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Blog ou Blogue, na grafia portuguesa, é uma abreviatura de Weblog. Estes sítios permitem a publicação e a constante atualização de artigos ou "posts", que são, em geral, organizados através de etiquetas (temas) e de forma cronológica inversa.


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3. Valorizar a BE como elemento integrante do Projeto Educativo;

4. Abrir a BE à comunidade local.


De acordo com a sua natureza e integrando os referidos objetivos, o BlogBESSS corresponde a uma proposta de aprendizagem colaborativa e de construção coletiva do Conhecimento, incentivando ao mesmo tempo a utilização/fruição dos recursos existentes na BE.


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PS - Uma leitura interessante sobre a convergência entre as Bibliotecas e os Blogues é o texto de Moreno Albuquerque de Barros - Blogs e Bibliotecários.


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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Ricardo Reis: o poeta clássico


Correção do grupo III do teste do 12º B


Ricardo Reis: o poeta clássico 

Ricardo Reis é um dos três heterónimos de Fernando Pessoa que receberam especial destaque na sua carta a Adolfo Casais Monteiro a 13 de janeiro de 1935. Idealizado como homem moreno, baixo e seco de carnes, Ricardo Reis é médico e, apesar de ter nascido em 1887 no Porto, está desde 1919 no Brasil pelo facto de, devido aos seus ideais monárquicos, se ter expatriado espontaneamente. De estilo predominantemente neoclássico, a sua escrita assenta na herança greco-romana e é influenciada por Horácio, poeta latino que lhe serve de modelo. Reis assume-se como um latinista e semi-helenista, que é influenciado pelas teorias filosóficas epicurista e estoico, aderindo afincadamente ao culto da tranquilidade. 

Inspirado em Horácio, poeta romano do século I a. C., Ricardo Reis, como classicista genuíno, evidencia especial preferência pela ode. Sendo um género literário de índole greco-romana, de estilo particularmente elevado e solene, que pretende glorificar alguém ou algo, a ode é utilizada por Reis com o intuito de exaltar um programa de vida, o programa por ele defendido, que assenta na aceitação calma e tranquila da vida, sem que haja qualquer tipo de perturbação. 

Por ter estudado num colégio jesuíta antes de se formar em Medicina, Reis domina fortemente a cultura latina e aplica-a à grande maioria das suas obras. Assim, com uma linguagem culta, rigorosa e de saber erudito, e num estilo rebuscado e sentencioso, constrói persistentemente frases imperativas, forma de convidar a sua companheira intelectual a aderir ao seu programa de vida, e recorre a latinismos tanto a nível lexical (“E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro” – v. 29 in “Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio”) como a nível sintático, visível através do uso da anástrofe (“ Solene passa sobre a fértil terra” – v. 1; “Tal me alta na alma a lenta ideia voa” – v. 5 in “Solene passa sobre a fértil terra”). 

Na escrita de Reis é recorrente a alusão a elementos mitológicos que evidenciam a consciencialização de que o poeta tem da morte. Desta forma, a ideia da aceitação fatalista do destino e a referência aos deuses da antiguidade greco-romana constituem alguns dos aspetos por ele mais abordados. A convicção da efemeridade da vida é algo que assombra o sujeito poético. Defende, assim, que todos, até mesmo os deuses (“Dizer-te. A resposta/ Está além dos Deuses” – vv. 20 e 21 in “Segue o teu destino”), estão sujeitos a uma força maior, o destino, que surge como entidade deletéria que impede a vivência tranquila muito por ele desejada (“Sofro, Lídia, do medo do destino” – v.1 in “Sofro, Lídia, do medo do destino”). 

À semelhança dos poemas horacianos, também na escrita de Ricardo Reis conseguimos testemunhar a predominância de ideais epicuristas. A atitude de adesão ao mundo, a de viver conforme a natureza e a da racionalização das emoções são princípios em que assenta esta teoria filosófica, que tem como principal objetivo libertar o Homem do medo da morte. É então a consciencialização da efemeridade da vida que justifica a vivência dos prazeres brandos por parte do sujeito poético, que lhe proporciona uma experiência de vida tranquila baseada na ideia de gozar o presente ou carpe diem (“[...] Colhe/ O dia, porque és ele.” – vv.7 e 8 in “Uns, com os olhos postos no passado”) . Com o intuito de alcançar tal idealização, leva mesmo o conceito de paganismo ao extremo e, desprezando por completo as construções sociais, chega a tornar-se um ser associal (“E antes magnólias amo/ Que a glória e a virtude” – vv. 2 e 3 in “Prefiro rosas, meu amor, à pátria”). No entanto, apresenta-se como “epicurista triste”: tais ideais não passam de um meio para se autoconvencer de algo em que não acredita efetivamente. Vive por isso aterrorizado com o processo de envelhecimento, com a morte e com a tirania do fatum a que todos estão vulneráveis (“[...] indo/ Para a velhice como um dia entra/ No anoitecer” – vv. 10-12 in “Sofro, Lídia, do medo do destino”). 

