O BlogBESSS...

Bem-Vindos!


Blog ou Blogue, na grafia portuguesa, é uma abreviatura de Weblog. Estes sítios permitem a publicação e a constante atualização de artigos ou "posts", que são, em geral, organizados através de etiquetas (temas) e de forma cronológica inversa.


A possibilidade de os leitores e autores deixarem comentários, de forma sequencial e interativa, corresponde à natureza essencial dos blogues
e por isso, o elemento central do presente projeto da Biblioteca Escolar (BE).


O BlogBESSS é um espaço virtual de informação e de partilha de leituras e ideias. Aberto à comunidade educativa da ESSS e a todos os que pretendam contribuir para a concretização dos objetivos da BE:

1. Promover a leitura e as literacias;

2. Apoiar o desenvolvimento curricular;

3. Valorizar a BE como elemento integrante do Projeto Educativo;

4. Abrir a BE à comunidade local.


De acordo com a sua natureza e integrando os referidos objetivos, o BlogBESSS corresponde a uma proposta de aprendizagem colaborativa e de construção coletiva do Conhecimento, incentivando ao mesmo tempo a utilização/fruição dos recursos existentes na BE.


Colabore nos Projetos "Autor do Mês..." (Para saber como colaborar deverá ler a mensagem de 20 de fevereiro de 2009) e "Leituras Soltas..."
(Leia a mensagem de 10 de abril de 2009).


Não se esqueça, ainda, de ler as regras de utilização do
BlogBESSS e as indicações de "Como Comentar.." nas mensagens de 10 de fevereiro de 2009.


A Biblioteca Escolar da ESSS

PS - Uma leitura interessante sobre a convergência entre as Bibliotecas e os Blogues é o texto de Moreno Albuquerque de Barros - Blogs e Bibliotecários.


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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

A beleza de um sorriso


Era uma manhã normal, estava fechada no carro à espera que houvesse um milagre e que o tempo parasse. Tempo, aquilo que se diz infinito mas, no entanto, voa e nós nem damos por isso. Portanto, se ele parasse, teríamos todo o “tempo” do mundo (não foi a palavra mais adequada, mas não encontro uma outra palavra que defina tempo) para vivermos e aproveitarmos os bons momentos de uma forma mais intensa. Mas que sei eu sobre tempo?

Para me distrair deste pensamento, liguei o rádio. Mas sem sucesso. Por isso, olhei para o lado de fora da janela; poderia ser que encontrasse algo que não encontrava dentro do veículo onde me achava, todavia tudo o que vi foram pessoas também agitadas e posso crer que todas desejariam o mesmo que eu. “Este mundo e esta pressão estão a dar cabo de nós”, pensei.

Voltei para a posição que estava antes de olhar pela janela: pensativa e a ouvir palavras, melodias, rimas, vozes que não me diziam nada. É então que a música no rádio parou por um pouco e houve um silêncio mais prologado do que o habitual, despertando-me a audição. Depois de algum tempo deste silêncio que nada dizia nem acrescentava, apenas preenchia mais um espaço, soou uma voz não muito grave, uma voz que não era a do locutor, uma voz que não conhecia. Essa voz lia-me os pensamentos. Sabia perfeitamente o que estava a sentir, não que o tivesse dito, mas sentia-o assim como sinto que a vida está a andar muito depressa e nada posso fazer para a agarrar. Contudo, ao contrário de mim, essa voz tinha uma solução simples e eficaz para este meu problema: sorrir. Uma solução bastante consciente, devo dizer.

Dizia cada vez mais alto e de forma mais cativante para sorrirmos para as outras pessoas, porque, no fundo, o que todos pretendemos é darmos uma maior beleza ao mundo. Mandava sorrir para acabar com o muro que se ergue entre nós sempre que saímos de casa.

Olhei para o lado e vi… vi algo inexplicável. Todos sorriam, todos eram simpáticos e atenciosos de tal forma que me deixou com vontade de parar o tempo para sempre. Desta vez não para conseguir chegar a horas ao trabalho ou mesmo poder ver quem já nunca mais vai voltar. Desta vez era para recordar para sempre aquele momento. Há melhor forma de recordar tal e qual como é sem ser vivendo para sempre neste momento?

