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e por isso, o elemento central do presente projeto da Biblioteca Escolar (BE).


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3. Valorizar a BE como elemento integrante do Projeto Educativo;

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PS - Uma leitura interessante sobre a convergência entre as Bibliotecas e os Blogues é o texto de Moreno Albuquerque de Barros - Blogs e Bibliotecários.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Álvaro de Campos e Walt Whitman

     Trabalho realizado por Janete Serra, 12º B, 2010/11
                                             Prof. João Morais
                                                                               
            «[...] Campos sentiu como Whitman para deixar de sentir como Campos
             Mas o tour de force malogrou-se: 
             depois de 1916, Campos virá a ser poeta do cansaço, da abulia, do vazio, inquieto e nauseado.

Mesmo nos poemas vincadamente whitmanianos, amplas polifonias, há acordes dissonantes. Na «Ode Triunfal», quando, num crescendo raivoso, estava gritando o seu amor por todas as vidas anónimas e o desespero de as devassar, abre um parêntese de nove versos para, num tom grave e recolhido, reflectir sobre o mistério do mundo, a fatalidade da morte, a doçura triste da infância que não volta:»
                                 Jacinto do Prado Coelho, Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa, 6ª ed., Lisboa, Verbo, 1980.
  
     Na fase futurista de Álvaro de Campos podem-se encontrar semelhanças e algumas diferenças relativamente aos poemas de Walt Whitman, em Canto de Mim Mesmo.
As semelhanças encontram-se ao nível de alguns temas, que são abordados por ambos os poetas, e ao nível da estrutura dos poemas, enquanto as diferenças estão principalmente relacionadas com a tendência de Campos para o pessimismo.
As semelhanças prendem-se, por um lado, com aspectos como as sensações, o corpo, as máquinas e a fraternidade ou igualdade para com todos. Por outro lado, além dos temas, ambos os poetas escrevem os seus poemas com uma estrutura formal irregular e livre.
Whitman vê tudo e todos da mesma maneira, tendo tudo e todos o mesmo valor, o que mostra a ideia da fraternidade e da igualdade:
“E que todos os homens alguma vez nascidos são também meus irmãos, e / as mulheres minhas irmãs e amantes”, p. 17; “Sou o camarada e o companheiro das pessoas [...]”, p.21; “[...] (amo-o, ainda que não o conheça)”, p.37; “Creio que uma folha de erva não vale menos do que a jornada das estrelas”, p. 75; ”Infinito e de todas as espécies sou, e igual a elas sou”, p.79; “ [...] nem um único será omitido.”, p. 121.
Também se pode encontrar esta ideia na poética de Campos, nomeadamente no poema ;:
“Fraternidade com todas as dinâmicas!”; “Amo-vos a todos, a tudo”; “Como eu vos amo de todas as maneiras”; “[...] eu acho isto belo e amo-o!”, “Como eu vos amo[...] nem bons nem maus”.
Para o heterónimo pessoano – numa primeira instância – todas as coisas também são boas e positivas, mesmo o que não é assim considerado pelo senso comum:
“Banalidade interessante[...]”; “A maravilhosa beleza das corrupções políticas / Deliciosos escândalos [...]”; “[...] orçamento é tão natural [...]”; “[...] parlamento tão belo [...]”; “Maravilhosamente gente humana [...]”; “Fauna maravilhosa [...]”.
Whitman utiliza as sensações enquanto tema, mas também como motivo para a escrita poética:
“A vista, o ouvido, o tacto são milagres [...]”; “O odor destas axilas [...]”, na pág. 61; “O meu discurso é gémeo da minha visão [...]”, na pág.65; “[...] olhando-te simplesmente!”, na pág.67; “Mexo, aperto, sinto com os meus dedos [...]”, na pág. 71; “As dores [...] nas pernas e no pescoço [...] Tudo isso sinto ou sou.”, na pág. 91; “Faço parte, vejo e oiço tudo.”, p.95.
