General Gomes Freire de Andrade) defende os seus ideais até à morte, esperando que o seu sacrifício dê frutos no futuro.
O despojamento cénico: Embora Brecht defendesse que os espaços excessivamente decorados distraíam os espectadores (afastando os da reflexão crítica), o despojamento cénico, aliado à unidade de espaço, é igualmente uma característica das tragédias clássicas. Em Felizmente Há Luar!, toda a diegese dramática se desenrola no mesmo espaço, a rua, praticamente despido de adereços cénicos, facto que intensifica a tensão dramátic
Os sentimentos de terror e de piedade (Pathos) O público experimentará, face ao sacrifício do herói e ao desespero de Matilde e do povo, terror e piedade (ligados ao aspecto catártico do texto).
O carácter purificador/catártico do texto (Cathársis) As tragédias clássicas têm como um das suas principais funções a de expurgar o público de más intenções, purificando-o. As chamas da fogueira final deverão limpar a sociedade dos seus aspectos despóticos, abrindo caminho a um novo futuro de paz, igualdade e liberdade.
O coro nas tragédias clássicas, o coro é constituído por um conjunto de personagens que não intervêm directamente na acção e cuja função é comentar determinados acontecimentos à medida que a diegese se vai desenrolando. Em Felizmente Há Luar!, podemos reconhecer nas figuras dos populares uma função semelhante à do coro das tragédias clássicas.
A BE/CE da ESSS tem o prazer de apresentar este trabalho da turma L do 12º Ano, elaborado no âmbito da disciplina de Português (Prof. João Morais), pelos seguintes alunos: Ana Ginja,Ana Malato, Ângela Medeiros, Catarina Álvares, Eliana Lima, Rafael Antunes, Rita Varela e Vanessa.
Estrutura do Trabalho
O autor e a sua época (1ª Parte)
Luís de Sttau Monteiro
Estado Novo
António de Oliveira Salazar
General Humberto Delgado
Paralelismo passado/condições históricas dos anos 60
A peça de teatro: ruptura e tradição (2ª Parte)
Bertold Brecht
O Teatro Épico
O carácter trágico na obra Felizmente Há Luar!
Apresentação da obra – breve resumo (3ª Parte)
A simbologia e a intencionalidade da obra
Grupos de personagens
Os governadores do Reino
D. Miguel Pereira Forjaz
Principal Sousa
Marechal Beresford
Delatores/ traidores
Andrade Corvo (delator)
Morais Sarmento (delator)
Vicente (traidor)
Os mais conscientes
Manuel e Rita
O general Gomes Freire de Andrade e os seus amigos (4ª Parte)
General Gomes Freire de Andrade
Matilde de Melo
Sousa Falcão
Frei Diogo
O grupo anónimo (populares)
Outros conceitos
Conclusão do trabalho
Bibliografia
O autor e a sua época
Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro nasceu no dia 03/04/1926 em Lisboa e faleceu no dia 23/07/1993 na mesma cidade.
Partiu para Londres com dez anos de idade, acompanhando o pai que exercia as funções de embaixador de Portugal. Regressa a Portugal em 1943, no momento em que o pai é demitido do cargo por Salazar. Licenciou-se em Direito em Lisboa, exercendo a advocacia por pouco tempo. Parte novamente para Londres, tornando-se condutor de Fórmula 2. Regressa a Portugal e colabora em várias publicações, destacando-se a revista Almanaque e o suplemento A Mosca, do “Diário de Lisboa”, e cria a secção Guidinha no mesmo jornal.
Em 1961, publicou a peça de teatro Felizmente Há Luar, distinguida com o Grande Prémio de Teatro, tendo sido proibida pela censura a sua representação. Só viria a ser representada em 1978 no Teatro Nacional. Foram vendidos 160 mil exemplares da peça, resultando num êxito estrondoso. Foi preso em 1967 pela PIDE após a publicação das peças de teatro A Guerra Santa e A Estátua, sátiras que criticavam a ditadura e a guerra colonial.
Em 1971, com Artur Ramos, adaptou ao teatro o romance de Eça de Queirós A Relíquia, representada no Teatro Maria Matos. Escreveu o romance inédito Agarra o Verão, Guida, Agarra o Verão, adaptada como novela televisiva em 1982 com o título Chuva na Areia.
A sua época
Estado Novo
Estado Novo é o nome do regime político autoritário e corporativista de Estado que vigorou em Portugal durante 41 anos sem interrupção, desde 1933, com a aprovação de uma nova Constituição, até 1974, quando foi derrubado pela Revolução do 25 de Abril. Ao Estado Novo alguns historiadores também chamam "II República", embora tal designação jamais tenha sido assumida pelo próprio regime.
Salazar
António de Oliveira Salazar (Vimieiro, Santa Comba Dão, 28 de Abril de 1889 — Lisboa, 27 de Julho de 1970) foi um estadista, político português e professor catedrático da Universidade de Coimbra. Notabilizou-se pelo facto de ter exercido, de forma autoritária e em ditadura, o poder político em Portugal entre 1932 e 1968.
