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Blog ou Blogue, na grafia portuguesa, é uma abreviatura de Weblog. Estes sítios permitem a publicação e a constante atualização de artigos ou "posts", que são, em geral, organizados através de etiquetas (temas) e de forma cronológica inversa.


A possibilidade de os leitores e autores deixarem comentários, de forma sequencial e interativa, corresponde à natureza essencial dos blogues
e por isso, o elemento central do presente projeto da Biblioteca Escolar (BE).


O BlogBESSS é um espaço virtual de informação e de partilha de leituras e ideias. Aberto à comunidade educativa da ESSS e a todos os que pretendam contribuir para a concretização dos objetivos da BE:

1. Promover a leitura e as literacias;

2. Apoiar o desenvolvimento curricular;

3. Valorizar a BE como elemento integrante do Projeto Educativo;

4. Abrir a BE à comunidade local.


De acordo com a sua natureza e integrando os referidos objetivos, o BlogBESSS corresponde a uma proposta de aprendizagem colaborativa e de construção coletiva do Conhecimento, incentivando ao mesmo tempo a utilização/fruição dos recursos existentes na BE.


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PS - Uma leitura interessante sobre a convergência entre as Bibliotecas e os Blogues é o texto de Moreno Albuquerque de Barros - Blogs e Bibliotecários.


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quarta-feira, 3 de junho de 2020

Da exaltação do herói à denúncia civilizacional n'Os Lusíadas"


Recorrendo ao teu conhecimento ativo d’Os Lusíadas, constrói um texto bem estruturado de 200 palavras, no qual apresentes a dupla vertente de exaltação do herói e da denúncia na Epopeia. 

Resposta:

Na Epopeia Os Lusíadas, o Poeta apresenta duas vertentes: a da exaltação do herói e a da denúncia civilizacional. A denúncia ocorre principalmente no final dos Cantos, quando o Poeta reflete sobre a sociedade do seu tempo, ou seja, sobre a geração cuja decadência se faz sentir em 1572, data da publicação da Epopeia.

A primeira destas reflexões acontece no final do Canto I quando o Poeta disserta sobre a incerteza na vida do Homem (Est.105, vv.7-8) e evidencia a sua fragilidade. Ultrapassar estas dificuldades contribui para a sublimação e o engrandecimento do herói d’Os Lusíadas.

O Poeta volta às suas reflexões no fim do Canto V, criticando a ignorância do povo português pelas Artes e Letras. Esta ignorância pode levar ao desaparecimento daqueles que cantam e imortalizam os feitos dos portugueses e assim as próximas gerações não serão incentivadas a ultrapassar estes feitos (Est.92, vv.3-4).

As reflexões do Poeta continuam até ao fim da Epopeia. No Canto VII, o Poeta denuncia a ingratidão dos portugueses que não sabem reconhecer o seu mérito e excluirá do seu canto aqueles que não lutarem pelo Rei (Est.84, vv.1-4).

As denúncias do Poeta regressam no final do Canto VIII, com a denúncia do poder do dinheiro, corruptor do Homem (Est.96.vv.7-8) ao nível de vícios como a traição (Est.98, vv.1-4), a corrupção das consciências (Est.98,. vv.5-8), da injustiça (Est.99, vv.1-2), promovendo o perjúrio (Est.99, v.3), a tirania (Est.99, v.4) e a hipocrisia (Est.99, vv.5-8).

De facto, no Canto IX, enquanto o Poeta reflete sobre o significado da Ilha dos Amores, sendo esta uma recompensa de Vénus pelo esforço dos portugueses (Est.88, vv.7-8), reforça as críticas apresentadas no Canto VIII, evidenciando a tensão entre a geração de Vasco da Gama e a geração em que Camões se encontra, sendo a primeira caracterizada por verdadeiros heróis que “[p]or feitos imortais e soberanos, / [...] / Divinos os fizeram, sendo humanos” (Est. 91 vv.2-4) e a segunda, por ignorantes e preguiçosos (Est. 92, vv.7-8).

