O BlogBESSS...

Bem-Vindos!


Blog ou Blogue, na grafia portuguesa, é uma abreviatura de Weblog. Estes sítios permitem a publicação e a constante atualização de artigos ou "posts", que são, em geral, organizados através de etiquetas (temas) e de forma cronológica inversa.


A possibilidade de os leitores e autores deixarem comentários, de forma sequencial e interativa, corresponde à natureza essencial dos blogues
e por isso, o elemento central do presente projeto da Biblioteca Escolar (BE).


O BlogBESSS é um espaço virtual de informação e de partilha de leituras e ideias. Aberto à comunidade educativa da ESSS e a todos os que pretendam contribuir para a concretização dos objetivos da BE:

1. Promover a leitura e as literacias;

2. Apoiar o desenvolvimento curricular;

3. Valorizar a BE como elemento integrante do Projeto Educativo;

4. Abrir a BE à comunidade local.


De acordo com a sua natureza e integrando os referidos objetivos, o BlogBESSS corresponde a uma proposta de aprendizagem colaborativa e de construção coletiva do Conhecimento, incentivando ao mesmo tempo a utilização/fruição dos recursos existentes na BE.


Colabore nos Projetos "Autor do Mês..." (Para saber como colaborar deverá ler a mensagem de 20 de fevereiro de 2009) e "Leituras Soltas..."
(Leia a mensagem de 10 de abril de 2009).


Não se esqueça, ainda, de ler as regras de utilização do
BlogBESSS e as indicações de "Como Comentar.." nas mensagens de 10 de fevereiro de 2009.


A Biblioteca Escolar da ESSS


PS - Uma leitura interessante sobre a convergência entre as Bibliotecas e os Blogues é o texto de Moreno Albuquerque de Barros - Blogs e Bibliotecários.

terça-feira, 8 de março de 2011

A Utopia na Condição Humana: Beleza e Juventude Eterna

Trabalho realizado por  Rita André,  12º B, 2010/11 
Prof. João Morais


Uma utopia é um sonho de difícil realização, uma meta que tentamos alcançar. É através de utopias que o mundo evolui e persegue determinados objectivos. O que foi uma utopia no século passado actualmente pode ser vulgar.
Partindo deste pressuposto, com este texto, pretendo reflectir acerca dos conceitos de beleza e juventude que vigoram na sociedade actual, que são adoptados por muitas pessoas numa tentativa de adquirirem o que consideram ser a aparência perfeita.
Devemos analisar o conceito de beleza ao longo da História, pois ele está sempre em mudança. Se, num passado recente, ter uns quilos a mais era sinónimo de beleza e saúde, nos dias de hoje, o ideal de beleza é outro: as mulheres devem ser esbeltas e muito magras. Esta preocupação desmedida com a magreza acarreta consequências como o aparecimento de doenças associadas a uma alimentação desequilibrada, por exemplo a anorexia e a bulimia. Quem lucra com esta obsessão são os autores de dietas para emagrecer que prometem milagres em pouco tempo, a indústria farmacêutica que produz medicamentos para queimar calorias e as clínicas de cirurgia plástica que se proliferam um pouco por toda a parte. Estas passam de um luxo das classes altas que pretendem obter uma melhor imagem e de vítimas de acidentes que necessitavam de reconstruir partes do seu corpo para uma necessidade de muitas pessoas que pretendem atingir um ideal de beleza.
Poderíamos considerar que este género de dilemas apenas afecta as pessoas mais jovens, que são influenciadas pelos meios de comunicação social e pela imagem das modelos que vêm em desfiles de moda, que são um ícone de beleza para muitos.
 Mas não!
As mulheres de meia-idade são extremamente atingidas pela necessidade de terem uma aparência jovem e para isso despendem muito dinheiro em tratamentos como injecções de botox para ficarem com menos rugas e lipoaspirações para retirarem as gorduras que se acumulam com a idade. Algumas mulheres mais frágeis e obcecadas com a beleza mas sem condições para pagar este género de intervenções entram em depressão e podem mesmo tentar o suicídio.
Mas o ideal de beleza não existe apenas para as mulheres, os homens também estão a ficar dependentes e a ter mais cuidados com a sua imagem por exemplo, utilizando cremes de beleza e fazendo depilação.
Esta obsessão que afecta a sociedade actual relacionada com a aparência física tanto de homens como de mulheres deve-se, sobretudo, ao marketing e ao mundo da moda. As pessoas deixaram de se preocupar com as suas vivências interiores e vivem com o objectivo de conseguir a beleza e juventude eternas, mas este objectivo é utópico, pois nenhum ser humano consegue a perfeição absoluta. Este conceito é abstracto, mudando de pessoa para pessoa e de sociedade para sociedade. No entanto, continuamos a lutar pela sua concretização e até produzimos lendas como a “fonte da juventude” a água desta fonte dava a juventude eterna a quem a consumisse. Não seria de admirar de no futuro inventarem uma bebida e de vir a haver muita gente que a comprará na esperança de ter para sempre 20 anos.
Será possivel encontrar solução para esta utopia? Como disse Victor Hugo: “Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã”.
Em relação à questão da juventude eterna, existe um enigma que intriga a comunidade científica: o caso da jovem Brooke Greenberg que parou no tempo, ou seja, ela tem 17 anos mas tem as características de uma bebé de um ano. Especialistas em Genética esperam que, comparando o DNA de Brooke com o de uma pessoa normal, possam vir a descobrir os mecanismos que controlam o envelhecimento, encontrando, assim, uma verdadeira fonte de juventude. Será esta criança a chave para a utopia da juventude?
Para a questão da beleza, não é possível afirmar que esta utopia será atingida pois é difícil para nós definir o que é belo. Contudo, aceitar o que somos e vivermos a vida com confiança e sem preocupações fúteis pode ser a resposta para a verdadeira beleza. Uma mulher insegura com um nariz feio vai continuar a ser insegura e a encontrar outros defeitos com um nariz bonito.
Em conclusão, a procura da perfeição física é constante na nossa sociedade actual interferindo com a vida de muitos. Considero que esta afirmação de Josué Montello explica bem o papel da utopia na condição humana: "Pode-se dizer, sem receio de erro, que a utopia é consubstancial à condição humana. Ninguém realiza sem sonhar."