Nesta fase futurista sensacionista de Campos, o poeta acolhe todas as sensações:
“[...] de tudo com que eu sinto!”; “[...] vos querer com [...] expressão de todas as minhas sensações”; “ A todos os perfumes [...]”; “O cheiro fresco a tinta [...]”; “Como eu vos amo [...] Com os olhos e com os ouvidos e com o olfacto / E com o tacto [...]” in Ode Triunfal;.
Campos celebra o triunfo da máquina, exprimindo-se de uma forma lúbrica, como se tivesse uma atracção sexual pelas máquinas. Assim, podemos encontrar no poema Ode Triunfal; os campos lexicais de corpo e de máquina:
“lábios”, “corpo”, “costas”, “tronco”; “fábrica”, “rodas”, “engrenagens”, “máquinas”, etc.
O poeta fala das coisas de maneira tão espontânea e sedutora quanto perversa para o senso comum:
“[...] penetrar-me fisicamente de tudo isto”; “[...] (o que palpar-vos representa para mim!)”, “Amo-vos carnivoramente / Pervertidamente [...]”; “Ó fábricas, ó laboratórios, [...] Possuo-vos como a uma mulher bela”; “Ah, olhar é em mim uma perversão sexual!”; “[...] putas [...]”; Masturbam homens [...]”.
Whitman também manifesta um desejo lúbrico em relação às coisas:
“Despe-te [...]”, p. 21; “[...] centenas de afectos”, p. 33; “[...] lábios entreabertos, / A prostituta [...]”, p. 39; “[...] suaves genitais”, p. 63; “[...] meu peito nu”, p. 71; “[...] às minhas carícias”, p.79; “[...] vindo a mim nus [...]”, p. 127.
Ele escreve também sobre as máquinas:
“O maquinista [...]” e “[...] na / fábrica ou na oficina”, p. 77.
No que tem a ver com a estrutura externa, os poemas de ambos não têm isometrismo, nem isomorfismo, nem rima. Os versos são brancos e longos. Estas características estruturais representam a liberdade que ambos os poetas reclamam e que está relacionada com a vida moderna e, assim, com a estética futurista.
Quanto às diferenças entre os poetas – não esquecendo que nos limitámos ao confronto do poeta norte-americano com a segunda fase de Campos, ou com a face futurista sensacionista se quisermos –, podemos referir o facto de Campos ser demasiado excessivo na expressão: usa, exageradamente, onomatopeias, interjeições, exclamações. Por oposição, Whitman é calmo e moderado a escrever.
Mas Whitman é constantemente feliz:
“[...] estou exauste mas não infeliz”, p. 93; “Não é o caos nem a morte... [...] é a Felicidade”, p.141.
Já Campos, mesmo com a euforia e a exaltação da vida moderna, mostra sinais de pessimismo e melancolia.
“(Na nora do quintal da minha casa / O burro anda à roda, anda à roda, / E o mistério do mundo é do tamanho disto. / Limpa o suor com o braço, trabalhador descontente. / A luz do sol abafa o silêncio das esferas / E havemos todos de morrer, / Ó pinheirais sombrios ao crepúsculo, / Pinheirais onde a minha infância era outra coisa / Do que eu sou hoje...)” .in «Ode Triunfal»
Este excerto reflecte a nostalgia da infância, o mistério do mundo e a fatalidade da morte, que são temas disfóricos, melancólicos, utilizados nos poemas da fase – da face – intimista de Campos. Ou seja, já nos poemas eufóricos, Campos mostra um esgotamento das sensações e uma abulia da alma, como oposição a Whitman.
E                 Em suma, apesar de Whitman ser um exemplo para Campos. 
                   Este não consegue nunca ser completamente feliz e deixar de pensar, mesmo depois da 
                   exaltação da vida moderna. 

                     Editado e organizado por José Fernandes Rodriguez

1 comentário:

  1. Bravo, Janete!
    Encorajo-te a continuar a trabalhar com a seriedade que tens mostrado até agora.
    João MOrais

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