O BlogBESSS...

Bem-Vindos!


Blog ou Blogue, na grafia portuguesa, é uma abreviatura de Weblog. Estes sítios permitem a publicação e a constante atualização de artigos ou "posts", que são, em geral, organizados através de etiquetas (temas) e de forma cronológica inversa.


A possibilidade de os leitores e autores deixarem comentários, de forma sequencial e interativa, corresponde à natureza essencial dos blogues
e por isso, o elemento central do presente projeto da Biblioteca Escolar (BE).


O BlogBESSS é um espaço virtual de informação e de partilha de leituras e ideias. Aberto à comunidade educativa da ESSS e a todos os que pretendam contribuir para a concretização dos objetivos da BE:

1. Promover a leitura e as literacias;

2. Apoiar o desenvolvimento curricular;

3. Valorizar a BE como elemento integrante do Projeto Educativo;

4. Abrir a BE à comunidade local.


De acordo com a sua natureza e integrando os referidos objetivos, o BlogBESSS corresponde a uma proposta de aprendizagem colaborativa e de construção coletiva do Conhecimento, incentivando ao mesmo tempo a utilização/fruição dos recursos existentes na BE.


Colabore nos Projetos "Autor do Mês..." (Para saber como colaborar deverá ler a mensagem de 20 de fevereiro de 2009) e "Leituras Soltas..."
(Leia a mensagem de 10 de abril de 2009).


Não se esqueça, ainda, de ler as regras de utilização do
BlogBESSS e as indicações de "Como Comentar.." nas mensagens de 10 de fevereiro de 2009.


A Biblioteca Escolar da ESSS

PS - Uma leitura interessante sobre a convergência entre as Bibliotecas e os Blogues é o texto de Moreno Albuquerque de Barros - Blogs e Bibliotecários.


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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

A beleza de um sorriso


Era uma manhã normal, estava fechada no carro à espera que houvesse um milagre e que o tempo parasse. Tempo, aquilo que se diz infinito mas, no entanto, voa e nós nem damos por isso. Portanto, se ele parasse, teríamos todo o “tempo” do mundo (não foi a palavra mais adequada, mas não encontro uma outra palavra que defina tempo) para vivermos e aproveitarmos os bons momentos de uma forma mais intensa. Mas que sei eu sobre tempo?

Para me distrair deste pensamento, liguei o rádio. Mas sem sucesso. Por isso, olhei para o lado de fora da janela; poderia ser que encontrasse algo que não encontrava dentro do veículo onde me achava, todavia tudo o que vi foram pessoas também agitadas e posso crer que todas desejariam o mesmo que eu. “Este mundo e esta pressão estão a dar cabo de nós”, pensei.

Voltei para a posição que estava antes de olhar pela janela: pensativa e a ouvir palavras, melodias, rimas, vozes que não me diziam nada. É então que a música no rádio parou por um pouco e houve um silêncio mais prologado do que o habitual, despertando-me a audição. Depois de algum tempo deste silêncio que nada dizia nem acrescentava, apenas preenchia mais um espaço, soou uma voz não muito grave, uma voz que não era a do locutor, uma voz que não conhecia. Essa voz lia-me os pensamentos. Sabia perfeitamente o que estava a sentir, não que o tivesse dito, mas sentia-o assim como sinto que a vida está a andar muito depressa e nada posso fazer para a agarrar. Contudo, ao contrário de mim, essa voz tinha uma solução simples e eficaz para este meu problema: sorrir. Uma solução bastante consciente, devo dizer.

Dizia cada vez mais alto e de forma mais cativante para sorrirmos para as outras pessoas, porque, no fundo, o que todos pretendemos é darmos uma maior beleza ao mundo. Mandava sorrir para acabar com o muro que se ergue entre nós sempre que saímos de casa.

Olhei para o lado e vi… vi algo inexplicável. Todos sorriam, todos eram simpáticos e atenciosos de tal forma que me deixou com vontade de parar o tempo para sempre. Desta vez não para conseguir chegar a horas ao trabalho ou mesmo poder ver quem já nunca mais vai voltar. Desta vez era para recordar para sempre aquele momento. Há melhor forma de recordar tal e qual como é sem ser vivendo para sempre neste momento?

