O BlogBESSS...

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Blog ou Blogue, na grafia portuguesa, é uma abreviatura de Weblog. Estes sítios permitem a publicação e a constante atualização de artigos ou "posts", que são, em geral, organizados através de etiquetas (temas) e de forma cronológica inversa.


A possibilidade de os leitores e autores deixarem comentários, de forma sequencial e interativa, corresponde à natureza essencial dos blogues
e por isso, o elemento central do presente projeto da Biblioteca Escolar (BE).


O BlogBESSS é um espaço virtual de informação e de partilha de leituras e ideias. Aberto à comunidade educativa da ESSS e a todos os que pretendam contribuir para a concretização dos objetivos da BE:

1. Promover a leitura e as literacias;

2. Apoiar o desenvolvimento curricular;

3. Valorizar a BE como elemento integrante do Projeto Educativo;

4. Abrir a BE à comunidade local.


De acordo com a sua natureza e integrando os referidos objetivos, o BlogBESSS corresponde a uma proposta de aprendizagem colaborativa e de construção coletiva do Conhecimento, incentivando ao mesmo tempo a utilização/fruição dos recursos existentes na BE.


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(Leia a mensagem de 10 de abril de 2009).


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BlogBESSS e as indicações de "Como Comentar.." nas mensagens de 10 de fevereiro de 2009.


A Biblioteca Escolar da ESSS


PS - Uma leitura interessante sobre a convergência entre as Bibliotecas e os Blogues é o texto de Moreno Albuquerque de Barros - Blogs e Bibliotecários.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Texto de reflexão – "O lugar da utopia na condição humana"

Trabalho realizado por  Inês Silva Machado, Nº16,  12º A, 2010/11 
Prof. João Morais



A vida do Homem tem-se baseado numa luta permanente, numa tentativa de alcançar a utopia, com uma ânsia de encontrar um estado ideal e imaginário de um governo, de uma sociedade, de uma filosofia, de uma realidade. Assim, a concepção de perfeição da condição humana é atingida quando o Homem, com o progresso da ciência e da tecnologia, consegue criar um ser geneticamente perfeito, em equilíbrio com o meio ambiente e com os que o rodeiam. É uma utopia inacessível mas constantemente desejada.
A invasão de doenças e outros agentes patogénicos na vida condiciona o ser humano em muitos aspectos e, por isso, alguns ramos da Biologia e da Química têm-se esforçado para encontrar fórmulas e métodos que corrijam essas imperfeições. A fabricação de insulina em laboratório, aplicada em indivíduos com a diabetes, por exemplo, garante que estes tenham os níveis de açúcar dentro da normalidade assegurando-lhes, assim, conforto e a possibilidade de criarem uma vida sem impedimentos. Apesar dos progressos feitos, essencialmente, no último meio século, tanto neste caso como noutros (mais complicados), a imprevisibilidade do organismo animal e as agressões ambientais limitam a busca de um corpo e de uma mente sem distúrbios e em sintonia com o exterior.
Além do auxílio das investigações bioquímicas na procura de segurança do Homem, a Medicina contribui bastante para a cura de várias más formações, quer sejam estas inatas ou adquiridas (acidentes, por exemplo). É, também, na Medicina que os pontos frágeis do nosso corpo se transformam em pontos fortes, ou pelo menos, razoáveis. A implantação de próteses em indivíduos sem um membro ou a recuperação da visão noutros que eram desprovidos desta têm consequências muito positivas para a nossa espécie contornando alguns problemas, entre eles os motores. Estes métodos não são mecanismos evolutivos (nem nada que se assemelhe), mas conferem-nos uma qualidade de vida aceitável tornando-os mais eficientes e qualificados no desempenho das suas tarefas. Contudo, em casos em que haja implicação do ADN, a intervenção da Medicina é mais complicada havendo situações de complexidade, tanta que não é possível detectar e suprimir as imperfeições.
É, de facto, na Epigenética que se centra a questão de impossibilidade de alcance da perfeição. A Epigenética defende que a actividade de qualquer indivíduo é influenciada, sobretudo, pelo ambiente e não pelo que está inscrito nas células. Deste modo, é aceitável que uma alteração no meio, espontânea e imprevisível, cause distúrbios num Homem que, em conjunto com a ciência, estava a ser melhorado para corrigir as falhas de um ambiente anterior. A modificação na Natureza coloca interferências ao nível dos instrumentos utilizados que se tornam incapazes face às novas mudanças e do Homem que se situa menos adaptado, sendo necessário criar, novamente, caminhos a fim de o homem se aproximar do equilíbrio que o rodeia. Quando este está prestes a combater as adversidades do exterior, é possível que surja uma nova alteração que condicione a actividade do Homem cientista.
Em suma, o trabalho de cientistas e outros profissionais contribui em muito para uma melhoria da qualidade de vida e para a construção de um Homem mais rentável. É neles que se sustenta o aumento da esperança média de vida e é neles que reside a expectativa de uma sociedade melhor e mais evoluída. No entanto, a espontaneidade da Natureza e do Homem cria obstáculos que não são fáceis de ultrapassar nunca sendo possível chegar-se a um ideal – a uma visão utópica da raça humana.

