Trabalho realizado pelos alunos Astha Corrêa, Maria Kopke e Íris Fonseca, Fevereiro 2013
Prof. João Morais
I (Astha Corrêa)
1. A passagem acima transcrita localiza-se, quanto à estrutura
externa, na cena VIII do ato I e, quanto à estrutura interna, no momento em que
Manuel de Sousa Coutinho regressa de Lisboa a Almada e anuncia a chegada dos
governadores que se aproximam, decidindo que o melhor para a família será
mudarem-se para a casa do primeiro casamento de Dona Madalena (“Rezaremos por
alma de D. João de Portugal nessa devota capela que é parte da sua casa”). A
fim de impedir que os governadores venham a instalar-se na sua casa, Manuel de
Sousa incendiá-la-á no final do ato I.
2.
Manuel de Sousa Coutinho, para convencer Madalena a mudar-se
para a sua primeira casa, desvaloriza a crença no destino por Madalena (“nunca
pensei que tivesses a fraqueza de acreditar em agouros”), tentando
reconfortá-la e fazê-la acreditar que D. João de Portugal está morto e, por
isso, não poderá separá-los (“não há espetros que nos possam aparecer senão os
das más acções que fazemos”), relembrando-a também da sua origem nobre
(“lembrai-vos de quem sois e de quem vindes, senhora”) e do facto de ele
necessitar de Madalena tranquila para poder manter-se igualmente calmo (“a
tranquilidade do espírito e a força do coração, que as preciso inteiras nesta
hora”).
3. Manuel, por um lado, é racional, não acredita no destino (“Não
há senão um temor justo, Madalena, é o temor de Deus”). É nacionalista e patriota
(“Há de saber-se no mundo que ainda há um português em Portugal”). É também
corajoso, rebelde e determinado. Está, porém, agitado.
Madalena, por outro lado, mostra-se resistente, aterrorizada, com maus
pressentimentos e deixa-se levar pelo destino trágico (“Eu não sou melindrosa
nem de invenções […] mas tu não sabes a violência, o constrangimento de alma, o
terror com que eu penso em ter de entrar naquela casa”).
4.
Tendo em conta que a obra se inscreve no Romantismo, na obra
podem-se detectar traços que marcam esta mesma época literária: a vertente
eminentemente dramática (“para aquela casa não, não me leves para aquela
casa”); o refúgio ao Cristianismo; a espontaneidade e a naturalidade que se
refletem ao nível de linguagem (“[…] nisso não… mas tu não sabes a violência
[…]”); e o debate interior das personagens quanto aos seus sentimentos (“Mas é
que tu não sabes… […] mas tu não sabes a violência, o constrangimento de alma
[…] oh, perdoa, perdoa-me, não me sai esta ideia da cabeça…”). Pelo seu plano de
Manuel de Sousa de incendiar a sua casa, reatualizam-se ainda traços do
Romantismo como o nacionalismo, o patriotismo e a rebeldia: o eu revolta-se
contra a repressão de uma axiologia vigente na sua pátria.
II (Maria Kopke)
1.
O Zé exortou os presentes para se implicarem mais nos
problemas sociais.
O Zé exortou os presentes - Oração subordinante: é a parte do
período que é estruturante, pois o seu GV irá selecionar um complemento
oblíquo, que é o resto do período.
para se implicarem mais nos problemas sociais - Oração subordinada
completiva (função de complemento oblíquo) Esta oração (=constituinte) tem se
ser realizada na frase (= elemento essencial da frase), sob pena de o período
perder a gramaticalidade:
* O Zé exortou os presentes
2.
Evocaste problemas que teremos de resolver.
Evocaste problemas- Oração subordinante: é a parte do período que
é estruturante; pode ocorrer sem o resto do período, ao contrário da 2ª, que é
estruturada (= subordinada) a partir do GN problemas
da oração principal.
Que teremos de resolver- Oração subordinada adjetiva relativa
restritiva.
É adjetiva porque comuta com um adjetivo: Evocaste problemas importantes.
É relativa porque é introduzida por um pronome relativo: QUE. Esta palavra substitui o GN que
introduz a 2ª oração, estabelecendo uma relação com a anterior:
Transformação:
1ª oração: Evocaste
problemas.