Na grande maioria dos seus poemas é também visível a frequente recorrência ao tema da renúncia e do desapego como forma de promover o culto da ataraxia, a possibilidade de viver sem qualquer tipo de perturbação que possa culminar em sofrimento, para não comprometer uma vivência tranquila e feliz (“Segue o teu destino,/ Rega as tuas plantas,/ Rega as tuas rosas./ O resto é a sombra/ De árvores alheias.” vv. 1-5 in “Segue o teu destino”). Como forma de travar a sua vulnerabilidade face ao emprego das emoções, principais agentes causadores de inquietação, o sujeito poético refugia-se na razão, sendo esta o elemento essencial para a apreensão do real e para a aceitação serena do destino sem qualquer preconceito nem medo do que a ele está iminente (“Mas serenamente/ Imita o Olimpo/ No teu coração.” – vv. 21-23 in “Segue o teu destino”). 

Em suma, a poética de Ricardo Reis é amplamente influenciada pela cultura clássica de herança greco-romana. A preferência pela ode como forma de exaltar um programa de vida que se baseia na associação das duas teorias filosóficas de origem helenista, o epicurismo e o estoicismo, a prioridade conferida à vivência dos prazeres brandos da vida ou aurea mediocritas como forma a evitar qualquer tipo de exaltação que possa causar sofrimento, o afastamento das idealizações sociais por parte do sujeito poético e a renuncia à mudança da ordem do mundo são tudo características da escrita de Reis que corroboram o ideal clássico que a ele é inerente.

   Autora: Teresa Abrantes, 12ºA
    Prof. João Morais

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Ricardo Reis, o poeta clássico

Correção do grupo III do teste do 12º B

Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa, cultiva um neoclassicismo neopagão, recorrendo à mitologia greco-latina, e considera a vida como um tempo efémero, sendo, assim, a morte iminente. 

Influenciado pela sua formação helénica e latina, Reis escreve odes inspiradas na doutrina epicurista de Horácio. As suas odes apresentam um estilo rigoroso e denso, com a preocupação de traduzir a ideia numa expressão perfeita. Através do uso desta estrutura poética, Reis procura a exaltação da vida, tempo do efémero (“No mesmo hausto/ Em que vivemos, morremos.” – vv.6-7 do poema Uns, com os olhos postos no passado). 

Nos seus poemas, recorre frequentemente a construções eruditas e latinizantes. A sintaxe clássica latina, com a inversão da ordem lógica das palavras através do uso da anástrofe (“Um sopro arrefecido” é o sujeito da frase deslocado para o final da estrofe em Solene passa sobre a fértil terra), favorece o ritmo das suas ideias disciplinadas. Para além disso, a vinculação do estilo culto de Reis é conseguida pela utilização de vocábulos muito eruditos, como óbolo (“E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,” – v.29 do poema Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio), aspeto que concorre para conferir latinidade à poesia. 

Ricardo Reis cultiva a mitologia greco-latina e a crença nos deuses antigos, enquanto força disciplinadora das nossas emoções e sentimentos. Este poeta clássico considera os deuses como um modelo de comportamento, o exemplo a seguir por todos os homens, pela razão de que não se questionam, “não se pensam”, aceitando a ordem do mundo. Os deuses não são mais do que seres mais perfeitos ou aperfeiçoados. O classicismo deste heterónimo encontra-se presente não só nas referências mitológicas (“ […] barqueiro sombrio” – refere-se a Caronte – v.29 do poema Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio), mas também nos temas que têm a ver com a cultura clássica latina: a efemeridade da vida e a iminência da morte. 

Deste modo, Reis é o heterónimo que projeta Pessoa para a Antiguidade Clássica. É o poeta que, à semelhança de Horácio, na Roma Antiga, se refugia na aparente felicidade pagã que lhe vela e esbate o desespero. A filosofia de vida de Ricardo Reis, inspirada no epicurismo, defende o prazer do momento, o carpe diem (“ […] Colhe/ O dia, porque és ele” – vv.7-8 do poema Uns, com os olhos postos no passado) como caminho da felicidade, mas sem ceder aos impulsos dos instintos. 

