O BlogBESSS...

Bem-Vindos!


Blog ou Blogue, na grafia portuguesa, é uma abreviatura de Weblog. Estes sítios permitem a publicação e a constante atualização de artigos ou "posts", que são, em geral, organizados através de etiquetas (temas) e de forma cronológica inversa.


A possibilidade de os leitores e autores deixarem comentários, de forma sequencial e interativa, corresponde à natureza essencial dos blogues
e por isso, o elemento central do presente projeto da Biblioteca Escolar (BE).


O BlogBESSS é um espaço virtual de informação e de partilha de leituras e ideias. Aberto à comunidade educativa da ESSS e a todos os que pretendam contribuir para a concretização dos objetivos da BE:

1. Promover a leitura e as literacias;

2. Apoiar o desenvolvimento curricular;

3. Valorizar a BE como elemento integrante do Projeto Educativo;

4. Abrir a BE à comunidade local.


De acordo com a sua natureza e integrando os referidos objetivos, o BlogBESSS corresponde a uma proposta de aprendizagem colaborativa e de construção coletiva do Conhecimento, incentivando ao mesmo tempo a utilização/fruição dos recursos existentes na BE.


Colabore nos Projetos "Autor do Mês..." (Para saber como colaborar deverá ler a mensagem de 20 de fevereiro de 2009) e "Leituras Soltas..."
(Leia a mensagem de 10 de abril de 2009).


Não se esqueça, ainda, de ler as regras de utilização do
BlogBESSS e as indicações de "Como Comentar.." nas mensagens de 10 de fevereiro de 2009.


A Biblioteca Escolar da ESSS

PS - Uma leitura interessante sobre a convergência entre as Bibliotecas e os Blogues é o texto de Moreno Albuquerque de Barros - Blogs e Bibliotecários.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O retrato da mulher na poesia lírica de Camões

Trabalho realizado pela aluna João Cruz, 10º A, 2013/14
Prof. João Morais
 
         
        O retrato feminino é um tema recorrente na poesia lírica de Camões, descrevendo o sujeito poético a mulher ora na sua configuração ideal ora na sua existência mais concreta.
        O Renascentismo assenta em características como a harmonia e a perfeição, que perpassavam todas as artes, e o retrato da mulher ideal na pintura e na literatura – leia-se no modelo petrarquista – não é exceção. Este modelo define a mulher como possuidora de cabelos loiros, olhos verdes e faces rosadas. À perfeição física corresponde uma perfeição psicológica de modo que a mulher petrarquista apresenta um espírito calmo e representa uma mulher de poder superior, que exerce um domínio mágico («mágico veneno» in «Um mover d’ olhos brando e piadoso»), que cativa e submete o sujeito lírico.
        No soneto «Ondados fios d’ouro» reluzente está claramente representado o ideal de beleza feminina para Camões, nas faces, nos olhos e na boca (“perlas e corais”), apresentando-se a mulher perfeita, angélica. Outro exemplo é o vilancete «Descalça vai pera fonte», que tanto retrata a mulher com essa perfeição física como também com a «graça» (“Que dá graça à fermosura») e a pureza na roupa branca para além da sensualidade simbolizada no encarnado.
        Em contraste com este tipo de retrato, nas endechas «Aquela cativa que me tem cativo» o sujeito lírico descreve uma mulher espiritualmente em sintonia com o modelo petrarquista, mesmo que, fisicamente, Bárbara seja uma escrava de pele escura e olhos escuros, uma mulher mais exótica. Não podemos deixar de pensar numa presença feminina mais autêntica porque resulta da experiência do Poeta, no seu exílio noutras latitudes e longitudes.
         Em suma, Camões soube conciliar as nossas tradições literárias, desde a donzela da cantiga de amigo, passando pela divinização da mulher, até ao modelo ideal feminino de Quinhentos.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Concurso "Cartas e Poemas de Amor", 2013-2014 - Cerimónia de Entrega de Prémios

A cerimónia de entrega de prémios ocorreu na na biblioteca da ESSS no dia 14 de fevereiro. Deixamos aqui algumas lembranças fotográficas... :)


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

As "Cartas e Poemas de Amor" - Concurso, 2013-2014

1º PRÉMIO (ex aequo)

POESIA

Estranho desafio o de contar
logo nesta forma tão complicada
Algo que em meus anos só enfada,
Esse mistério que é o amar.