Fevereiro de 2011

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Texto de Reflexão - "O Velho do Restelo: o mundo a duas velocidades"

Trabalho realizado por  Inês Silva Machado, Nº16,  12º A, 2010/11 
Prof. João Morais

O Velho do Restelo, personagem simbólica d’Os Lusíadas, de Luís de Camões, traduz a oposição de duas realidades e duas correntes de opinião: aqueles que defendiam os Descobrimentos via marítima e os que preconizavam a expansão do Império para o Norte de África, contra os bens materiais, a fama e a glória. Os contrastes existentes no seio da sociedade do século XVI permanecem na actualidade. Nos dias que correm, a enorme evolução científica, tecnológica, social e económica a que os países desenvolvidos têm estado sujeitos possibilita uma melhoria óbvia da qualidade de vida da população verificando-se, pelo contrário, um défice acentuado e alarmante de desenvolvimento em países do Terceiro Mundo, predominando aí a pobreza absurda e várias doenças como a SIDA.
Estas discrepâncias surgem na fome, na guerra, na pobreza, na assistência médica, na taxa de mortalidade, na educação e instrução, entre outros.
A Engenharia Genética, ramo da Biologia Molecular que se ocupa da manipulação, da propagação e do transporte dos genes alterando as suas estruturas e características, tem desenvolvido, nas últimas décadas, técnicas que permitem a produção rápida e económica de vários produtos agrícolas que deveriam ser suficientes para sustentar o aumento demográfico significativo. De acordo com as Nações Unidas, “o mundo produz uma vez e meia a quantidade de alimentos necessária para alimentar toda a população do planeta”. No entanto, a fome é uma situação que se tem agravado devido à má distribuição da riqueza. Estes factos concorrem para um distanciamento entre aquilo que, por um lado, melhora e evolui, e, por outro lado, aquilo que se encontra estagnado.
No que diz respeito à instrução e à educação, as taxas de alfabetização variam bastante ao longo do globo. É claro que a posse de mão-de-obra qualificada constitui uma mais-valia para o progresso de um país e a aposta na educação pelos países mais ricos tem sido um ponto fulcral na sua evolução. Pelo contrário, a deficiência de sistemas de escolarização adequados (escolas, universidades, tecnologia, ciência) é uma dificuldade com que os países de Terceiro Mundo se têm confrontado, o que condiciona o seu avanço económico e financeiro que possui, também, muitas lacunas.
Os contrastes são verificados, igualmente, pela taxa de mortalidade infantil e pela esperança média de vida. Enquanto o crescimento económico dos países desenvolvidos se reflecte no investimento da assistência médica e da vacinação, que contribuem para a diminuição de ocorrência de certas doenças e infecções, a falta de condições sanitárias, médicas e alimentares nos países em desenvolvimento traduz-se numa população débil e fragilizada, que tem como consequência a propagação rápida de vírus que, por sua vez, conduz à morte precoce dos indivíduos.
A constante instabilidade social e política, imposta por regimes maioritariamente corruptos e ditatoriais que os indivíduos dos países mais pobres sofrem é uma realidade que impede a evolução da economia nesses locais pois há ocorrência de golpes de estado e de conflitos internos de origem étnica, que provocam guerras e que culminam na destruição de vias de comunicação, de escolas e de hospitais e na falta de habitação de milhares e milhares de pessoas. Gera-se, portanto, uma forte dependência política e económica dos países desenvolvidos por parte dos países em desenvolvimento. Aqueles possuem um alto nível de industrialização que lhes permite um desenvolvimento económico muito maior levando, por fim, à origem de uma sociedade evoluída.
Das situações analisadas resulta a emergência de um mundo a duas velocidades onde a disparidade entre ricos e pobres é cada vez mais notória e intensa: o progresso, o bem-estar e a segurança ocupam um extremo enquanto a luta pela sobrevivência, a fome e a guerra permanecem do lado oposto. É necessária a implementação de medidas que promovam a interajuda entre países desenvolvidos e em desenvolvimento através da acção dos governos e de organizações governamentais e não governamentais apoiadas pelas Nações Unidas, a fim de pormos um fim às desigualdades e nivelarmos mais a qualidade de vida da população mundial.
Fevereiro de 2011