Em adição a isso, no Canto X, o Poeta mostra-se triste e cansado porque a Pátria não reconhece o seu valor (“influxo do Destino / Não tem ledo orgulho” - est.146, vv.1-2). No entanto, o Poeta exorta o Rei a liderar o seu povo de «vassalos excelentes» para que continuem a realizar feitos valerosos pela nação (“Favorecei-os logo, e alegrai-os” - est.149, v.1) e ainda se disponibiliza a cantar os feitos futuros do rei numa nova epopeia (“Pera servir-vos, mente às Musas dada” - est.155, v.2). No fim da obra, Camões reforça uma ideia apresentada ao longo da obra (Canto V, est. 96, v.3), reforçando o modelo ético do herói, pois conjuga os valores enquanto homem social ao lado bélico e ao lado artístico (“Mas, nua mão a pena e noutra a lança”).

Concluindo, o Poeta reconhece os feitos dos portugueses e exalta o herói na sua obra, mas denuncia algumas das suas atitudes para que os portugueses possam aprender com os seus erros e continuem a ser imortalizados no futuro.

Autor: Joel Amorim, 10º E

Prof. João Morais

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Cenário de resposta da primeira parte da ficha de Português (Os Lusíadas)


Com base na leitura e na análise feita da estrofe 92 do Canto V d’ Os Lusíadas, explica o seu sentido.
Deves, impreterivelmente, documentar as tuas afirmações com palavras e expressões do texto.
       ……………………………………………………………………………………

Na presente estrofe é valorizada a poesia (e a arte) enquanto fruição e motivo ao mesmo tempo de deleite e de elevação humana.
Os feitos alcançados pelos heróis são celebrizados pelos poetas que cantam esses mesmos feitos (“Quão doce é o louvor e a justa glória / Dos próprios feitos, quando são soados”).
Os homens de elevados pensamentos ambicionam ultrapassar os seus rivais (conceito de emulação), de modo a atingirem obras valerosas para serem cantados e lembrados pelos poetas (“Qualquer nobre trabalha que em memória/Vença ou iguale os grandes já passados”).
Os grandes feitos merecem ser celebrizados por terem superado os feitos do passado, suscitando a inveja dos rivais, que foram ultrapassados (“As envejas da ilustre e alheia história/Fazem mil vezes feitos sublimados.”).
Cantando os seus feitos, os poetas irão recompensar os heróis que atingem determinados feitos (“Quem valerosas obras exercita,/Louvor alheio muito o esperta e incita”).
Na estância 92 do canto V, o Poeta reflete, assim, sobre o facto de a arte, nomeadamente a poesia, ser fundamental para o engrandecimento e a sublimação dos feitos dos heróis, de modo a que as suas obras valerosas perdurem no tempo e sejam lembradas no futuro. Esta valorização da poesia e da arte inscreve-se na altura do Renascimento (movimento artístico e filosófico do século XV), tendo-se passado a dar muito mais importância à poesia e à arte. O poeta preconiza a glorificação dos heróis para incentivar a sociedade a fazê-la seguir os seus exemplos (vertente ética da arte).