Apesar deste prazer que procura e da felicidade que deseja alcançar, Reis considera que nunca se consegue a verdadeira calma e tranquilidade, isto é, a ataraxia. Sente que tem de viver em conformidade com as leis do destino, indiferente a qualquer prazer dinâmico (“Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,” – v.13 do poema Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio), numa verdadeira ilusão de felicidade, conseguida pela renúncia e pela disciplina estoicas. Considera, portanto, que a verdadeira sabedoria de vida é viver de forma equilibrada e serena, “sem desassossegos grandes”. 

Assim, advogando o carpe diem, o prazer natural mas controlado, sem paixões violentas, tem plena consciência da brevidade de tudo, da passagem do tempo, da fragilidade da nossa condição e da inevitabilidade da morte. Por isso, considera importante saber viver os pequenos prazeres de forma desapegada, com equilíbrio e serenidade (“Grande e nobre é sempre/ Viver simplesmente.” – vv.12-13 do poema Segue o teu destino). 

Em suma, Reis é clássico no estilo, no rigor, no estoicismo, na adoção do paganismo, na crença nos deuses da mitologia clássica, no exercício da razão. Aceitar o mundo, a vida e aquilo que somos é para este heterónimo de Fernando Pessoa o único caminho para atingir a felicidade.

    Autora: Maria Inês Vidal, 12ºB
    Prof. João Morais

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sobre Ricardo Reis...

   Trabalho vencedor do concurso de dissertações do 12º ano Dezembro de 2010
 
      "Num texto bem estruturado e documentando as tuas afirmações com textos lidos, analisa a fuga ao sofrimento enquanto ideia estruturante da poética de Ricardo Reis."
      

      Bruno Seguro, Nº4, 12º B, 2010/11
           Professor: João Morais
                                                                    
Na temática de Ricardo Reis está presente a ideia do desejo da fuga ao sofrimento que se repete muitas vezes nos seus poemas porque a sua vivência se baseia numa filosofia sustentada no ócio ligado à abstenção daquilo que possa ser o excesso. Carpe diem é a expressão horaciana que ilustra muito bem o ideário de Ricardo Reis.


Este sofrimento de que ele foge é consequência de certos aspectos. Um desses aspectos é o reflectir sobre o interior: “Não quero recordar nem conhecer-me” no verso “Somos demais se olhamos para quem somos”. É explícita a mensagem de que não se deve olhar para “dentro de nós” e somos demais porque fazê-lo perturba o equilíbrio que deve ser mantido na vida, pela moderação dos prazeres e das emoções.


No poema “Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira-do-rio” está presente outro aspecto causador de sofrimento: o gosto pelos prazeres dinâmicos. No verso “Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantem a voz”, é fácil a interpretação do sentido de que estes prazeres dinâmicos (o “amor”, o “ódio”, a “paixão”) não devem ser experimentados porque vão além daquilo que deve ser o prazer: não um excesso.


Ainda neste poema, o campo lexical da ataraxia reflecte o desejo do equilíbrio, da suavidade das coisas. Isto está interligado, num verso, com o conhecimento visto também como mais uma causa deste sofrimento. Esse verso é “Este momento em que sossegadamente não cremos em nada”, e percebe-se que para Ricardo Reis, ao prescindir do conhecimento dos valores instituídos, atinge o sossego, ou seja, o conhecimento não lhe traz felicidade mas sim sofrimento.


Outro exemplo explícito de como o conhecimento é uma causa de sofrimento é o verso “ Se sabê-lo não serve de sabê-lo” do poema “Não quero recordar, nem conhecer-me.” Aliás, logo no primeiro verso reactualiza-se o desejo de fuga do conhecimento, de fuga do sofrimento.


Em “Sofro, Lídia, do medo do destino” Ricardo Reis mostra-nos, nos versos “Ficando eu sempre quase o mesmo, indo/ para a velhice um dia entro/ No anoitecer”, que deseja que a vida passe por ele sem que ele passe pela vida, pois, se ele se deixar assim, só símbolo, distante, não sofrerá. Isto acontece porque, para Ricardo Reis, se pensarmos na morte, que é o resultado do futuro, ou no passado, não se alcança a felicidade, mas sim o contrário: o sofrimento. Como tal, ele foge desses pensamentos que se instituem em nós e não nos deixam viver.

Concluindo, este desejo da fuga ao sofrimento é obsessivo assim como também é persistente o programa do culto pelos prazeres estáticos, e assim o são devido às duas filosofias que privilegia: o Epicurismo, que preconiza que na vida se deve gozar o presente, pois só se vive a realidade uma vez, e ao pensarmos no passado e no futuro, não vivemos a realidade; e o Estoicismo, que defende que a sabedoria consiste na aceitação da condição humana, através da disciplina e da razão. O Destino já está traçado, é inevitável, pelo que não trará benefícios pensar no mesmo, pois tal atitude apenas resulta em sofrimento.