O lugar da utopia na condição humana - Texto de Reflexão

Trabalho realizado por  Inês Silva Machado, Nº16,  12º A, 2010/11    
Prof. João Morais 
 
A vida do Homem tem-se baseado numa luta permanente, numa tentativa de alcançar a utopia, com uma ânsia de encontrar um estado ideal e imaginário de um governo, de uma sociedade, de uma filosofia, de uma realidade. Assim, a concepção de perfeição da condição humana é atingida quando o Homem, com o progresso da ciência e da tecnologia, consegue criar um ser geneticamente perfeito, em equilíbrio com o meio ambiente e com os que o rodeiam. É uma utopia inacessível mas constantemente desejada.
A invasão de doenças e outros agentes patogénicos na vida condiciona o ser humano em muitos aspectos e, por isso, alguns ramos da Biologia e da Química têm-se esforçado para encontrar fórmulas e métodos que corrijam essas imperfeições. A fabricação de insulina em laboratório, aplicada em indivíduos com a diabetes, por exemplo, garante que estes tenham os níveis de açúcar dentro da normalidade assegurando-lhes, assim, conforto e a possibilidade de criarem uma vida sem impedimentos. Apesar dos progressos feitos, essencialmente, no último meio século, tanto neste caso como noutros (mais complicados), a imprevisibilidade do organismo animal e as agressões ambientais limitam a busca de um corpo e de uma mente sem distúrbios e em sintonia com o exterior.
Além do auxílio das investigações bioquímicas na procura de segurança do Homem, a Medicina contribui bastante para a cura de várias más formações, quer sejam estas inatas ou adquiridas (acidentes, por exemplo). É, também, na Medicina que os pontos frágeis do nosso corpo se transformam em pontos fortes, ou pelo menos, razoáveis. A implantação de próteses em indivíduos sem um membro ou a recuperação da visão noutros que eram desprovidos desta têm consequências muito positivas para a nossa espécie contornando alguns problemas, entre eles os motores. Estes métodos não são mecanismos evolutivos (nem nada que se assemelhe), mas conferem-nos uma qualidade de vida aceitável tornando-os mais eficientes e qualificados no desempenho das suas tarefas. Contudo, em casos em que haja implicação do ADN, a intervenção da Medicina é mais complicada havendo situações de complexidade, tanta que não é possível detectar e suprimir as imperfeições.
É, de facto, na Epigenética que se centra a questão de impossibilidade de alcance da perfeição. A Epigenética defende que a actividade de qualquer indivíduo é influenciada, sobretudo, pelo ambiente e não pelo que está inscrito nas células. Deste modo, é aceitável que uma alteração no meio, espontânea e imprevisível, cause distúrbios num Homem que, em conjunto com a ciência, estava a ser melhorado para corrigir as falhas de um ambiente anterior. A modificação na Natureza coloca interferências ao nível dos instrumentos utilizados que se tornam incapazes face às novas mudanças e do Homem que se situa menos adaptado, sendo necessário criar, novamente, caminhos a fim de o homem se aproximar do equilíbrio que o rodeia. Quando este está prestes a combater as adversidades do exterior, é possível que surja uma nova alteração que condicione a actividade do Homem cientista.
Em suma, o trabalho de cientistas e outros profissionais contribui em muito para uma melhoria da qualidade de vida e para a construção de um Homem mais rentável. É neles que se sustenta o aumento da esperança média de vida e é neles que reside a expectativa de uma sociedade melhor e mais evoluída. No entanto, a espontaneidade da Natureza e do Homem cria obstáculos que não são fáceis de ultrapassar nunca sendo possível chegar-se a um ideal – a uma visão utópica da raça humana.

