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Blog ou Blogue, na grafia portuguesa, é uma abreviatura de Weblog. Estes sítios permitem a publicação e a constante atualização de artigos ou "posts", que são, em geral, organizados através de etiquetas (temas) e de forma cronológica inversa.


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e por isso, o elemento central do presente projeto da Biblioteca Escolar (BE).


O BlogBESSS é um espaço virtual de informação e de partilha de leituras e ideias. Aberto à comunidade educativa da ESSS e a todos os que pretendam contribuir para a concretização dos objetivos da BE:

1. Promover a leitura e as literacias;

2. Apoiar o desenvolvimento curricular;

3. Valorizar a BE como elemento integrante do Projeto Educativo;

4. Abrir a BE à comunidade local.


De acordo com a sua natureza e integrando os referidos objetivos, o BlogBESSS corresponde a uma proposta de aprendizagem colaborativa e de construção coletiva do Conhecimento, incentivando ao mesmo tempo a utilização/fruição dos recursos existentes na BE.


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PS - Uma leitura interessante sobre a convergência entre as Bibliotecas e os Blogues é o texto de Moreno Albuquerque de Barros - Blogs e Bibliotecários.

sábado, 1 de maio de 2010

Estudo Ilustrado das Personagens de "Felizmente há Luar!" - 2ª parte


A peça de teatro: ruptura e tradição                                  

Bertold Brecht
Brecht, poeta e dramaturgo alemão, foi um dos grandes reformadores do teatro do século XX, desenvolvendo uma forma de drama capaz de realizar um certo tipo de intervenção social, ideologicamente marcada por um posicionamento político assumidamente de esquerda.
Estudou Medicina e cumpriu o serviço militar num hospital, durante a I Guerra Mundial, período de que data a sua primeira peça. No pós-guerra, desenvolveu uma atitude de oposição aos valores e à sociedade burguesa.
Com a ascensão do nacional-socialismo em 1933, Brecht partiu para o exílio, primeiro na Dinamarca e depois nos Estados Unidos da América. Entretanto, na Alemanha era-lhe retirada a cidadania e os seus livros eram lançados à fogueira, no zelo persecutório que percorria as autoridades do país.
Entre 1937 e 1941 escreveu algumas das suas grandes peças, nomeadamente Mutter Courage und ihre Kinder (Mãe Coragem e Seus Filhos) , alguns dos melhores ensaios teóricos, diálogos e poemas. São também dignas de referência as peças Leben des Galilei (Vida de Galileu, 1943) e Der Kaukasische Kreidekreis (O Círculo de Giz Caucasiano, 1949).

O Teatro Épico
O teatro épico, cuja função pedagógica se distancia da catártica (teatro clássico), é um teatro de intervenção baseado numa nova leitura da História. É um teatro sobre a História (e não um teatro histórico), que, analisando as transformações sociais ocorridas ao longo da história, leva o espectador a pensar, a reflectir e não mais a sentir, como acontecia com o teatro aristotélico ou clássico.
O que é apresentado em palco deve ser visto pelo espectador com distanciamento, análise crítica e com rigor científico.
Esta prática teatral perspectiva o homem como ser transformado, mas também como transformador da história. O dramaturgo explora, então, a parábola histórica, levando o espectador/leitor a reflectir criticamente e, posteriormente, a agir. O passado é, por isso, importante para a compreensão do presente. O teatro assume-se, assim, como meio de consciencialização dos fenómenos político-sociais que rodeiam o espectador.

 Teatro Clássico/ Teatro Épico
Teatro Clássico
Teatro Épico
Activo
Narrativo
Faz participar o espectador numa acção cénica
Torna o espectador numa testemunha
Consome-lhe a actividade
Desperta-lhe a actividade
Proporciona sentimentos ao espectador
Exige decisões ao espectador
Vivência
Mundividência
O espectador é imiscuído em qualquer coisa
É posto perante qualquer coisa
Sugestão
Argumento
As sensações são conservadas como tal
As sensações são elevadas ao nível do conhecimento
O espectador está no centro, comparticipa dos acontecimentos
O espectador está defronte, analisa
Parte-se do princípio de que o homem é algo já conhecido
O Homem é objecto de uma análise
O Homem é imutável
O Homem é susceptível de ser modificado e de modificar
Tensão em virtude do desenlace
Tensão em virtude do discurso da acção
Uma cena em função da outra
Cada cena em si e por si
Progressão
Construção articulada
Acontecer rectilíneo
Acontecer curvilíneo
Obrigatoriedade da evolução
Saltos
O Homem como algo fixo
O Homem como realidade em processo
O pensamento determina o ser
O ser social determina o pensamento
Sentimento
Razão
