quarta-feira, 2 de março de 2011

O significado da Ilha dos Amores n’ Os Lusíadas

Trabalho realizado por Joana Nunes, nº 11, 12º B, 2010/11
Prof. João Morais

O episódio da Ilha dos Amores, dividido pelos Cantos IX e X d’Os Lusíadas, surge como conclusão da epopeia de Luís de Camões. Vénus, deusa do Amor e da Beleza, auxiliada por Cupido, seu filho, decide recompensar os portugueses pelo seu esforço, bravura, persistência e dedicação na tarefa da superação da humanidade. Assim, prepara-lhes uma ilha onde se encontram ninfas à sua espera. Este merecido prémio representa a glorificação do herói português, a realização de um novo estatuto: a imortalidade enquanto aspiração máxima do ser humano. Pode dizer-se que este é o episódio que desvela todo o significado da epopeia.
            Na Ilha dos Amores os prazeres concedidos aos portugueses inscrevem-se tanto no nível material como no espiritual do Herói. Por um lado, ao nível material temos as recompensas do amor físico e o banquete oferecidos por Tétis e pelas restantes ninfas. Por outro lado, o nível espiritual reporta-se à apresentação que Tétis faz da Máquina do Mundo a Vasco da Gama. Este último momento é de grande importância já que apenas aos deuses era possível a visualização do Universo. A ambição da descoberta de novas terras proporciona aos nautas esta honra, um símbolo de todas as compensações que os Descobrimentos trazem ao Homem.
            Ao contrário dos episódios da Inês de Castro e do Adamastor, este é o episódio da Epopeia e um exemplo raro da obra camoniana em geral em que existe a plenitude amorosa, onde existe o prémio e não o castigo por amor. É através do amor físico que os navegadores interagem com as ninfas imortais, depois das provas que representam o amor pela pátria, a devoção e a superação das dificuldades que os tornam também divinos, provando assim que nada resiste à força do amor.
            Este locus amoenus, paisagem ideal e ambiente de tranquilidade, é o Ideal, não compreendido nas coordenadas do tempo e do espaço, e, portanto, a realização da utopia. É um local de harmonia, com o murmúrio das águas, o cantar dos pássaros, os variados sabores de frutos, o perfume das flores, a suavidade, a frescura, a verdura e a segurança; a Natureza na sua plenitude de singeleza e despojamento. Apenas nesta Ilha se podem esquecer as decepções, o pecado e a insatisfação, sendo assim, um espaço onde a concretização total do amor é possível; onde, após os tormentos, os sacrifícios e o sofrimento, os portugueses podem alcançar um estatuto grandioso.
            Camões coloca neste episódio toda a sua imaginação e, utilizando elementos do Renascentismo e do Humanismo, confere aos portugueses a possibilidade de realização completa, sem as limitações e as contradições impostas pela Natureza. E assim os navegadores conseguem alcançar a imortalidade. Mas isso também se aplica ao poeta que, ao compor esta epopeia e ao dedicá-la ao herói português, dignifica os seus feitos, permanecendo vivo não fisicamente, mas espiritualmente, através desta e de muitas outras obras.

