O BlogBESSS...

Bem-Vindos!


Blog ou Blogue, na grafia portuguesa, é uma abreviatura de Weblog. Estes sítios permitem a publicação e a constante atualização de artigos ou "posts", que são, em geral, organizados através de etiquetas (temas) e de forma cronológica inversa.


A possibilidade de os leitores e autores deixarem comentários, de forma sequencial e interativa, corresponde à natureza essencial dos blogues
e por isso, o elemento central do presente projeto da Biblioteca Escolar (BE).


O BlogBESSS é um espaço virtual de informação e de partilha de leituras e ideias. Aberto à comunidade educativa da ESSS e a todos os que pretendam contribuir para a concretização dos objetivos da BE:

1. Promover a leitura e as literacias;

2. Apoiar o desenvolvimento curricular;

3. Valorizar a BE como elemento integrante do Projeto Educativo;

4. Abrir a BE à comunidade local.


De acordo com a sua natureza e integrando os referidos objetivos, o BlogBESSS corresponde a uma proposta de aprendizagem colaborativa e de construção coletiva do Conhecimento, incentivando ao mesmo tempo a utilização/fruição dos recursos existentes na BE.


Colabore nos Projetos "Autor do Mês..." (Para saber como colaborar deverá ler a mensagem de 20 de fevereiro de 2009) e "Leituras Soltas..."
(Leia a mensagem de 10 de abril de 2009).


Não se esqueça, ainda, de ler as regras de utilização do
BlogBESSS e as indicações de "Como Comentar.." nas mensagens de 10 de fevereiro de 2009.


A Biblioteca Escolar da ESSS


PS - Uma leitura interessante sobre a convergência entre as Bibliotecas e os Blogues é o texto de Moreno Albuquerque de Barros - Blogs e Bibliotecários.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Telmo ou o caso de um percurso singular

A peça Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett, de entre as diversas personagens-tipo, por definição representativas de uma classe social, e personagens planas, com características que obedecem a um padrão, inaugura no espaço do teatro português a aventura do indivíduo que tem um destino próprio. 

Este velho escudeiro de D. João de Portugal destaca-se, numa fase inicial, pelas severas convicções ideológicas e afetivas, que o levam a criticar D. Madalena por se ter casado pela segunda vez sem estar absolutamente certa da morte do primeiro marido, chegando mesmo a sugerir que, em consequência disso, Maria poderá não ser uma filha legítima. A inflexibilidade que revela e que se manifesta, por exemplo, no facto de nunca mentir, virá, porém, a ser desfeita depois da chegada do Romeiro. Confrontado com a necessidade de salvar Maria, apercebe-se de que já amava mais a filha que ele temia ser bastarda do que ao próprio amo. Assim, dispõe-se, pela primeira vez na vida, a mentir em nome dos afetos. Apercebe-se, então, de que o amor, por vezes, se sobrepõe aos princípios morais. 

Na cena IV do Ato III, o monólogo de Telmo revela o seu conflito interior: por um lado, sempre ansiou pelo regresso do seu amo; por outro, mostra que o seu amor por Maria é agora maior do que a fidelidade cavaleiresca a D. João de Portugal. Os sentimentos experimentados pela personagem (o medo, a confusão, a ansiedade) e o facto de o seu amor por Maria prevalecer sobre o que tem pelo seu amo contribuem para que Telmo considere as suas atitudes um pecado, o que, pelo espírito cristão que caracteriza Telmo e o Romantismo, concorre para a intensificação desse estado de alma perturbado. A tensão vai variando de intensidade ao longo da cena referida porque a diferença de saberes é diferente: o público já conhece a identidade do Romeiro enquanto Telmo desconhece-a até à cena seguinte. Cria-se, assim, a expectativa de Telmo vir a conhecer de seguida a verdadeira identidade do Romeiro, expectativa essa que emerge no discurso com uma profunda dilaceração interior da personagem, que se reflete nas frases curtas e interrompidas como quem experimenta um bloqueio mental e, assim, verbal. 

Em conclusão, Telmo, a personagem modelada da peça, sofre profundas alterações ao longo da ação, que, para além das suas configurações ideológicas, assentam numa substituição do objeto amado, sem que isso dispense uma mutilação afetiva. É nesse quadro que se constrói Telmo, personagem modelada que cumpre esse desígnio eminentemente romântico.

Autora:  Oleksandra Sokolan, 11ºC 
Prof. João Morais

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