Por isso, sorri também. Mas sorri genuinamente porque toda aquela simpatia deixava-me fascinada. E então surgiu-me uma outra pergunta, que uma outra voz conseguirá responder: porque não sorrir sempre? Porquê toda esta arrogância? Enquanto essa voz não aparece, penso que só o mais profundo sentimento de cada pessoa vai saber responder.

Cheguei atrasadíssima ao trabalho, mas cheguei a sorrir, porque, com simpatia e amor, o mundo torna-se um lugar muito melhor. Um lugar onde dá vontade de nunca mais partir. Um lugar onde não nos ocupamos com o desejo de parar o tempo, pois torna-se um lugar que dura para sempre. 

Madalena Santos, n.º 18 9.º F
(2019/2020)

Prof.ª Raquel Teixeira



quarta-feira, 6 de abril de 2016

A educação na vida de cada um...

       
        A educação tem um papel fundamental na vida de cada pessoa, independentemente de vir dos manuais ou de casa, pois molda quem somos e transforma-nos em membros de uma sociedade.
       Por um lado, a “Escola da Vida” é fundamental no desenvolvimento de cada um, pois é aqui que se aprende a viver na realidade. No mundo real, cada um tem de aprender a responder por si próprio, a “desenrascar-se” quando as coisas não correm como planeado, a ser independente e autónomo e até a escolher o caminho mais seguro para voltar para casa à noite. Se a escola nos trata a todos como iguais, a “Escola da Vida” mostra-nos o contrário. É nela que desenvolvemos a nossa personalidade e nos tornamos quem somos. Por exemplo, quem tem pais demasiado protetores não tem acesso à “Escola da Vida” e acaba por crescer sempre dependente de alguém e sem se aventurar para fora da zona de conforto.
        Por outro lado, a “Escola da Vida” não é tudo. Para desenvolver muitas das habilidades necessárias a uma vida saudável e equilibrada, é preciso aprender “o que vem nos manuais”. Sem a escola, ninguém saberia ler, escrever ou fazer contas com mais de dois dígitos. A escola dá-nos conhecimentos analíticos fundamentais, assim como uma base de cultura geral, para além de ensinar o que está por trás das disciplinas (por exemplo, em matemática não se aprende apenas as operações, mas sim a pensar lógica e analiticamente). A escola em si também promove o contacto com outras pessoas, ajuda a abrir mentes e ensina a cooperação e o trabalho em grupo.
      Concluindo, para a formação pessoal de cada um é necessário um equilíbrio entre conhecimentos práticos e teóricos, apenas alcançado através de vários tipos de educação.
                                                                                                                                              Março 2016

                                                                                                                                      
Clara Vieira, 12º C

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

"Histórias de amor"

Do nosso aluno Tiago Rosa, 10°D, 2013-14


Histórias de amor
  
Em Shakespeare encontrei inspiração
Em Romeu e Julieta encontrei amor
E em Hamlet dor.
Mas é assim que eu vivo
A escrever o que me vem do coração.

Perdido de amor eu estou
Pela minha rainha.
Pois agora acabou
E tu ficaste só minha.

5 de agosto de 2012

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

"Se eu fosse..."

Do nosso aluno Tiago Rosa, 10°D, 2013-14

Se eu fosse…

Se eu fosse pequenino
corria, brincava, saltava
mas sempre com tino.

Se eu fosse um cão,
cheirava, dormia, comia
e ia ao Japão
p’ra fazer ão,ão.

Se eu fosse uma serpente,
comia os ratos da vizinha.
E depois afiava o dente
num fio de linha.

Se eu fosse falcão
sonhava rosnar como o leão.
E voava p’los ares
p’ra apanhar um avião.

Se eu fosse Deus
governava os céus
com o meu irmão Zeus,
escondido entre os véus.

Mas se eu fosse como sou
amava com quantas forças tinha
pois a acabar eu estou
de te coroar minha rainha.

E foi assim
que cheguei ao fim.
Pousando a minha caneta,
imaginei o que vi
enquanto era beijado por ti.


3 de julho de 2012

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Poema original, elaborado a propósito da lírica de Camões

Poema da aluna Marta Silva, 10º A, 2012/13
Prof.ª Maria dos Anjos Guincho  

Helena

Possuidora de rara beleza,
Assim era Helena,
Prateada de pureza,
Divina da Natureza.

Será da Natureza,
Ou da mais alta realeza?
A única certeza
é chamar-se Helena.