Fevereiro de 2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Texto de Reflexão - "O Velho do Restelo: o mundo a duas velocidades"

Trabalho realizado por Joana Nunes, nº 11, 12º B, 2010/11
Prof. João Morais

No Canto IV d’Os Lusíadas, após o episódio das Despedidas de Belém, surge o episódio do Velho do Restelo, em que um homem idoso “de aspecto respeitável” com “voz pesada” e de “saber só de experiências feito” condena os navegantes que tinham embarcado na Praia do Restelo para iniciarem a viagem marítima para a Índia. Este acto tinha como propósito a cobiça, o desejo de riquezas, o poder e a fama. Ele é uma representação simbólica das críticas do povo e das dúvidas e receios do próprio poeta, Luís de Camões, em relação ao projecto da Viagem. Emerge, portanto, neste episódio, uma dualidade: a oposição entre os ideais heróicos, típicos das epopeias, e os ideais anti-progressistas. Por outras palavras e metaforicamente falando, o nosso mundo, independentemente do tempo em que vivamos, pode ser representado a duas velocidades: a rápida, que remete para a evolução, a mudança, a descoberta e o desenvolvimento; e a lenta, que remete para as tradições, a conservação, a estabilidade e conforto.
Embora a Epopeia tenha sido escrita no século XVI, podemos relacionar este tema com tantos outros da actualidade que levantam questões a nível ético, social, ambiental, etc. Um destes é a evolução na Engenharia Genética, relacionada, por exemplo, com a manipulação genética, que muitas pessoas não apoiam devido aos riscos que dela podem advir e aos desequilíbrios que se podem produzir no meio ambiente e na sociedade. [fiz §]
Outro exemplo é a produção de energia nuclear, que, apesar das suas vantagens, pode interferir nos ecossistemas e na segurança da população mundial. Observamos, então, ainda presentemente, uma rivalidade entre as duas velocidades, sem muitas vezes ter surgido um consenso.
A verdade é que temos de pensar que, para todos os avanços, existem repercussões. Tendo isso em conta, acredito que devemos sempre encontrar um equilíbrio. Como diz o provérbio popular, “Nem tanto ao mar, nem tanto à terra”. Este provérbio adequa-se a esta situação, no sentido em que os portugueses não deviam seguir para o desconhecido sem pensar nas consequências e prevenções, mas também não deviam ficar em terra e deixar de parte os seus sonhos e ambições.
Talvez o Velho do Restelo não seja uma figura totalmente negativa, mas apenas uma forma de alertar o leitor para as consequências de todas as acções que têm como fim quebrar os padrões tradicionais da sociedade. A cada passo que se toma em frente, devemos sempre olhar para trás e ver os efeitos dos nossos actos e o impacte que estes provocam. Vemos essa situação, mais concretamente, neste episódio d’Os Lusíadas, quando o Velho do Restelo faz referência à família e aos amigos que ficam para trás, sem saber o destino dos seus entes queridos e sem saber se realmente esta missão teria algum impacte positivo nas suas vidas como indivíduos e como seres sociais. Na realidade, o Velho do Restelo pretendia salientar o facto de os navegadores estarem a enfrentar desnecessariamente perigos desconhecidos, assim abandonando os perigos urgentes que se faziam sentir em Portugal, a sua pátria.
Concluindo, será que nos devemos conformar com apenas essas duas velocidades? Ou será que poderemos encontrar uma velocidade intermédia em que, na busca da sabedoria, não fiquemos cegos de ganância e cobiça? A ambição é positiva, mas temos de pensar quando é que estamos a comprometer e a prejudicar o mundo exterior. É necessário reflectir sobre os limites que a natureza nos impôs e sobre o facto de, ao ultrapassar esses limites, podermos estar a sobrevalorizar interesses comerciais e bélicos em oposição aos verdadeiros interesses em defesa de uma vida melhor e do conhecimento.