Instituidor do Estado Novo (1933-1974) e da sua organização política de suporte, a União Nacional, Salazar dirigiu os destinos de Portugal, como Presidente do Conselho de Ministros, entre 1932 e 1968. Os autoritarismos que surgiam na Europa foram amplamente experienciados por Salazar em duas frentes complementares: a Propaganda e a Repressão. Com a criação da Censura, da organização de tempos livres dos trabalhadores FNAT, da Mocidade Portuguesa, Masculina e Feminina, o Estado Novo garantia a doutrinação de largas massas da população portuguesa, enquanto que a PVDE (posteriormente PIDE a partir de 1945), em conjunto com a Legião Portuguesa, garantiam a repressão de todos os opositores ao regime autoritário.
Apoiando-se na doutrina social da Igreja Católica, Salazar orienta-se por um corporativismo de estado autoritário, com uma linha de acção económica nacionalista assente no ideal da autarcia. Esse seu nacionalismo económico levou-o a tomar medidas de proteccionismo e isolacionismo de natureza fiscal, tarifária, alfandegária, para Portugal e suas colónias, que tiveram grande impacte sobretudo até aos anos sessenta.
General Humberto Delgado
Humberto da Silva Delgado (Brogueira, Torres Novas, 15 de Maio de 1906 — Villanueva del Fresno, 13 de Fevereiro de 1965) foi um militar português da Força Aérea que corporizou o principal movimento de tentativa de derrube da ditadura salazarista através de eleições, tendo contudo sido derrotado nas urnas, num processo eleitoral fraudulentoque deu a vitória ao candidato do regime ditatorial vigente, Américo Tomás.
Em 1959, na sequência da derrota eleitoral, vítima de represálias por parte do regime salazarista e alvo de ameaças por parte da polícia política, pede asilo político na Embaixada do Brasil, seguindo depois para o exílio neste país. Convencido de que o regime não poderia ser derrubado por meios pacíficos promove a realização de um golpe de estado militar, que vem a ser concretizado em 1962 e que visava tomar o quartel de Beja e outras posições estratégicas importantes de Portugal. O golpe, porém, fracassou. Pensando ir reunir-se com opositores ao regime do Estado Novo, Humberto Delgado dirigiu-se à fronteira espanhola em Villanueva del Fresno, em 13 de Fevereiro de 1965. Ao seu encontro vai um grupo de agentes da PIDE, liderados por Rosa Casaco, que o assassina bem como à sua secretária.
Paralelismo passado/ condições históricas dos anos 60: denúncia da violência
Felizmente Há Luar! tem como cenário o ambiente político dos inícios do século XIX: em 1817, uma conspiração, supostamente encabeçada por Gomes Freire de Andrade, que pretendia o regresso do Brasil do rei D. João VI e que se manifestava contrária à presença inglesa, foi descoberta e reprimida com muita severidade — os conspiradores, acusados de traição à pátria, foram condenados à morte.
Em Felizmente Há Luar!, escrita em 1961, percebe-se, facilmente, que a História serve de pretexto para uma reflexão sobre os anos 60, do século XX. Sttau Monteiro, também ele perseguido pela PIDE, denuncia assim a situação portuguesa durante o regime de Salazar, interpretando as condições históricas que mais tarde contribuíram para a Revolução dos Cravos, em 25 de Abril de 1974.
Tal como a conspiração de 1817, cujo desmembramento por parte dos opressores não evitou o triunfo do Liberalismo, também a resistência ao regime salazarista vigente nos anos 60 que, não cedendo perante a censura e perseguições das quais era vítima, conduziu à Revolução de 25 de Abril de 1974.
O recurso à distanciação histórica e à descrição das injustiças praticadas no século XIX em que decorre a acção permitiu-lhe, assim, colocar também em destaque as injustiças do seu tempo e a necessidade de lutar pela liberdade.
Século XIX – 1817
Século XX – anos 60
Agitação social que levou à Revolta de 1820
Agitação social: conspirações internas; principal erupção da guerra colonial
Regime absolutista e tirano
Regime ditatorial salazarista
Classes hierarquizadas, dominantes, com medo de perder privilégios
Classes exploradas; desigualdade entre abastados e pobres
Povo oprimido e resignado
Povo reprimido e explorado
Miséria, medo, ignorância, obscurantismo
Miséria, medo, analfabetismo, obscurantismo mas crença nas mudanças
Luta contra a opressão do regime
Luta contra o regime totalitário e ditatorial
Perseguições do exército de Beresford
Perseguições da PIDE
Denúncias dos traidores/ delatores
Denúncias dos delatores
Censura à imprensa
Censura total
Repressão dos conspiradores; execução sumaria e pena de morte
Prisão; duras medidas de repressão e tortura; condenação sem provas