De pele clara
E longos cabelos finos
Que os homens para,
Até os mais divinos.

O mais encantador
Era os seus verdes olhos
Na cabeça uma flor
E um véu cheio de folhos.

De tão imensa serenidade
Era assim a encantadora Helena,
Nem parecia mulher de verdade,
Parecia a deusa da Natureza. 
 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Biografia Ilustrada de Fernão Lopes

Trabalho realizado por Bruno Pereira, nº 3, 10º I, 2011/12
Prof. João Morais
 














































Edição: José Fernandes Rodríguez

domingo, 23 de outubro de 2011

Análise da função do mar nas Cantigas de Amigo

Trabalho realizado por Bruno Pereira, nº 3, 10º I, 2011/12
Prof. João Morais

 

O mar, como a natureza de uma maneira geral, está presente nas cantigas de amigo. No caso específico do mar, isso acontece ainda mais recorrentemente nas barcarolas ou marinhas – subgénero das cantigas de amigo –, que convocam cenários ligados à civilização e à cultura das gentes do noroeste da Península Ibérica. Este elemento da natureza adquire três funções fundamentais.
 Em relação à função de cenário (espaço físico), o mar tem a funcionalidade servir de plano de fundo para o encontro entre a donzela e o amigo. Por exemplo, na cantiga de romaria de Martim Codax “Mia irmana fremosa, treides comigo”, há a referência ao mar (“ […] u é o mar salido.”; “E miraremos las ondas!”), que serve de enquadramento cénico para o encontro amoroso entre a donzela e o amigo. Veremos que este cenário ultrapassará o mero valor de espaço físico. 

Relativamente à função de confidente, a donzela dirige-se às ondas, lamentando o afastamento, a demora, a traição ou a partida do seu amado. Por vezes, confia-lhe as consequências no seu coração da ida do amigo para o ferido, ou seja, a guerra, suplicando-lhe notícias do mesmo. Por exemplo, na cantiga “Ondas do mar de Vigo”, de Martim Codax, a donzela confia ao mar o seu desconhecimento do paradeiro do seu amigo (“ se vistes meu amado!”), pois este ainda não chegou para, assim, privar com ela (“E ai Deus, se verrá cedo!”). O mar toma, muitas vezes, o lugar da mãe ou das amigas, em situações em que não é exigido um grau de intimidade tão expressivo.

Uma outra função do mar é a sua simbologia. O mar pode, assim, espelhar o estado de alma da donzela perante a perda ou a ausência do seu amigo através da própria configuração das ondas.

Por exemplo, na barcarola de Meendinho “Sedia-m’ eu na ermida de San Simhon”, é particularmente sugestiva a violência crescente das ondas do mar (“[…] ondas grandes do mar”; “[…] ondas do alto mar), que, por metonímia, será uma extensão do desespero da donzela perante a ausência do seu amigo, desespero este que é levado ao paroxismo da turbulência e, assim, da angústia da donzela (“Morrerei [e] fremosa no alto mar”). O movimento das ondas do mar é sugerido através da recorrência de sons nasais (“e cercaron-mh as ondas, que grandes son!”; “Eu atendend’o meu amigo”). Esta aliteração é particularmente expressiva ao nível do estado de alma do sujeito lírico, já que conota a sua melancolia, que culminará na representação da própria morte de amor (“Nen ei [i] barqueiro, nen sei remar!”; “morrerei [e] fremosa no mar maior!”).

            A natureza detinha uma importância incontornável nas civilizações primitivas na medida: a rivalidade existente entre elas dissipava-se na prática do único vínculo que as aproximava – a prática das romarias a santuários, pela sua dupla valência do sagrado e do profano:



Mia irmana fremosa, treides comigo

A la igreja de Vig’ u é o mar salido:

E miraremos las ondas!

Martim Codax



            A Natureza, em geral, e o mar, em particular, pela sua afinidade mágica com a vida, concorriam para uma configuração extraordinária do encontro do Céu com a Terra, ou seja, do sagrado com o profano.