Bertold Brecht in Estudos sobre o Teatro 

A obra Felizmente Há Luar! é uma obra evidentemente marcada pela influência brechtiana. A presença do elemento narrativo (o desenrolar dos acontecimentos históricos vai sendo contado através do discurso das personagens, na terceira pessoa, com objectividade); o corte com os elementos apelativos ao sentimento (o autor procura retirar os elos de ligação de empatia entre os actores e os espectadores, já que a mensagem deve ser captada pela razão), “O público tem de entender, logo de entrada, que tudo o que se vai passar no palco tem um significado preciso. […] Pretende-se criar, desde já, no público, a consciência de que ninguém, no decorrer desta peça, vai esboçar um gesto para o cativar ou para o acamaradar com ele” (p. 15); “Ao dizer isto, a personagem está quase de costas para os espectadores. Esta posição é deliberada[…]” (p. 16). A  intenção de todas as informações paralelas ao texto é a de orientar o espectador na acção, fazê-lo participar, torná-lo um interveniente consciente e não iludido por uma representação. Todas estas características são marcas do teatro épico reactualizadas no próprio discurso da peça..

O carácter trágico na obra Felizmente Há Luar!
 Não se pode considerar a peça Felizmente Há Luar! uma tragédia. Contudo podemos verificar que, em alguns aspectos, a peça sofre influências daquele género:

A unidade de acção: Tal como nas tragédias clássicas, a peça desenvolve-se em torno de uma única acção: prisão, julgamento e morte do General Gomes Freire de Andrade.
A nobreza das personagens: As personagens do anti-poder, em especial o General e Matilde, distinguem-se do comum dos mortais pela nobreza moral e elevação das suas atitudes e pela coragem com que defendem os seus ideais, em particular no confronto directo com o poder.
O desafio (Hybris), o conflito (Agón) e a catástrofe final (Katastrophé): Nas tragédias clássicas, o herói desafia a ordem instituída e, por isso, o conflito nasce da oposição entre a tradição despótica e a modernidade democrática.
O General Gomes Freire de Andrade questiona o poder instituído, lutando pela igualdade, pela justiça e pela liberdade, e, por isso, pagará com a vida a sua ousadia, será castigado com a morte, a catástrofe final.
O final de Felizmente Há Luar! constitui um momento de apoteose trágica, em que o herói é sacrificado para que os seus ideais perdurem, num grito de revolta, de esperança e de liberdad
O sacrifício do herói: O herói (General Gomes Freire de Andrade) defende os seus ideais até à morte, esperando que o seu sacrifício dê frutos no futuro.
O despojamento cénico: Embora Brecht defendesse que os espaços excessivamente decorados distraíam os espectadores (afastando os da reflexão crítica), o despojamento cénico, aliado à unidade de espaço, é igualmente uma característica das tragédias clássicas. Em Felizmente Há Luar!, toda a diegese dramática se desenrola no mesmo espaço, a rua, praticamente despido de adereços cénicos, facto que intensifica a tensão dramátic
Os sentimentos de terror e de piedade (Pathos) O público experimentará, face ao sacrifício do herói e ao desespero de Matilde e do povo, terror e piedade (ligados ao aspecto catártico do texto).
O carácter purificador/catártico do texto (Cathársis) As tragédias clássicas têm como um das suas principais funções a de expurgar o público de más intenções, purificando-o. As chamas da fogueira final deverão limpar a sociedade dos seus aspectos despóticos, abrindo caminho a um novo futuro de paz, igualdade e liberdade.
O coro nas tragédias clássicas, o coro é constituído por um conjunto de personagens que não intervêm directamente na acção e cuja função é comentar determinados acontecimentos à medida que a diegese se vai desenrolando. Em Felizmente Há Luar!, podemos reconhecer nas figuras dos populares uma função semelhante à do coro das tragédias clássicas.
 
 Fim da 2ª parte

 Publicado por José Fernandes Rodriguez

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