Por isso, sorri também. Mas sorri genuinamente porque toda aquela simpatia deixava-me fascinada. E então surgiu-me uma outra pergunta, que uma outra voz conseguirá responder: porque não sorrir sempre? Porquê toda esta arrogância? Enquanto essa voz não aparece, penso que só o mais profundo sentimento de cada pessoa vai saber responder.

Cheguei atrasadíssima ao trabalho, mas cheguei a sorrir, porque, com simpatia e amor, o mundo torna-se um lugar muito melhor. Um lugar onde dá vontade de nunca mais partir. Um lugar onde não nos ocupamos com o desejo de parar o tempo, pois torna-se um lugar que dura para sempre. 

Madalena Santos, n.º 18 9.º F
(2019/2020)

Prof.ª Raquel Teixeira



domingo, 18 de fevereiro de 2018

Folhas Caídas: uma experiência de leitura

·         Introdução
        A obra Folhas Caídas, de Almeida Garrett, engloba um conjunto de poemas de temática amorosa, escritos no fim da vida de poeta. Ao que se crê, estas composições poéticas são um reportório em verso dos sentimentos que a paixão pela Viscondessa da Luz terá despertado em Garrett.
        Nesta obra observa-se uma poesia confessional, um misto de sinceridade e fingimento, exibicionismo e desengano.
        A obra é inovadora pela forma utilizada, com o predomínio da redondilha maior e da menor, o uso da sinestesia e uma certa conceção dramática que subjaz à maioria dos poemas e que se traduz no tom coloquial da linguagem. 
       Esta coletânea de poemas é, sem dúvida, a mais interessante de Garrett e é nela que mais livremente se expande o individualismo romântico e a frescura dum estilo solto e sem peias.

A Advertência
      A anteceder os poemas, pode ler-se a Advertência datada de Janeiro de 1853. Nela encontram-se algumas linhas de leitura da poesia amorosa deste livro.
       Na Advertência, Garrett começa por sugerir que a coletânea Folhas Caídas não é fruto de um acaso, antes o produto de uma escolha criteriosa (“ [...] essas folhas de poesia que por aí caíram vamos escolher uma ou outra que valha a pena conservar […] ”).
      No parágrafo seguinte é possível reconhecer que Garrett tem a peculiaridade de saber jogar com o leitor, desculpando-se sempre (“ Enganei o público, mas de boa-fé, porque me enganei primeiro a mim.”).
      De seguida, o autor refere o tom confessional e intimista que perpassa os diversos poemas da obra (“ Os cantos que formam esta pequena coleção pertencem todos a uma época de vida íntima e recolhida […] ”) e afirma que haveria de ser poeta em tudo e durante toda a vida, reforçando, deste modo, o seu carácter romântico (“ Poeta na Primavera, no Estio e no Outono da vida, hei de sê-lo Inverno, se lá chegar, e hei de sê-lo em tudo”).
     Mais à frente ainda na Advertência, o poeta mostra a sua indiferença perante a reação do público aos seus poemas (“ E como nada são por ele nem para ele, é provável que o público sinta bem diversamente que o autor. Que importa?”). É de destacar também o facto de Garrett considerar que o melhor juiz que pode ter é ele próprio, enquanto homem lúcido, de olhos abertos (“ [...] parece-me que o melhor e mais reto juiz que pode ter um escritor é ele próprio, quando o não cega o amor-próprio. Eu sei que tenho os olhos abertos […] ”).
     Neste seguimento, Almeida Garrett reconhece os defeitos dos seus poemas, mas revela-se incapaz de os queimar (“Enfim, eu não queimo estes.”), pois, na sua opinião, esta tarefa não lhe cabe a si, mas ao Deus que o inspirou na elaboração dos mesmos (“E o deus que os inspirou que os aniquile se quiser: não me julgo no direito de o fazer eu”). Este deus desconhecido (Ignoto Deo), a quem o poeta consagra os seus versos, é mistificado e envolvido num manto de mistério (“O meu deus desconhecido é realmente aquele misterioso, oculto e não definido sentimento de alma […] ”).
     Na parte final da Advertência, Garrett fala sobre a loucura do poeta que aspira atingir o impossível, o infinito, estabelecendo-se uma contradição entre a aspiração dos poetas ao ideal e ao infinito (“ […] que tendendo para o fim único, a posse do Ideal […] ”) e a incapacidade dos mesmos de o atingir (“Ao infinito não se chega, porque deixava de o ser em se chegando a ele.”).
    Por fim, o autor termina a Advertência sublinhando o estatuto do poeta enquanto ser incompreendido (“ [...] vós não entendeis nada dele.”). Este revela-se ao mesmo tempo como um ser superior, que na morte apenas perde a matéria, a pequena parte em que se assemelha aos homens (“ […] só morrerá dele aquilo em que se pareceu e se uniu convosco.”), prevalecendo eterno o seu espírito.
Este inferno de amar
    Em primeiro lugar, neste poema é feita uma reflexão sobre uma relação amorosa que funciona ao mesmo tempo como fonte de vida e de dor para o eu poético.
    Esta composição poética, cujo tema gira à volta das contradições do amor, pode dividir-se em três partes lógicas. Na primeira parte, a primeira estofe, o eu poético pergunta a si próprio como foi possível aparecer em si esse amor fatal (“Quem mo pôs aqui n'alma... quem foi?”),  que, a um tempo, o consome e lhe dá vida (“Esta chama que alenta e consome,/Que é a vida […] ”). Na segunda parte, a segunda estrofe, o sujeito poético recorda-se com saudade da vida serena e sonhadora que tinha vivido antes (“A outra vida que dantes vivi/ Era um sonho talvez […] / Em que paz tão serena a dormi!”), questionando-se depois sobre quem o veio tirar desse sonho (“Quem me veio, ai de mim! Despertar?”). Na terceira parte, isto é, na terceira e última estrofe, o eu poético parece encontrar o motivo desse fatal amor (“E os meus olhos […] / Em seus olhos ardentes os pus.”) que veio modificar a sua vida.