João Filipe Afonso, Nº13

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Texto de reflexão – "O lugar da utopia na condição humana"

Trabalho realizado por  Inês Silva Machado, Nº16,  12º A, 2010/11 
Prof. João Morais



A vida do Homem tem-se baseado numa luta permanente, numa tentativa de alcançar a utopia, com uma ânsia de encontrar um estado ideal e imaginário de um governo, de uma sociedade, de uma filosofia, de uma realidade. Assim, a concepção de perfeição da condição humana é atingida quando o Homem, com o progresso da ciência e da tecnologia, consegue criar um ser geneticamente perfeito, em equilíbrio com o meio ambiente e com os que o rodeiam. É uma utopia inacessível mas constantemente desejada.
A invasão de doenças e outros agentes patogénicos na vida condiciona o ser humano em muitos aspectos e, por isso, alguns ramos da Biologia e da Química têm-se esforçado para encontrar fórmulas e métodos que corrijam essas imperfeições. A fabricação de insulina em laboratório, aplicada em indivíduos com a diabetes, por exemplo, garante que estes tenham os níveis de açúcar dentro da normalidade assegurando-lhes, assim, conforto e a possibilidade de criarem uma vida sem impedimentos. Apesar dos progressos feitos, essencialmente, no último meio século, tanto neste caso como noutros (mais complicados), a imprevisibilidade do organismo animal e as agressões ambientais limitam a busca de um corpo e de uma mente sem distúrbios e em sintonia com o exterior.
Além do auxílio das investigações bioquímicas na procura de segurança do Homem, a Medicina contribui bastante para a cura de várias más formações, quer sejam estas inatas ou adquiridas (acidentes, por exemplo). É, também, na Medicina que os pontos frágeis do nosso corpo se transformam em pontos fortes, ou pelo menos, razoáveis. A implantação de próteses em indivíduos sem um membro ou a recuperação da visão noutros que eram desprovidos desta têm consequências muito positivas para a nossa espécie contornando alguns problemas, entre eles os motores. Estes métodos não são mecanismos evolutivos (nem nada que se assemelhe), mas conferem-nos uma qualidade de vida aceitável tornando-os mais eficientes e qualificados no desempenho das suas tarefas. Contudo, em casos em que haja implicação do ADN, a intervenção da Medicina é mais complicada havendo situações de complexidade, tanta que não é possível detectar e suprimir as imperfeições.
É, de facto, na Epigenética que se centra a questão de impossibilidade de alcance da perfeição. A Epigenética defende que a actividade de qualquer indivíduo é influenciada, sobretudo, pelo ambiente e não pelo que está inscrito nas células. Deste modo, é aceitável que uma alteração no meio, espontânea e imprevisível, cause distúrbios num Homem que, em conjunto com a ciência, estava a ser melhorado para corrigir as falhas de um ambiente anterior. A modificação na Natureza coloca interferências ao nível dos instrumentos utilizados que se tornam incapazes face às novas mudanças e do Homem que se situa menos adaptado, sendo necessário criar, novamente, caminhos a fim de o homem se aproximar do equilíbrio que o rodeia. Quando este está prestes a combater as adversidades do exterior, é possível que surja uma nova alteração que condicione a actividade do Homem cientista.
Em suma, o trabalho de cientistas e outros profissionais contribui em muito para uma melhoria da qualidade de vida e para a construção de um Homem mais rentável. É neles que se sustenta o aumento da esperança média de vida e é neles que reside a expectativa de uma sociedade melhor e mais evoluída. No entanto, a espontaneidade da Natureza e do Homem cria obstáculos que não são fáceis de ultrapassar nunca sendo possível chegar-se a um ideal – a uma visão utópica da raça humana.