Autor: Joel Amorim, nº11, 10º E 
Prof. João Morais


quinta-feira, 1 de junho de 2017

Os Lusíadas: um poema de denúncia

    
   Na obra Os Lusíadas, de Luís de Camões, existem duas vertentes: por um lado, a ideia de exaltação do herói coletivo e dos seus feitos heróicos e, por outro lado, a ideia de desânimo, desalento e denúncia do Poeta face aos seus contemporâneos, que representam a decadência civilizacional do povo português outrora protagonista de grandes feitos.
     Ao longo da Epopeia, o herói é descrito de acordo com o rígido modelo de heroísmo estabelecido por Camões. Esse herói coletivo, segmento alargado inscrito no povo português, é exaltado pelos seus feitos extraordinários, que o fazem ultrapassar a condição humana e elevar-se ao nível dos deuses.
     Pelo contrário, também se verifica uma vertente de denúncia geralmente no final dos cantos, no plano das reflexões do Poeta, onde Camões faz intervenções nas quais reflete em relação à atuação dos Portugueses seus contemporâneos. Nessas reflexões, o Poeta denuncia, entre outros aspetos, a incultura e o materialismo da civilização portuguesa do mal de Quinhentos. Estas mesmas denúncias tomam lugar nos finais dos cantos I,V, VIII, IX e X.
Assim, no final do canto I, Camões reflete acerca da falsidade (“Que os pensamentos eram de inimigos.”) e da incerteza que marca a vida do Homem, provocada pela fragilidade da condição humana (“Que não se arme e indigne o céu sereno / Contra um bicho da terra tão pequeno”), acabando por mostrar a coragem e a persistência do herói épico face aos obstáculos que encontra.
     No final do canto V, o Poeta censura o desprezo dos Portugueses pelas Letras e pelas Artes e conclui que, se esta atitude prevalecer, poderá levar ao desaparecimento do canto épico em Portugal (“Sem vergonha o não digo: que a razão / De algum não ser por versos excelente / É não se ver prezado o verso e rima”. – est. 97), o que impedirá o aparecimento de novos heróis (est. 98, vv. 1-4). Camões destaca ainda o papel didático e cívico do canto, que incentiva as gerações seguintes a procurarem ultrapassar a grandeza dos seus feitos (“Qualquer nobre trabalha que em memória / Vença ou iguale os grandes já passados”- est. 92).
     No canto VIII Camões denuncia a excessiva importância dada ao dinheiro, o qual tem o poder de corromper o ser humano, independentemente da sua classe social (“Quanto no rico, assi como no pobre, / Pode o vil interesse e sede imiga / Do dinheiro, que a tudo nos obriga.”- est. 96) e recorre à mitologia greco-latina para demonstrar os vários efeitos do dinheiro (est. 97), afirmando que este incita à traição, à injustiça, à tirania e à hipocrisia, e corrompe as consciências (est. 98-99).
No final do canto IX, o Poeta explicita o significado da Ilha dos Amores, referindo que esta recompensa representa a imortalidade, que aguarda todos os que ultrapassarem o limite humano, elevando-se à condição de heróis (“Divinos os fizeram sendo humanos”). Além disso, enumera as condições necessárias para que o Homem alcance a glória (est.93,94,95) prometendo que serão mencionados entre os heróis se apresentarem essas condições (“ (…) e numerados / Sereis entre os Heróis esclarecidos / E nesta “Ilha de Vénus” recebidos”).
Por fim, nas estrofes finais do canto X, Camões dirige-se a Calíope para expressar o seu desânimo e cansaço face à indiferença dos seus contemporâneos (“No mais Musa, no mais, que a Lira tenho”.). Refere que a nação está mergulhada na cobiça e na rudeza (“No gosto da cobiça e na rudeza/ Dhua austera e vil tristeza”), mostrando o seu desalento face à decadência moral de Portugal. Dirige-se ainda ao monarca D. Sebastião para que ele continue a guiar os heróis para a glória e grandeza do reino, na companhia de Portugueses com valor (“Senhor só de vassalos excelentes.”).
     Em suma, Camões tem orgulho nos portugueses do passado que realizaram feitos grandiosos ao darem “novos mundos ao mundo”, utilizando, de certa forma, a vertente de denúncia de uma maneira didática, como forma de incentivar os seus contemporâneos a serem igualmente protagonistas de feitos extraordinários, alertando-os para os valores e virtudes que devem cultivar.