Edição: José Fernandes Rodríguez  

terça-feira, 8 de março de 2011

A Utopia na Condição Humana: Beleza e Juventude Eterna

Trabalho realizado por  Rita André,  12º B, 2010/11 
Prof. João Morais


Uma utopia é um sonho de difícil realização, uma meta que tentamos alcançar. É através de utopias que o mundo evolui e persegue determinados objectivos. O que foi uma utopia no século passado actualmente pode ser vulgar.
Partindo deste pressuposto, com este texto, pretendo reflectir acerca dos conceitos de beleza e juventude que vigoram na sociedade actual, que são adoptados por muitas pessoas numa tentativa de adquirirem o que consideram ser a aparência perfeita.
Devemos analisar o conceito de beleza ao longo da História, pois ele está sempre em mudança. Se, num passado recente, ter uns quilos a mais era sinónimo de beleza e saúde, nos dias de hoje, o ideal de beleza é outro: as mulheres devem ser esbeltas e muito magras. Esta preocupação desmedida com a magreza acarreta consequências como o aparecimento de doenças associadas a uma alimentação desequilibrada, por exemplo a anorexia e a bulimia. Quem lucra com esta obsessão são os autores de dietas para emagrecer que prometem milagres em pouco tempo, a indústria farmacêutica que produz medicamentos para queimar calorias e as clínicas de cirurgia plástica que se proliferam um pouco por toda a parte. Estas passam de um luxo das classes altas que pretendem obter uma melhor imagem e de vítimas de acidentes que necessitavam de reconstruir partes do seu corpo para uma necessidade de muitas pessoas que pretendem atingir um ideal de beleza.
Poderíamos considerar que este género de dilemas apenas afecta as pessoas mais jovens, que são influenciadas pelos meios de comunicação social e pela imagem das modelos que vêm em desfiles de moda, que são um ícone de beleza para muitos.
 Mas não!
As mulheres de meia-idade são extremamente atingidas pela necessidade de terem uma aparência jovem e para isso despendem muito dinheiro em tratamentos como injecções de botox para ficarem com menos rugas e lipoaspirações para retirarem as gorduras que se acumulam com a idade. Algumas mulheres mais frágeis e obcecadas com a beleza mas sem condições para pagar este género de intervenções entram em depressão e podem mesmo tentar o suicídio.
Mas o ideal de beleza não existe apenas para as mulheres, os homens também estão a ficar dependentes e a ter mais cuidados com a sua imagem por exemplo, utilizando cremes de beleza e fazendo depilação.
Esta obsessão que afecta a sociedade actual relacionada com a aparência física tanto de homens como de mulheres deve-se, sobretudo, ao marketing e ao mundo da moda. As pessoas deixaram de se preocupar com as suas vivências interiores e vivem com o objectivo de conseguir a beleza e juventude eternas, mas este objectivo é utópico, pois nenhum ser humano consegue a perfeição absoluta. Este conceito é abstracto, mudando de pessoa para pessoa e de sociedade para sociedade. No entanto, continuamos a lutar pela sua concretização e até produzimos lendas como a “fonte da juventude” a água desta fonte dava a juventude eterna a quem a consumisse. Não seria de admirar de no futuro inventarem uma bebida e de vir a haver muita gente que a comprará na esperança de ter para sempre 20 anos.
Será possivel encontrar solução para esta utopia? Como disse Victor Hugo: “Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã”.
Em relação à questão da juventude eterna, existe um enigma que intriga a comunidade científica: o caso da jovem Brooke Greenberg que parou no tempo, ou seja, ela tem 17 anos mas tem as características de uma bebé de um ano. Especialistas em Genética esperam que, comparando o DNA de Brooke com o de uma pessoa normal, possam vir a descobrir os mecanismos que controlam o envelhecimento, encontrando, assim, uma verdadeira fonte de juventude. Será esta criança a chave para a utopia da juventude?
Para a questão da beleza, não é possível afirmar que esta utopia será atingida pois é difícil para nós definir o que é belo. Contudo, aceitar o que somos e vivermos a vida com confiança e sem preocupações fúteis pode ser a resposta para a verdadeira beleza. Uma mulher insegura com um nariz feio vai continuar a ser insegura e a encontrar outros defeitos com um nariz bonito.
Em conclusão, a procura da perfeição física é constante na nossa sociedade actual interferindo com a vida de muitos. Considero que esta afirmação de Josué Montello explica bem o papel da utopia na condição humana: "Pode-se dizer, sem receio de erro, que a utopia é consubstancial à condição humana. Ninguém realiza sem sonhar."