   Por outro lado, é de notar a relação de oposição que se estabelece entre o presente e o passado neste poema de Garrett. O presente (primeira estrofe) surge em oposição a um duplo passado: o passado anterior à amada (segunda estrofe) e o passado com a mesma (terceira estrofe). Assim, pode inferir-se que o sentido dubitativo do poema (“ Que fez ela? Eu que fiz?”) é também visível na sua organização interna, que não é determinada por uma ordem cronológica.

    Através da análise do poema, é possível perceber que o retrato da mulher aqui presente é o da mulher fatal, típica do Romantismo, que arrasta o eu poético para o abismo da perdição. Esta mulher proporciona ao sujeito poético uma vida de “inferno”, com uma relação amorosa ardente desde o momento em que se conheceram, tornando ela a existência do eu poético desejada, viva, com razão de ser.

     Relativamente à forma, esta composição poética é constituída por três sextilhas. A rima não obedece a um esquema rígido sendo cruzada no segundo e quarto verso, emparelhada no quinto e sexto e branca nos restantes – expressão da liberdade que Garrett inaugura na poesia portuguesa. Quanto ao ritmo do poema, verifica-se uma cadência ternária com acentos na 3ª,6ª e 9ª sílabas métricas.

     Neste poema, Garrett utiliza uma linguagem simples e recorre a diversos recursos de estilo para transmitir os estados de espírito do eu poético e obter um lirismo subjetivo e profundo. Entre estes recursos de estilo destacam-se a metáfora (“este inferno de amar”) e a antítese (“alenta e consome”- efeito contraditório do amor).