2ª oração: Teremos de resolver [problemas].
É ainda
restritiva porque se encontra a restringir o domínio de problemas.
3.
Quem mais adivinha mais erra
Quem mais adivinha - Oração subordinada substantiva relativa sem
antecedente (exerce a função de sujeito porque comuta com um GN, que transmite
a flexão de pessoa (3ª) e nº (sing.) ao verbo, e, ainda, porque comuta com uma
forma de nominativo (= suj.) do pronome pessoal: ELE/ELA)
É substantiva porque comuta com um GN: O Zé [erra mais].
É relativa sem antecedente já que fica implícito um GN substituído pelo
pronome relativo QUEM.
Mais erra-Oração subordinante: é a parte do período que é
estruturante; pode ocorrer sem o resto do período.
4.
O Zé partiu para Roma; a Ana, para Barcelona
O Zé partiu para Roma; - Oração coordenada copulativa assindética.
A Ana, para Barcelona.- Oração coordenada copulativa assindética.
Ambas têm
independência gramatical, com valor de adição, e são justapostas:
O Zé partiu para Roma e a Ana partiu para Barcelona.
Ou
Não só o Zé partiu para Roma como também a Ana [partiu] para
Barcelona.
5.
A tarefa de olhar pelas crianças é gratificante
A tarefa é gratificante- Oração subordinante: é a parte do período
que é estruturante; pode ocorrer sem o resto do período.
De olhar pelas crianças- Oração subordinada completiva.
É completiva porque tem a função de complemento nominal (do GN A tarefa).
III (Íris Fonseca)
Almeida Garrett adverte na sua «Memória ao Conservatório Real» que,
apesar de na forma desmerecer a categoria de tragédia, Frei Luís de Sousa pertence à categoria modesta de drama – drama de
índole trágica – para o que inaugura uma expressão também ela nova.
Não acreditando no verso como linguagem dramática para assuntos tão
modernos, Garrett aposta numa linguagem própria do género dramático, fluente e
mais prosaica, sem nunca fazer
esquecer que, pela sua índole, o Frei
Luís de Sousa será sempre uma tragédia.
Nesta peça é utilizada a linguagem característica do estilo dramático: o
diálogo, o monólogo e o aparte, técnicas discursivas que apresentam
características específicas resultantes da sua natureza oral e coloquial.
Mesmo quando a linguagem é mais cuidada, realizando-se um léxico erudito,
subsiste a vivacidade das interjeições (“Ah!”) e dos atos ilocutórios
expressivos (“Meu Deus”), ocorrendo exemplos da linguagem familiar. Por isso, a
obra é acessível a um mais vasto número de espetadores.
A concentração ao nível frásico, como é o caso de «Ninguém», onde se
substitui um período por uma palavra, as repetições e a carga emotiva que
encerram determinados vocábulos ("desgraça", "escárnio",
"amor") fazem igualmente parte da sua tessitura lexical.
A presença de reticências que sugerem ideias disfóricas – medo ou
inquietação – é uma nota do exercício lexical e sintático das personagens. As
frases curtas e inacabadas conferem um tom incisivo à linguagem. As repetições
são muito frequentes e representam ansiedade, inquietação ou afeto por parte
das personagens que as utilizam nas suas falas.
Garrett consegue adequar a cada personagem um determinado discurso com
especificidades através das quais o leitor sente o que elas sentem, vive com
elas as suas emoções, receios e medos. Garrett imprime, pois, à sua obra um
estilo sóbrio, entrecortado por um outro que se caracteriza pela jactância que
enforma a linguagem das personagens em situação de conflito. O primeiro serve
um ambiente solene clássico, próprio da tragédia, e associa-se à própria
situação social das personagens; o segundo serve a representação da
interioridade das mesmas, à maneira do drama.
Pretendendo transmitir elegância, suavidade e naturalidade à obra,
Garrett explora todas as potencialidades da linguagem dramática conseguindo,
assim, produzir um discurso que se adequa ao conteúdo nobre e – porque de
sentimentos humanos se fala – simultaneamente atual.
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