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Texto de reflexão – "O lugar da utopia na condição humana"

Trabalho realizado por  Inês Silva Machado, Nº16,  12º A, 2010/11 
Prof. João Morais



A vida do Homem tem-se baseado numa luta permanente, numa tentativa de alcançar a utopia, com uma ânsia de encontrar um estado ideal e imaginário de um governo, de uma sociedade, de uma filosofia, de uma realidade. Assim, a concepção de perfeição da condição humana é atingida quando o Homem, com o progresso da ciência e da tecnologia, consegue criar um ser geneticamente perfeito, em equilíbrio com o meio ambiente e com os que o rodeiam. É uma utopia inacessível mas constantemente desejada.
A invasão de doenças e outros agentes patogénicos na vida condiciona o ser humano em muitos aspectos e, por isso, alguns ramos da Biologia e da Química têm-se esforçado para encontrar fórmulas e métodos que corrijam essas imperfeições. A fabricação de insulina em laboratório, aplicada em indivíduos com a diabetes, por exemplo, garante que estes tenham os níveis de açúcar dentro da normalidade assegurando-lhes, assim, conforto e a possibilidade de criarem uma vida sem impedimentos. Apesar dos progressos feitos, essencialmente, no último meio século, tanto neste caso como noutros (mais complicados), a imprevisibilidade do organismo animal e as agressões ambientais limitam a busca de um corpo e de uma mente sem distúrbios e em sintonia com o exterior.
Além do auxílio das investigações bioquímicas na procura de segurança do Homem, a Medicina contribui bastante para a cura de várias más formações, quer sejam estas inatas ou adquiridas (acidentes, por exemplo). É, também, na Medicina que os pontos frágeis do nosso corpo se transformam em pontos fortes, ou pelo menos, razoáveis. A implantação de próteses em indivíduos sem um membro ou a recuperação da visão noutros que eram desprovidos desta têm consequências muito positivas para a nossa espécie contornando alguns problemas, entre eles os motores. Estes métodos não são mecanismos evolutivos (nem nada que se assemelhe), mas conferem-nos uma qualidade de vida aceitável tornando-os mais eficientes e qualificados no desempenho das suas tarefas. Contudo, em casos em que haja implicação do ADN, a intervenção da Medicina é mais complicada havendo situações de complexidade, tanta que não é possível detectar e suprimir as imperfeições.
É, de facto, na Epigenética que se centra a questão de impossibilidade de alcance da perfeição. A Epigenética defende que a actividade de qualquer indivíduo é influenciada, sobretudo, pelo ambiente e não pelo que está inscrito nas células. Deste modo, é aceitável que uma alteração no meio, espontânea e imprevisível, cause distúrbios num Homem que, em conjunto com a ciência, estava a ser melhorado para corrigir as falhas de um ambiente anterior. A modificação na Natureza coloca interferências ao nível dos instrumentos utilizados que se tornam incapazes face às novas mudanças e do Homem que se situa menos adaptado, sendo necessário criar, novamente, caminhos a fim de o homem se aproximar do equilíbrio que o rodeia. Quando este está prestes a combater as adversidades do exterior, é possível que surja uma nova alteração que condicione a actividade do Homem cientista.
Em suma, o trabalho de cientistas e outros profissionais contribui em muito para uma melhoria da qualidade de vida e para a construção de um Homem mais rentável. É neles que se sustenta o aumento da esperança média de vida e é neles que reside a expectativa de uma sociedade melhor e mais evoluída. No entanto, a espontaneidade da Natureza e do Homem cria obstáculos que não são fáceis de ultrapassar nunca sendo possível chegar-se a um ideal – a uma visão utópica da raça humana.

Fevereiro de 2011

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O lugar da utopia na condição humana - Texto de Reflexão

Trabalho realizado por  Inês Silva Machado, Nº16,  12º A, 2010/11    
Prof. João Morais 
 