      Por fim, é também importante sublinhar as características românticas presentes tanto na forma como no conteúdo do poema. Relativamente à forma, para além da escrita livre sem rigor no metro e na rima, a linguagem é simples e o ocorre uma panóplia de recursos estilísticos para representar o estado de alma do sujeito poético. Destaca-se a utilização de uma linguagem coloquial com predomínio para repetições, interjeições, frases interrogativas e suspensas, como marca do Romantismo. Por outro lado, relativamente ao conteúdo, o tom retórico, a hiperbolização do sofrimento do eu poético, a divinação da mulher como mulher fatal e a importância dos sentimentos são marcas românticas muito presentes neste poema de Garrett.
      Em conclusão, interroga-se a natureza do amor num poema de uma veemência raramente atingida na poesia portuguesa.
 Os cinco sentidos
                Em primeiro lugar, nesta composição poética há uma superlativação da mulher amada face à Natureza. Verifica-se uma dependência do eu poético relativamente a essa mulher, em virtude de não lhe serem despertados quaisquer dos cinco sentidos sem ela e não encontrar qualquer prazer, beleza, alegria no mundo exterior. Todos os seus sentidos estão centrados e orientados para ela (“A ti! ai, a ti só os meus sentidos/ Todos num confundidos,/ Sentem, ouvem, respiram;”).
                Este poema, cujo tema passa pelo amor sensual, erótico e mesmo pela excitação carnal, pode ser dividido em duas partes lógicas. A primeira parte, as primeiras cinco sextilhas, corresponde ao registo das cinco sensações do sujeito poético a partir do que a Natureza e a amada lhe oferecem (“Mil cores - divinais têm essas flores; […] / Não vejo outra beleza/ Senão a ti - a ti!”), num crescendo de sensações tendentes noa segunda parte ao paroxismo do êxtase. A segunda parte, a última estrofe, sintetiza a entrega total do eu poético à amada (“A minha vida em ti;/ E quando venha a morte,/ Será morrer por ti”).
                Relativamente ao conteúdo de cada estrofe, na primeira sextilha existe uma incapacidade por parte do eu poético para apreciar a beleza das estrelas e das flores, pois está obcecado pela beleza da mulher amada (“Em toda a natureza/ Não vejo outra beleza/ Senão a ti […] ”). Nesta estrofe é estabelecida uma relação entre a amada e a Natureza, verificando-se uma superlativação desta última através da conjunção adversativa mas (“Mas eu não tenho, amor, olhos para elas”), do advérbio de exclusão senão, da repetição da expressão a ti e pela exclamação final (“Senão a ti - a ti!”). Ainda relativamente à primeira estrofe é importante salientar que todo o discurso do eu poético se destina à amada, cuja presença silenciosa está patente no vocativo amor e pelas formas pronominais da segunda pessoa.
                Na segunda sextilha o sujeito poético revela-se incapaz de apreciar a voz harmoniosa do rouxinol (“[…] mas eu do rouxinol que trina/ Não oiço a melodia”), pela razão da  sua audição apenas captar os sons da mulher amada, constatando-se, nesta estrofe e no resto do poema uma superioridade da amada em relação à Natureza, facto que concorre para o seu estatuto de mulher-anjo, típico do romantismo.
                Na terceira, na quarta e quinta sextilhas o eu poético revela-se igualmente incapaz de apreciar a natureza, ao nível do olfato, do paladar e do tato respetivamente. É de destacar o reforço do caráter erótico do amor na quarta e quinta estrofes. Na última estrofe, verifica-se que os sentidos do eu vibram na presença da amada, a quem ele entrega a sua vida (“A minha vida em ti;/ E quando venha a morte,/ Será morrer por ti”), sofrendo, assim, de uma morte de amor por excesso de felicidade e prazer, ou seja, uma morte que se renovará no orgasmo do fim da comunhão sexual.
                Ao longo desta composição poética de Garrett, a referência aos cinco sentidos está organizada de forma progressiva nas cinco primeiras estrofes: do mais distante (visão) ao mais próximo (tato), do mais abstrato ao mais concreto, da observação exterior ao contacto físico.
                Neste poema, Garrett recorre a metáforas para confirmar o carácter erótico da composição poética (“relva luzidia” = corpo da mulher), comparações para exaltar a mulher amada (“ São belas… Senão a ti”), hipérboles (“Mil cores”) e à anáfora da expressão a ti para mostrar o estado emocional do sujeito poético. A sensualidade que ressuma das palavras e do ritmo terão feito corar as faces mais pudicas dos leitores que, porventura, terão lido estes versos às escondidas.
                Será assim ainda hoje?
                Relativamente à forma, o poema é composto por cinco sextilhas e uma oitava final. As sextilhas apresentam três versos decassilábicos e três versos hexassilábicos, enquanto a oitava tem um verso decassilábico e os restantes hexassilábicos. Quanto à rima, esta é cruzada e emparelhada tanto nas sextilhas como na oitava, apresentando as sextilhas igualmente versos brancos.
                Por fim, este poema apresenta características românticas, das quais se destacam a ligação amor e Natureza, a valorização da sensualidade, o individualismo, a presença do ideal da mulher-anjo e a rejeição do conhecimento racional pelos sentidos.