Texto de Reflexão - "O Velho do Restelo: actualidade ou não?"

Trabalho realizado por  João Filipe Afonso, Nº13,  12º B, 2010/11 
Prof. João Morais

O discurso proferido pelo Velho do Restelo, por altura da despedida das caravelas de Belém com destino à Índia, apresenta-se como a voz do bom senso, criticando a estranha condição humana, que se movimenta e se motiva perante os desafios da insatisfação, procurando fama e glória através de uma ambição desmedida e incontrolada que a nos leva a agir e avançar sem olhar para o que se lhe apresenta diante dos olhos.

Seja qual for a época em que nos situemos, podemos afirmar, com grande realismo e propriedade, que a tese exposta e defendida pelo Velho do Restelo traduz uma realidade da vida actual apesar da evolução dos tempos e da sociedade. Ao observarmos o mundo actual, constatamos que o homem e a sociedade em geral se movimentam pelos interesses económicos e financeiros, prestando-lhes vassalagem, em função de uma ambição maquiavélica em que não se olha a meios para atingir os fins. Esta forma de estar e de actuar tem despertado a hipocrisia e a inveja, dois sentimentos que se têm vindo a acentuar porque marcantes das sociedades ocidentais e mais evidentes nos povos latinos de influência mediterrânica. Para o comprovar e concretizar, basta reflectirmos um pouco na crise que actualmente atravessamos (nas suas origens, causas e consequências), podendo nós constatar que foi o domínio dos aspectos financeiros sobre as questões sociais desvalorizadas e esquecidas, a prevalência da vaidade, da inveja e da ambição sobre o bom senso que nos colocaram num patamar de consumismo incontrolável, em que o parecer se impõe ao ser. A grande preocupação das pessoas é a imagem que deixam transparecer, comprometendo um desenvolvimento sustentável o que põe em causa o futuro de outras gerações e hipoteca a actual, na qual as famílias atingiram elevados níveis de endividamento, situando-se algumas delas no limite da pobreza e da luta pela sobrevivência.