Fevereiro de 2011

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Texto de Reflexão - "O Velho do Restelo: o mundo a duas velocidades"

Trabalho realizado por  Inês Silva Machado, Nº16,  12º A, 2010/11 
Prof. João Morais

O Velho do Restelo, personagem simbólica d’Os Lusíadas, de Luís de Camões, traduz a oposição de duas realidades e duas correntes de opinião: aqueles que defendiam os Descobrimentos via marítima e os que preconizavam a expansão do Império para o Norte de África, contra os bens materiais, a fama e a glória. Os contrastes existentes no seio da sociedade do século XVI permanecem na actualidade. Nos dias que correm, a enorme evolução científica, tecnológica, social e económica a que os países desenvolvidos têm estado sujeitos possibilita uma melhoria óbvia da qualidade de vida da população verificando-se, pelo contrário, um défice acentuado e alarmante de desenvolvimento em países do Terceiro Mundo, predominando aí a pobreza absurda e várias doenças como a SIDA.
Estas discrepâncias surgem na fome, na guerra, na pobreza, na assistência médica, na taxa de mortalidade, na educação e instrução, entre outros.
A Engenharia Genética, ramo da Biologia Molecular que se ocupa da manipulação, da propagação e do transporte dos genes alterando as suas estruturas e características, tem desenvolvido, nas últimas décadas, técnicas que permitem a produção rápida e económica de vários produtos agrícolas que deveriam ser suficientes para sustentar o aumento demográfico significativo. De acordo com as Nações Unidas, “o mundo produz uma vez e meia a quantidade de alimentos necessária para alimentar toda a população do planeta”. No entanto, a fome é uma situação que se tem agravado devido à má distribuição da riqueza. Estes factos concorrem para um distanciamento entre aquilo que, por um lado, melhora e evolui, e, por outro lado, aquilo que se encontra estagnado.
No que diz respeito à instrução e à educação, as taxas de alfabetização variam bastante ao longo do globo. É claro que a posse de mão-de-obra qualificada constitui uma mais-valia para o progresso de um país e a aposta na educação pelos países mais ricos tem sido um ponto fulcral na sua evolução. Pelo contrário, a deficiência de sistemas de escolarização adequados (escolas, universidades, tecnologia, ciência) é uma dificuldade com que os países de Terceiro Mundo se têm confrontado, o que condiciona o seu avanço económico e financeiro que possui, também, muitas lacunas.
Os contrastes são verificados, igualmente, pela taxa de mortalidade infantil e pela esperança média de vida. Enquanto o crescimento económico dos países desenvolvidos se reflecte no investimento da assistência médica e da vacinação, que contribuem para a diminuição de ocorrência de certas doenças e infecções, a falta de condições sanitárias, médicas e alimentares nos países em desenvolvimento traduz-se numa população débil e fragilizada, que tem como consequência a propagação rápida de vírus que, por sua vez, conduz à morte precoce dos indivíduos.
A constante instabilidade social e política, imposta por regimes maioritariamente corruptos e ditatoriais que os indivíduos dos países mais pobres sofrem é uma realidade que impede a evolução da economia nesses locais pois há ocorrência de golpes de estado e de conflitos internos de origem étnica, que provocam guerras e que culminam na destruição de vias de comunicação, de escolas e de hospitais e na falta de habitação de milhares e milhares de pessoas. Gera-se, portanto, uma forte dependência política e económica dos países desenvolvidos por parte dos países em desenvolvimento. Aqueles possuem um alto nível de industrialização que lhes permite um desenvolvimento económico muito maior levando, por fim, à origem de uma sociedade evoluída.
Das situações analisadas resulta a emergência de um mundo a duas velocidades onde a disparidade entre ricos e pobres é cada vez mais notória e intensa: o progresso, o bem-estar e a segurança ocupam um extremo enquanto a luta pela sobrevivência, a fome e a guerra permanecem do lado oposto. É necessária a implementação de medidas que promovam a interajuda entre países desenvolvidos e em desenvolvimento através da acção dos governos e de organizações governamentais e não governamentais apoiadas pelas Nações Unidas, a fim de pormos um fim às desigualdades e nivelarmos mais a qualidade de vida da população mundial.
Fevereiro de 2011