·         Cascais
                Este longo poema, cujo tema é a saudade, divide-se claramente em três partes. Na primeira parte, da primeira à terceira estrofes, o sujeito poético descreve a Natureza (“O mar que incessante brama…/ Tudo ali era braveza/ De selvagem natureza.”). Esta descrição apresenta uma conotação positiva e corresponde ao passado do eu poético antes da amada. De seguida, na segunda parte desta composição poética, da quarta à oitava estrofes, a descrição das estrofes anteriores dá lugar à narração e o eu poético narra o seu passado com a amada, tempo de felicidade amorosa (“Ali sós no mundo, sós,/ Santo Deus! Como vivemos!”). Na terceira parte, isto é, nas três últimas estrofes, o sujeito poético retoma a descrição, mas desta vez esta apresenta uma conotação negativa (“Mas o céu já não começa:/ Sumiu-se na treva espessa, / E deixou nua a bruteza”). A diferença entre as duas visões da Natureza resulta da alteração dos sentimentos do sujeito poético (“Oh! Que fatais desenganos,”).
                A descrição da Natureza neste poema de Garrett corresponde a uma visão romântica, quer pelos elementos que a compõem, quer pela caracterização dos mesmos, quer pela imagem global que dela resulta (“braveza”, “selvagem natureza”, “bruteza”, “agreste natureza”). Ainda no âmbito do modelo romântico encontramos a relação amorosa entre o sujeito poético e a amada, visto que se verifica o isolamento (“sós no mundo sós”), a exclusividade (“Como ela vivia em mim/ Como eu tinha nela tudo”), a perda de noção da realidade (“essas horas fugidias/ séculos na intensidade”) e a impossibilidade de se realizar no presente (“depois os senti/ Os travos que ela deixou…”).
                Neste longo poema de onze estrofes de seis versos, com um esquema rimático fixo (ababcc), existe um espaço delimitado, à semelhança das obras dramáticas, dentro do qual se desenrola a narrativa sentimental (amei, deixei de amar). Este espaço é a serra, mais concretamente “ali” onde acaba a Terra (“Acabava ali a Terra”). Esse ponto concreto é referido por diferentes deíticos espaciais nas três partes do poema (“Aí na quebra do monte”; “Ali sós no mundo […] ”; “Lá onde se acaba a Terra”). Esta alteração de posições está relacionada com a passagem do tempo, elemento estrutural deste poema. A passagem do tempo corresponde à mudança dos sentimentos do sujeito poético dentro do esquema tipicamente romântico: ao passado corresponde o tempo da felicidade; o presente é o tempo da desilusão e do sofrimento.

                Em conclusão, este poema retrata o drama do tempo que mata o milagre do amor, refletido no lugar (Cascais). O lugar é o mesmo e já não é, ela é a mesma e já não é, ele é o mesmo e já não é, visto que o tempo passou. No entanto, Cascais é a memória.

·         Barca bela
                Nesta composição poética, cujo tema é o poder de sedução da mulher, Garrett alerta todos os homens para os perigos que podem advir de um relacionamento amoroso.

                Neste poema, alguns elementos encontram-se revestidos de simbolismo, isto é o caso da estrela que simboliza a fatalidade e da sereia que é simbolicamente usada para designar os perigos.

                Este poema de Garrett pode ser dividido em três partes lógicas. Na primeira parte, a primeira quadra, há uma constatação da beleza da mulher (“Que é tão bela?”). Na segunda parte, da segunda à quarta quadra, o sujeito poético alerta o pescador das precauções (“Colhe a vela,”) a tomar para não cair em tentação (“ Não se enrede na rede dela”) e avisa-o acerca de possíveis perigos (“Deita o lanço com cautela,/ Que a sereia canta bela…/ Mas cautela,”). Na terceira parte, isto é, na quinta estrofe, o eu poético dirige um apelo ao amante para que não se envolva (“Pescador da barca bela,/ Inda é tempo, foge dela,”).

          Relativamente à caracterização da mulher verifica-se que esta é ao mesmo tempo descrita como fonte de beleza e de encantamento (“Que é tão bela”; “Que a sereia canta bela”) e como fonte de perigo (“Foge dela”).

         Este poema apresenta uma variedade de recursos estilísticos, entre os quais se encontram: a metáfora, presente, por exemplo, na sereia que simboliza a sedução e os perigos da vida; a apóstrofe (“Pescador da barca bela,”); e a aliteração (“ […] barca bela,/ […] com cautela”).