Quis tal feito para eu alcançar,
em tão pouco dom a mestre confiada.
Talvez nasça a poesia do nada,
e voe com o vento pelo ar.

Na poesia dos poetas eleitos
o amor é fogo, paz e desespero,
conforto e mágoa, ruído e harmonia.

E assim com só quinze anos feitos
até que venha o amor espero,
que chegue e o que é me ensine um dia.

Lucas Costa, nº 22
10ºB
1º PRÉMIO (ex aequo)

POESIA
Amor de verdade

Por vergonha, nasce silencioso
Cresce n’alma, sincero e ardente
Sem palavras, fala e não mente
E só no olhar, grita gracioso.

É ser pureza e também vontade,
de voar mais alto que os mortais,
e sem medo, viver sonhos irreais
Em busca de um amor de verdade.

É procura incessante de fé
Numa ligação que fique de pé
E que pertença ao tempo sem fim.

Nunca se viu ou verá tal amor
Porque só os cegos sentem o ardor
E o escrevem, tal como eu, assim.

Miguel Dias, nº 28
10ºB
                                     2º PRÉMIO
POESIA

Este sentimento chamado amor,
Mesmo sem ser poeta tento expressar.
Será sentir o coração a rebentar
ou antes uma explosão de dor?

Uns temem-no dizendo que é destruidor,
que em mais nada nos deixa pensar,
que nos atormenta desde o acordar,
que nos deixa sem escudo protetor.

Outros no outro o ideal procuram,
alguém que para todo o sempre fique,
alguém em sua imperfeição perfeito,

alguém que cumpra o que ambos juram,
alguém que dos seus sonhos abdique,
que no outro reconheça o seu eleito.

Francisca Vera, nº13
10ºB


                                       3º PRÉMIO
POESIA

A loira cabeleira de Girvena
Que todo o povoado espantava
Os olhos onde a cor do mar estava 
A sua pele, composta e serena

E por entre as moçoilas de Tercena
A sua graça a todos deleitava
E em seu dócil repouso admirava 
O povo da vila de Barcarena

E em espera de eterna saudade
Fico à mercê do seu longo favor
Tudo se me escapa à minha vontade

E já em duvidosa lealdade 
Fico nūa obediente dor
Resta apenas uma breve amizade

José Maria Tamagnini, nº14
Caetano Castelo Branco, nº5
10ºE

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Resultados do Concurso "Cartas e Poemas de Amor", 2013-2014

Resultado do Concurso

 1º Prémio (ex aequo)
Miguel Dias, nº 28, 10º B
Lucas Costa, nº 22, 10º B
2º Prémio
Francisca Vera, nº 13, 10º B
3º Prémio
José Maria Tamagnini, nº 14 e 
Caetano Castelo Branco, nº 5, 10º E

Menção Honrosa

Ana Sofia Jesus, nº 3 e Bárbara Silva, nº 4, 10º B 

Ana Teresa Russo e Alice Leite, 10º F 

Catarina Gonçalves Fonseca, nº 10, 10º B 

Carolina Marques, nº 7 e Mariana Afonso, nº 11, 10º F 

Gil Coelho, nº 15, 10º B 

Lourenço Aguiar, nº 21, 10º B 

Marta Silva, nº 23, 11º A 

Marta Pereira, nº 19 e Madalena Veloso, nº 15, 10º E



quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Regulamento do Concurso "Cartas e Poemas de Amor"

Concurso Cartas e Poemas de Amor
Regulamento

Objetivos do concurso

1.   Fomentar e consolidar hábitos de escrita.
2.   Promover a criatividade e a imaginação.

Destinatários
1. Este concurso destina-se a todos os alunos dos 10º, 11º e 12º anos da  Escola Secundária Sebastião e Silva. 
Modalidades
1. São admitidos a concurso trabalhos inéditos,  nas modalidades de prosa e  poesia.
2. Os textos  não devem  exceder uma  página  A4, com espaço e meio entre linhas e  letra de tipo Times New Roman, tamanho 12 ou Arial tamanho 11.
3. Cada concorrente só pode entregar um trabalho.