Autor: Inês Vidal , 10ºB
Prof. João Morais

sábado, 16 de abril de 2016

A conceção do herói n’ Os Lusíadas


N’ Os Lusíadas existem duas vertentes contrastantes: a ideia de exaltação de Camões face aos feitos heroicos dos portugueses do passado – mundividência positiva de inspiração renascentista – e a ideia de desânimo e desalento do Poeta em relação aos seus contemporâneos, que representam a decadência civilizacional de um povo – mundividência negativa de inspiração maneirista do final de Quinhentos. Isto verifica-se ao nível civilizacional porque, na época de Camões, o heroísmo e os valores da excelência tinham sido substituídos pela corrupção e pela ganância suscitadas pelas riquezas orientais.
Ao longo da Epopeia, o herói é descrito de acordo com o rígido modelo de heroísmo estabelecido por Camões. Esse herói coletivo, que é um segmento alargado do povo português, é apresentado como um ideal humano que, por realizar feitos extraordinários, ultrapassa a sua condição de homem e eleva-se ao nível dos deuses. No entanto, no final dos vários cantos, no Plano das reflexões do Poeta, o Épico faz intervenções nas quais reflete sobre a atuação dos seus contemporâneos.
No final do canto I, Camões termina com uma reflexão acerca da incerteza que marca a vida do Homem, provocada pela fragilidade da condição humana (“Que não se arme e indigne o céu sereno / Contra um bicho da terra tão pequeno?”- vv 7-8, est. 106), mostrando a vulnerabilidade do povo português face aos perigos que o rodeiam.
No final do canto V, o Poeta lamenta a falta de cultura e de interesse dos Portugueses pelas Letras, o que poderá levar ao desaparecimento do canto épico em Portugal (“Sem vergonha o não digo: que a razão / De algum não ser por versos excelente / É não se ver prezado o verso e rima” – vv 5-8, est 97).
No canto VII, o Épico lamenta ainda a ingratidão de que tem sido alvo da parte dos Portugueses, que não reconhecem o seu mérito pela elaboração de uma epopeia nacional (“Que assim sabem prezar, com tais favores, / A quem os faz, cantando gloriosos!” – vv 3-4, est 82), anunciando aqueles que excluirá do seu canto – os que antepõem os seus interesses aos do rei e da Pátria (“A quem ao bem comum e do seu Rei / Antepuser seu próprio interesse” – vv 2-3, est 84), os ambiciosos (“Nenhum ambicioso que quisesse / Subir a grandes cargos, cantarei” – vv 5-6, est 84), os exploradores do povo (“Quem com hábito honesto e grave, veio, (…) A despir e roubar o pobre povo!” – vv 6 e 8, est 85) e os que praticam a injustiça (“E não acha que é justo e bom respeito / Que se pague o suor da servil gente” – vv 3-4, est 86) – dizendo que apenas cantará aqueles que arriscaram a vida pelo Rei e pela Pátria (“Aqueles sós direi que aventuraram /Por seu Deus, por seu Rei, a amada vida, / Onde, perdendo-a, em fama a dilataram” – vv 1-3, est 87).
No canto VIII é feita uma crítica à excessiva importância dada ao dinheiro pelos contemporâneos de Camões (“Pode o vil interesse e sede imiga / Do dinheiro, que a tudo nos obriga” – vv 7-8, est 96).
No final do canto IX, o Poeta explicita o significado da Ilha dos Amores, referindo que esta recompensa representa a imortalidade, que aguarda todos os que ultrapassarem o limite humano, elevando-se à condição de heróis (“Caminho da virtude, alto e fragoso, / Mas, no fim, doce, alegre e deleitoso” – vv 7-8, est 90; “Divinos os fizeram sendo humanos” – v 4, est 91). Além disso, enumera as condições necessárias para que o Homem alcance a glória – não se deixar dominar pelo ócio (“Despertai já do sono do ócio ignavo / Que o ânimo, de livre, faz escravo.” – vv 7-8, est 92), pela cobiça e ambição (“E ponde na cobiça um freio duro, / E na ambição também, (…)” – vv 1-2, est 93), pela tirania (“Vício da tirania infame e urgente;” – v 4, est 93) ou pela injustiça (“Que aos grandes não deem o dos pequenos,” – v 2, est 94); contribuir para a expansão do Império português (“Fareis os Reinos grandes e possantes,” – v 5, est 94) e servir o seu rei (“E fareis claro o Rei que tanto amais,” – v 1, est 95) – prometendo que serão mencionados entre os heróis se apresentarem essas condições (“(…) e numerados / Sereis entre os Heróis esclarecidos / E nesta “Ilha de Vénus” recebidos.” – vv 6-8, est 95).
Em suma, Camões tem orgulho nos heróis portugueses do passado, utilizando, de certa forma, o Plano das reflexões do Poeta para incentivar os seus contemporâneos a inspirarem-se no passado e a realizarem atos heroicos. Assim, o Épico propõe um ideal de herói – por tão perfeito que ele deveria ser –, lamenta a ingratidão de que é alvo por parte dos Portugueses, decorrente, em parte, da sua falta de cultura, e exorta D. Sebastião a contribuir para o engrandecimento da Pátria.