          Em termos linguísticos, nesta composição poética predominam o uso do imperativo (“Colhe a vela,”), o tom coloquial (“Onde vais […] ”; “Inda […] ”), os trocadilhos (“ […] enrede a rede […] ”) e as repetições (“Pescador da barca bela,/ […] foge dela,/ Foge dela,/ Oh pescador!”), as quais mostram a urgência do apelo e a iminência do perigo.

        Quanto à forma, este poema é composto por cinco quadras, nas quais dois versos são heptassilábicos, e os outros dois são trissilábico e tetrassilábico, respetivamente. O esquema rimático é aaab em todas as estrofes pelo que a rima é emparelhada, havendo igualmente um verso solto em cada quadra.

        Neste poema encontram-se presentes alguns aspetos românticos: a superioridade e a atração fatal da mulher (sereia), a ligação à poesia popular e a acentuação da teatralidade do discurso.

       Em conclusão, esta composição poética de Garrett é notavelmente marcada pelo Romantismo do qual o poeta foi um exemplar seguidor, tratando-se este poema de um conselho de fuga e de renúncia ao amor.
                                                                                                                                           
·         Conclusão
       Tendo escandalizado o público leitor da época, que no entanto o lia avidamente, é comovente vermos como a alma de Garrett se desnuda em Folhas Caídas, não hesitando em se expor ao ridículo devido à exploração do escândalo e da sensualidade.

      Em Folhas Caídas, o seu último livro de poemas, Garrett liberta-se definitivamente da formação arcádica e compõe uma obra inovadora e moderna, tanto pelo conceito de amor que nela canta, uma devastadora paixão sensual, como pela métrica, inspirada na poesia popular, com predomínio da redondilha maior e menor, como pela expressão liberta de peias e convenções.

Autora: Inês Vidal, 11º B
Prof. João Morais

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Roma - Época Republica, 509 a.C. - 27 a.C.






























Bibliografia: Martins, Isaltina e Freire, Maria Teresa Freire (2014). Noua Itinera – Latim 11.º. Edições Asa, Porto, pp. 89,90.
Trabalho realizado por Diogo Nóvoa e Duarte Gonçalves, 11.º J

Prof.ª Raquel Teixeira

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Texto Argumentativo...



Jovens, os agentes da mudança
            A nossa sociedade está constantemente em mudança, sendo os jovens uns dos principais responsáveis por isso devido à sua energia, às suas ideias inovadoras e ao constante questionar o homem e o mundo, o que é normal nesta faixa etária. Assim, a juventude pode produzir importantes alterações no funcionamento da sociedade.
            Os jovens são caracterizados por questionarem o que não lhes parece bem, de forma autoritária e não pensando muito nos riscos que correm. Desta forma, muitas vezes não concordam com alguns princípios da sociedade e não têm medo de os contestarem promovendo a mudança desses princípios.
            Como exemplo disto temos o movimento hippie, que foi um movimento de contracultura dos anos sessenta e que teve grande adesão nos Estados Unidos, mas que influenciou globalmente muitos países do mundo. Os hippies eram, na sua maioria, jovens e estavam contra a violência, contra as guerras e contra o capitalismo. Assim, organizaram grandes protestos contra a Guerra do Vietname, que decorria na altura, vestiam-se de forma diferente e tinham um estilo de vida alternativo. Acabaram por ser bem sucedidos na luta pela paz, pois os Estados Unidos acabaram por retirar as suas tropas do Vietname, tendo o movimento hippie tido bastante influência nesta decisão do governo americano.
            Outra característica pela qual os jovens são conhecidos são as suas ideias inovadoras e a adesão ao que é recente, não tendo medo de abraçar novos projetos e aventurarem-se no desconhecido
            Como exemplo desta inovação que se vê nos jovens, temos Steve Jobs, que desenvolveu o primeiro computador pessoal quando tinha cerca de vinte anos. A partir disto, houve grandes avanços na informática sendo ele o precursor dessa evolução.
            Referindo-me ainda à informática, conseguimos observar hoje em dia os jovens enquanto a porta de entrada das novas tecnologias na nossa sociedade contribuindo para a sua popularidade e para a sua ampla utilização.
            Concluindo, os jovens são responsáveis por um elevado número de mudanças que ocorreram, que ocorrem e que ocorrerão na sociedade. A sua proatividade e o facto de não se submeterem facilmente às regras sem compreenderem o seu sentido contribui para que toda a sociedade reflita acerca do que é contestado por eles. Desta forma, a juventude faz o futuro e leva o desenvolvimento às comunidades onde se inserem.
Autor: André Silva, 11º A
Prof. João Morais

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

"Sermão de Santo António aos Peixes"...