O lugar da utopia na condição humana - Texto de Reflexão

Trabalho realizado por  Inês Silva Machado, Nº16,  12º A, 2010/11    
Prof. João Morais 
 
A vida do Homem tem-se baseado numa luta permanente, numa tentativa de alcançar a utopia, com uma ânsia de encontrar um estado ideal e imaginário de um governo, de uma sociedade, de uma filosofia, de uma realidade. Assim, a concepção de perfeição da condição humana é atingida quando o Homem, com o progresso da ciência e da tecnologia, consegue criar um ser geneticamente perfeito, em equilíbrio com o meio ambiente e com os que o rodeiam. É uma utopia inacessível mas constantemente desejada.
A invasão de doenças e outros agentes patogénicos na vida condiciona o ser humano em muitos aspectos e, por isso, alguns ramos da Biologia e da Química têm-se esforçado para encontrar fórmulas e métodos que corrijam essas imperfeições. A fabricação de insulina em laboratório, aplicada em indivíduos com a diabetes, por exemplo, garante que estes tenham os níveis de açúcar dentro da normalidade assegurando-lhes, assim, conforto e a possibilidade de criarem uma vida sem impedimentos. Apesar dos progressos feitos, essencialmente, no último meio século, tanto neste caso como noutros (mais complicados), a imprevisibilidade do organismo animal e as agressões ambientais limitam a busca de um corpo e de uma mente sem distúrbios e em sintonia com o exterior.
Além do auxílio das investigações bioquímicas na procura de segurança do Homem, a Medicina contribui bastante para a cura de várias más formações, quer sejam estas inatas ou adquiridas (acidentes, por exemplo). É, também, na Medicina que os pontos frágeis do nosso corpo se transformam em pontos fortes, ou pelo menos, razoáveis. A implantação de próteses em indivíduos sem um membro ou a recuperação da visão noutros que eram desprovidos desta têm consequências muito positivas para a nossa espécie contornando alguns problemas, entre eles os motores. Estes métodos não são mecanismos evolutivos (nem nada que se assemelhe), mas conferem-nos uma qualidade de vida aceitável tornando-os mais eficientes e qualificados no desempenho das suas tarefas. Contudo, em casos em que haja implicação do ADN, a intervenção da Medicina é mais complicada havendo situações de complexidade, tanta que não é possível detectar e suprimir as imperfeições.
É, de facto, na Epigenética que se centra a questão de impossibilidade de alcance da perfeição. A Epigenética defende que a actividade de qualquer indivíduo é influenciada, sobretudo, pelo ambiente e não pelo que está inscrito nas células. Deste modo, é aceitável que uma alteração no meio, espontânea e imprevisível, cause distúrbios num Homem que, em conjunto com a ciência, estava a ser melhorado para corrigir as falhas de um ambiente anterior. A modificação na Natureza coloca interferências ao nível dos instrumentos utilizados que se tornam incapazes face às novas mudanças e do Homem que se situa menos adaptado, sendo necessário criar, novamente, caminhos a fim de o homem se aproximar do equilíbrio que o rodeia. Quando este está prestes a combater as adversidades do exterior, é possível que surja uma nova alteração que condicione a actividade do Homem cientista.
Em suma, o trabalho de cientistas e outros profissionais contribui em muito para uma melhoria da qualidade de vida e para a construção de um Homem mais rentável. É neles que se sustenta o aumento da esperança média de vida e é neles que reside a expectativa de uma sociedade melhor e mais evoluída. No entanto, a espontaneidade da Natureza e do Homem cria obstáculos que não são fáceis de ultrapassar nunca sendo possível chegar-se a um ideal – a uma visão utópica da raça humana.

Fevereiro de 2011