Quem são e onde estão os culpados? Olhemos para a nossa classe dirigente, que, em vez de dar o exemplo, aparece quase sempre perfilada pelos grandes interesses e jogos de poder, em que a palavra corrupção é que a mais se ouve, quando deles se fala. A propósito, ainda me lembro por altura da assinatura do Tratado de Lisboa, em Dezembro de 2009, em Belém, local marcante e cheio de simbolismo, onde, pela ocasião, se evocou o espírito ambicioso com que os navegadores portugueses partiram à conquista do mundo, comparável à ambição com que a UE partia para a assinatura do Tratado. A ambição descontrolada está bem representada na crise económica em que toda a UE mergulhou, pois, mais uma vez, quando se falou em ambição, não foi formulada e contemplada a ambição social mas sim a financeira e a do proveito próprio. Atentemos nos famosos e actuais “Jobs for the boys”, em que grande parte dos nossos governantes se servem da sua passagem pelos Governos da República como plataforma para futuras nomeações em altos cargos nas Empresas Públicas, em que auferem vencimentos escandalosos, não possuindo, na maior parte dos casos, preparação e vocação para o desempenho das funções que os cargos exigem. Tudo não passa de uma compensação política. Como consequência destas opções, estratégias e políticas contraditórias, temos uma crise sem precedentes em termos de desemprego, que alastra por toda a Europa e ensombra o mundo, com reflexos e reacções imprevisíveis em termos sociais.

Daqui podemos destacar a importância de alertar a nossa classe dirigente para o desprezo a que tem vedado o investimento na educação, um dos mais importantes pilares do enriquecimento interior e de combate aos desafios negativos, que enfrentamos ao longo da vida, que vão desde uma competitividade sem limites e regras, que se reflectem numa desonestidade de procedimentos, em que impera o “salve-se quem puder”, em que os valores materiais se sobrepõem aos valores morais, violando todos os princípios familiares, de vizinhança, de amizade e respeito pelo próximo, como se pode comprovar, por exemplo, através do abandono e esquecimento a que estão destinadas as pessoas da terceira idade, que ultimamente tem sido noticiada e divulgada, pela pior das razões.

Ora, ao violarmos e colocarmos em causa todos os princípios e comportamentos que devem conduzir e orientar uma sociedade moderna, tecnologicamente desenvolvida, estamos, no fundo, a cultivar uma profunda crise de valores. Esta não é mais que o reflexo da perda da identidade das pessoas que são dominadas pela insatisfação, pela ambição descontrolada e cuja expressão final se traduz no aumento do consumo de álcool e drogas por parte dos jovens, no crescimento da criminalidade, nomeadamente a delinquência juvenil, e, como resultado de tudo isto, aumentam as dificuldades das famílias em enfrentar estes problemas. É neste aspecto que o problema se alastra para situações, que, em princípio, julgaríamos intocáveis, como a relação entre professores e alunos e, de uma forma mais concreta, entre pais e filhos, que se concretiza no facto de os progenitores considerarem os seus filhos irresponsáveis e inexperientes, impondo-se numa demonstração de força e poder, controlando personalidades jovens ainda em busca da sua própria identidade. Neste âmbito, importa realçar o papel dos órgãos de comunicação social, sobretudo a televisão e a internet, que, ao não contrariarem estes fenómenos, contribuem para o seu agravamento através do abuso de violência em cenas cruéis e gratuitas, surgindo como consequência o argumento paternalista dos perigos que lhes estão associados, como por exemplo, as saídas nocturnas.

Face ao exposto, posso concluir que, apesar da discrepância entre as épocas em questão, existem atitudes, comportamentos e sentimentos tão actuais como há quinhentos anos. A ambição é positiva quando utilizada como um caminho para ultrapassar as dificuldades que se nos dapresentam. No entanto, é necessário saber utilizá-la com satisfação e realização pessoal e como via para crescer e evoluir na vida com ética, integridade, honestidade e competência, isto é, ser ambicioso sem se autodestruir ou destruir o próximo. Isto consegue-se se agirmos com bom senso perante os outros e a sociedade que nos rodeia. Todos estes princípios, valores e atitudes referidos ao longo desta reflexão devem ser usados para o desenvolvimento de uma sociedade da qual fazemos parte e que queremos mais desenvolvida, renovada, em que não imperem o individualismo, a inveja e a competitividade gratuita, que tornam as pessoas egoístas e gananciosas, instalando uma crise de valores sem precedentes, com a sua maior expressão na procura da fama, da glória, do estatuto e da posição através de uma ambição sem perda da nossa dignidade.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011