Cenário de resposta ao texto expositivo em que se mostra que a antítese
e a analogia são recursos estruturantes do cap.III do SSA [1654]
Neste sermão fortemente retórico, alguns recursos ganham especial importância, tornando-se até mesmo estruturantes para a melhor compreensão e prazer estético da obra. No capítulo III do Sermão de Santo António [1654] destacam-se como recursos estruturantes a analogia e a antítese.

Neste capítulo em específico, o Padre António Vieira evoca as qualidades particulares de quatro peixes e recorre à analogia de forma a estabelecer uma relação semântica entre cada peixe e Santo António. Um exemplo disso é quando Vieira recorre a expressões como “abrir a boca”, “coração” e “fel”. No caso do peixe de Tobias, estas expressões ocorrem em sentido literal, ou seja, abrir a boca no sentido de comer; o “coração” expulsou um demónio chamado Asmodeu; e o “fel” curou a cegueira do seu pai. No caso de Santo António, as mesmas expressões são usadas em sentido metafórico: Santo António abre a boca não para comer mas sim para falar; o seu “coração” não afugenta nenhum demónio em concreto mas sim o mal dos homens; e o seu “fel” não cura a cegueira, mas põe os homens a ver o bem.

No que diz respeito à antítese, esta aparece neste capítulo concorrendo para a construção da coerência textual e para o sucesso do discurso retórico. No capítulo III, os louvores das virtudes farão ecoar, por contraste, os defeitos dos homens. Por exemplo, a Rémora, um dos quatro peixes que António Vieira elogia, consegue determinar o rumo das naus, que representam os pecados da soberba, da cobiça, da vingança e da sensualidade (“Oh, se houvera uma Rémora na terra, que tivesse tanta força como a do mar, que menos perigos haveria na vida e que menos naufrágios no mundo”). Para além deste exemplo encontramos mais exemplos deste recurso nas linhas 335 e 338, nas quais se faz um contraste entre gente e peixes e entre peixes e outros animais, respetivamente.

Concluindo, Vieira recorre a estes dois recursos em particular com o objetivo de conferir beleza à denúncia da condição humana e à crítica das suas mentalidades e comportamentos.

Autora: Maria Inês Antunes, 11º B
Prof. João Morais

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Texto Argumentativo...



A sociedade, ao longo da história, evoluiu gradualmente graças aos conhecimentos e às aptidões adquiridas pelo Homem ao longo do tempo. As últimas décadas foram cruciais para definir as características da sociedade atual, tendo os jovens tido grande intervenção neste assunto. Grande parte desta evolução deve-se à capacidade dos jovens em expor as suas ideias e questionar os princípios da sociedade, daí a sua influência sobre ela.
A política é um tema em que tem havido grande intervenção por parte dos jovens, quer com o objetivo de defenderem os seus direitos, quer com a intenção de alertarem a comunidade para políticas injustas e incorretas.
Um exemplo disso foi o protesto na Praça da Paz Celestial em 1989, na Pequim, onde milhares de jovens se manifestaram contra a corrupção e repreensão política, defendendo a igualdade social e a liberdade de expressão. Este protesto acabou por ficar conhecido pelos dez mil jovens que perderam a sua vida em resultado de intervenções militares, o que denegriu a imagem da China perante os países ocidentais.
A educação é outro assunto em que os jovens se têm manifestado, exigindo melhores condições de aprendizagem e, por vezes, até o direito à mesma, o que veio a configurar-se uma conquista adquirida.
Malala Yousafzai é um exemplo de uma jovem que, desde muito jovem, ficou conhecida pelo seu ativismo a favor da educação feminina no distrito de Swat, no Paquistão, onde os membros do Estado Islâmico impediam as jovens de frequentar a escola. Malala tornou-se rapidamente conhecida como a jovem que lutou pelo direito à educação, demonstrando a sua capacidade argumentativa e interventiva, que permitiram alertar o mundo para as dificuldades sentidas no Médio Oriente.
Em conclusão, a intervenção dos jovens na sociedade é gratificante na medida em que permite não só reformular valores e normas mas também mentalidades, levando a alterações vantajosas para a vida em sociedade.

Autor: Hugo Dezerto, nº 10,  11º B
Prof. João Morais