Apresentação de Candidaturas
 1. Os trabalhos devem ser entregues ao professor da      disciplina de Português ou no balcão de atendimento da     biblioteca até ao dia 5 de Fevereiro.       
2.No final do trabalho deve constar: pseudónimo, identificação completa do autor (nome; ano; turma e número).
3. Todos os trabalhos devem indicar, no cimo da página, a modalidade a que concorrem.
4. A lista dos nomes dos alunos com trabalhos admitidos a concurso será divulgada no painel da biblioteca.
Júri
1. O júri é composto por três professores.
2. É da competência do júri definir os critérios para a avaliação dos trabalhos.
3. O júri reserva-se o direito de excluir do concurso os trabalhos que não exibam qualidade ou não cumpram as regras definidas neste regulamento. Qualquer indício de plágio é  punível com a desclassificação do texto.

Divulgação dos resultados e entrega de prémios
1. Após a decisão do júri há lugar à divulgação dos três textos vencedores.
2. A divulgação será feita com a publicação dos textos no blogue da biblioteca da escola http://blogesss-biblioteca.blogspot.pt/
3. No dia 13 de fevereiro, no painel junto à entrada da biblioteca, será afixado o resultado do concurso e a hora de entrega dos prémios.
4. A entrega dos prémios terá lugar na biblioteca, no dia 14 de fevereiro numa cerimónia pública onde serão lidos os textos vencedores.
Prémios
1. A definir pelo júri e direção da escola.

Classificação
1. Os trabalhos são classificados e premiados, não pecuniariamente.
2.  O júri pode atribuir prémios ex aequo , se entender que o respetivo  valor literário o justifica.
3.  A cada um dos concorrentes é entregue um diploma de participação.
Aceitação das condições
1. Os casos omissos ou as divergências na interpretação do presente regulamento são solucionados pelo júri.
2. Das decisões do júri não há recurso.
3. A entrega de trabalhos pressupõe a aceitação das condições presentes neste regulamento.

Concurso "Cartas e Poemas de Amor"


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A infância enquanto tema transversal em Fernando Pessoa