A vida do Homem tem-se baseado numa luta permanente, numa tentativa de alcançar a utopia, com uma ânsia de encontrar um estado ideal e imaginário de um governo, de uma sociedade, de uma filosofia, de uma realidade. Assim, a concepção de perfeição da condição humana é atingida quando o Homem, com o progresso da ciência e da tecnologia, consegue criar um ser geneticamente perfeito, em equilíbrio com o meio ambiente e com os que o rodeiam. É uma utopia inacessível mas constantemente desejada.
A invasão de doenças e outros agentes patogénicos na vida condiciona o ser humano em muitos aspectos e, por isso, alguns ramos da Biologia e da Química têm-se esforçado para encontrar fórmulas e métodos que corrijam essas imperfeições. A fabricação de insulina em laboratório, aplicada em indivíduos com a diabetes, por exemplo, garante que estes tenham os níveis de açúcar dentro da normalidade assegurando-lhes, assim, conforto e a possibilidade de criarem uma vida sem impedimentos. Apesar dos progressos feitos, essencialmente, no último meio século, tanto neste caso como noutros (mais complicados), a imprevisibilidade do organismo animal e as agressões ambientais limitam a busca de um corpo e de uma mente sem distúrbios e em sintonia com o exterior.
Além do auxílio das investigações bioquímicas na procura de segurança do Homem, a Medicina contribui bastante para a cura de várias más formações, quer sejam estas inatas ou adquiridas (acidentes, por exemplo). É, também, na Medicina que os pontos frágeis do nosso corpo se transformam em pontos fortes, ou pelo menos, razoáveis. A implantação de próteses em indivíduos sem um membro ou a recuperação da visão noutros que eram desprovidos desta têm consequências muito positivas para a nossa espécie contornando alguns problemas, entre eles os motores. Estes métodos não são mecanismos evolutivos (nem nada que se assemelhe), mas conferem-nos uma qualidade de vida aceitável tornando-os mais eficientes e qualificados no desempenho das suas tarefas. Contudo, em casos em que haja implicação do ADN, a intervenção da Medicina é mais complicada havendo situações de complexidade, tanta que não é possível detectar e suprimir as imperfeições.
É, de facto, na Epigenética que se centra a questão de impossibilidade de alcance da perfeição. A Epigenética defende que a actividade de qualquer indivíduo é influenciada, sobretudo, pelo ambiente e não pelo que está inscrito nas células. Deste modo, é aceitável que uma alteração no meio, espontânea e imprevisível, cause distúrbios num Homem que, em conjunto com a ciência, estava a ser melhorado para corrigir as falhas de um ambiente anterior. A modificação na Natureza coloca interferências ao nível dos instrumentos utilizados que se tornam incapazes face às novas mudanças e do Homem que se situa menos adaptado, sendo necessário criar, novamente, caminhos a fim de o homem se aproximar do equilíbrio que o rodeia. Quando este está prestes a combater as adversidades do exterior, é possível que surja uma nova alteração que condicione a actividade do Homem cientista.
Em suma, o trabalho de cientistas e outros profissionais contribui em muito para uma melhoria da qualidade de vida e para a construção de um Homem mais rentável. É neles que se sustenta o aumento da esperança média de vida e é neles que reside a expectativa de uma sociedade melhor e mais evoluída. No entanto, a espontaneidade da Natureza e do Homem cria obstáculos que não são fáceis de ultrapassar nunca sendo possível chegar-se a um ideal – a uma visão utópica da raça humana.

Fevereiro de 2011

sábado, 11 de dezembro de 2010

MEDITAÇÃO DE PERCEVAL de João Morais


Escrito uma noite em Londres, depois de uma récita do PARSIFAL, de Wagner.


MEDITAÇÃO DE PERCEVAL

deram-me um nome e fui ungido de castidade
o instinto guiou-me actos e passos
louco por perder o que não me deixaram escolher
ganhei a redenção
perdi a humanidade

pensar dói
como quem magoa o corpo
neste desencontro inevitável

tenho medo
movo-me na abertura da terra
por entre corpos que deixei traídos
miséria da existência divina

esta lança
que dizem santa
é o preço da renúncia
cisne mãe mulher
morte no feminino

meu filho resgatará o cisne
a romper o ar
no desenho da dor
de não dizer o nome

minha mãe não sofreu
a pena da deserção
anunciada de uma voz
provação de um deus por ser

o beijo de mulher deu-me luz
reclamada de deuses
miséria de uma existência divina
inconclusa
plena de pesar

louco de sedução e espírito
submisso do destino
que rege terra e céu
germe de perda
para sempre

habitar o corpo por dentro
clausura de paredes
sei que só vou habitar este corpo

um pássaro rompe os ares
desenha formas redondas

recolho-me no mar
murmúrio de um desejo incontido
desejo de ouvir o segredo adiado

verei de novo o mar
destino do meu ser
cansado
nos dias esgotados de divindade

                                                                  João Morais 
                                                                  Novembro de 2004