Autora: Marisa Viana, 10ºC 

Prof. João Morais

sexta-feira, 15 de abril de 2016

A conceção de herói n’Os Lusíadas



          O herói d’Os Lusíadas é coletivo: trata-se duma parte do povo português que, ao longo da sua história, realizou obras excecionais, distinguindo-se pelo mérito e pelos seus valores.
A epopeia de Camões define um modelo de heroísmo. O herói corresponde a um ideal humano, estando ao serviço do rei, de Deus e da sua comunidade. Ascende a este estatuto aquele que, pelo mérito, pelas suas virtudes e pelos atos realizados, ultrapassa a sua condição de homem e se eleva a um plano superior. O herói conseguiu superar a sua fragilidade humana, passando por dificuldades tanto na guerra como no mar (Canto I, est. 106: «No mar tanta tormenta e tanto dano / (...) Na terra tanta guerra, tanto engano»), acabando por demonstrar a sua coragem e persistência face aos obstáculos.
Camões também reflete acerca da posição dos seus contemporâneos face às artes e às letras. O poeta destaca o papel didático e cívico do canto, que, ao imortalizar os heróis, incentiva as gerações seguintes a procurarem ultrapassar a grandeza dos seus feitos (Canto V, est. 92: «Qualquer nobre trabalha que em memória / Vença ou iguale os grandes já passados»). Lamenta a falta de cultura dos portugueses, que, apesar de bravos e destemidos, não valorizam a poesia e são insensíveis, pois «quem não sabe arte, não na estima» (Canto V, est. 98: «(...) a ventura / Tão ásperos os fez e tão austeros»), ao contrário do que sucedia com os guerreiros da Antiguidade (Canto V, est. 93-96: «E as armas não lhe impedem a ciência; / Mas, nũa mão a pena e noutra a lança»). A falta de interesse poderá levar ao desaparecimento do canto épico em Portugal, o que impedirá o aparecimento de novos heróis (Canto V, est. 98, vv. 1-4).
O poeta apresenta-se a si próprio como um exemplo da concretização do ideal de heroísmo definido no Canto V, na medida em que concilia os feitos guerreiros com a cultura. Ele evoca episódios da sua vida marcados pelas dificuldades e aponta para o facto de nunca ter deixado de cantar os feitos grandiosos dos seus concidadãos (Canto VII, est. 79-80: «A Fortuna me traz peregrinando, / Novos trabalhos vendo e novos danos»; «Nũa mão sempre a espada e noutra a pena»). Lamenta ainda a ingratidão de que tem sido alvo por parte dos portugueses, que não reconhecem o seu mérito pela elaboração de uma epopeia nacional (Canto VII, est. 81-82: «Trabalhos nunca usados me inventaram»; «Que assim sabem prezar, com tais favores»). Finalmente, anuncia aqueles que excluirá do seu canto: os que antepõem os seus interesses aos do rei e do bem comum, os ambiciosos, os exploradores do povo e os que praticam a injustiça (Canto VII, est. 84-86). Apenas cantará aqueles que arriscam a vida pelo Rei e pela Pátria (Canto VII, est. 87, vv. 1-4).
O herói apresenta ideias nobres e menospreza os valores mundanos do dinheiro e do poder. Camões denuncia a excessiva importância dada ao dinheiro, o qual tem o poder de corromper o ser humano, independentemente da sua classe social (Canto VIII, est. 96: «Quanto no rico, assi como no pobre, / Pode o vil interesse e sede imiga / Do dinheiro, que a tudo nos obriga.»). O poeta recorre à mitologia greco-latina para demonstrar os vários efeitos do dinheiro (Canto VIII, est. 97), afirmando que este incita à traição, à injustiça, à tirania e à hipocrisia, e corrompe as consciências (Canto VIII, est. 98-99).
Em suma, Camões glorifica os feitos admiráveis do herói d’Os Lusíadas, os portugueses ilustres, principalmente na guerra, imortalizando-os no processo ao difundir as suas ações heróicas através da escrita. Por outro lado, também exprime críticas em relação aos seus defeitos, nomeadamente a sua atitude de falta de apego aos valores espirituais.


Autora: Oleksandra Sokolan, 10ºC 

Prof. João Morais