Trabalho realizado pela aluna Inês Chim, 12º I, 2013/14
Prof. João Morais


        A infância é um tema recorrentemente explorado na obra de Pessoa, não só em Pessoa ortónimo mas, também, nos seus heterónimos, designadamente em Alberto Caeiro, em Álvaro de Campos e em Ricardo Reis.
       A infância é representada tanto em Fernando Pessoa ortónimo como em Campos, enquanto a época feliz, o tempo em que o sujeito poético experimenta alegria, o que se opõe à realidade do presente, ou seja, há uma oposição passado presente, que se configura ao nível da matéria lírica. O passado, o tempo da infância, é, assim, o tempo da felicidade, enquanto o presente, a idade adulta, representa o tempo da infelicidade e do tédio.
        Um dos textos representativos desta ideia em Fernando Pessoa ortónimo é “A criança que fui chora na estrada”. Neste poema, o sujeito poético mostra a saudade do passado e a angústia do presente (“Mas hoje, vendo que o que sou é nada,/ Quero ir buscar quem fui onde ficou”). A infância em Fernando Pessoa ortónimo apresenta-se, também, relacionada com a fantasia, com a vertente lúdica, com a transfiguração da realidade, presente no poema “Chuva Oblíqua (parte VI)”, onde essa ideia é visível (“O maestro sacode a batuta […] Lembra-me a minha infância, aquele dia/ Em que eu brincava ao pé de um muro de quintal […]”). No poema “Quando as crianças brincam” a infância aparece relacionada com a nostalgia não só da infância como, também, da inocência (“Quando as crianças brincam [...] Qualquer coisa em minha alma/ Começa a se alegrar [...] E toda aquela infância/ Que não tive me vem [...]”). No texto “O menino da sua mãe”, a perda da infância institui a morte simbólica pelo afastamento da ternura e dos afetos (“Tão jovem! que jovem era!/ (Agora que idade tem?)/ Filho único, a mãe lhe dera/ Um nome e o mantivera/ in «O menino da sua mãe»”).
Álvaro de Campos apresenta, de uma maneira parecida com Fernando Pessoa ortónimo, a nostalgia da infância. Tal como Pessoa, Campos considera a infância o tempo da felicidade, o que se opõe ao presente, no qual é infeliz. O poema “Aniversário” mostra isso mesmo: a felicidade sentida no tempo da infância (“No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,/ Eu era feliz e ninguém estava morto”) e o tédio do presente (“O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa, […]/ O que eu sou hoje é terem vendido a casa,/ É terem morrido todos […]”), antítese reatualizada do ortónimo. Neste poema é quase feito um retrato da infância do sujeito lírico, uma descrição das rotinas festivas que se passavam na sua infância (“A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,/ O aparador com muitas coisas – doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado-,/ As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa […]”). No poema “Datilografia”, a infância aparece relacionada com a vida e a cor (“Outrora quando fui outro, eram castelos e cavalarias […] Eram grandes paisagens do Norte, explícitas de neve,/ Eram grandes palmares do Sul, opulentos de verdes/ Outrora…”). No texto “Ode marítima”, apesar de se tratar de um texto que se inscreve, manifestamente, na fase futurista de Campos, o sujeito poético mostra a sua vontade de regressar ao passado, ao tempo feliz, e de lá permanecer (“Ó meu passado de infância, boneco que me partiram!/ Não poder viajar pra o passado, para aquela casa e aquela afeição,/ E ficar lá sempre, sempre criança e sempre contente!”).
         Alberto Caeiro, sendo sensacionista, considera a infância um sinónimo de pureza, inocência e simplicidade porque a criança não pensa, e é isso que Caeiro defende. Um dos exemplos representativos desta ideia é o poema “Criança desconhecida e suja brincando à minha porta”, no qual o sujeito poético admira a criança e a sua forma de sentir (“O modo como esta criança está suja é diferente do modo como as outras estão sujas./ Brinca! pegando numa pedra que te cabe na mão […]”) e demonstra, mais uma vez, o seu desprezo pelo pensar (“Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez,/ E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido contar”). No poema “Num meio-dia de fim de primavera”, há um retrato de uma criança: o menino Jesus, que apresenta características diferentes das quais estamos acostumados. Caeiro descreve-o como uma criança vulgar, que faz as mesmas diabruras que as outras crianças (“Vi Jesus Cristo descer à terra./ Veio pela encosta de um monte/ Tornado outra vez menino,/ A correr e a rolar-se pela erva/ E a arrancar flores para as deitar fora/ E a rir de modo a ouvir-se de longe”). Mais tarde, Caeiro diz ser o menino que o acompanha (“É uma criança bonita de riso e natural./ Limpa o nariz ao braço direito,/ Chapinha nas poças de água,/ Colhe as flores e gosta delas e esquece-as […] O Menino Jesus adormece nos meus braços/ e eu levo-o ao colo para casa”). O retrato de Jesus, neste texto, aproxima-se do resto das outras crianças e transparece aquilo que Alberto Caeiro entende que deve ser a infância: a época da simplicidade, o tempo em que a criança não pensa, apenas vive e sente.
           Em Ricardo Reis, o tema da infância ocorre enquanto matéria lírica com valor simbólico: é o lado oposto da “velhice” da qual ele tem tanto medo, o que se encontra explícito no poema “Sofro, Lídia, do medo do destino/Sem renovar/ Meus dias, mas que um passe e outro passe/ Ficando eu sempre quase o mesmo; indo/ Para a velhice como um dia entra/ No anoitecer”). A infância é sinónimo do primado da objetividade, do isolamento na Natureza, longe dos adultos, que fizeram a civilização (“Pagãos inocentes da decadência”, in “Vem Sentar-te Comigo, Lídia, à Beira do Rio”).
                Podemos concluir que a infância é um tema transversal na poética de Fernando Pessoa, ainda que com configurações diferentes: Pessoa ortónimo e Campos consideram a infância o tempo da felicidade, que se opõe ao presente; já Caeiro olha para a infância com olhos diferentes, considerando-a um modelo de comportamento. Por fim, em Reis, o que prevalece no tema da infância é sobretudo o valor simbólico, a idade de ouro, que representa o seu confronto com a experiência da realidade do poeta, ser que se defende em vão da inexorabilidade do destino e da morte.